IV

IV

Se nalgum dia, logo que

de ficar eu no decesso,

ouves crepitar as faíscas

do lume do meu relembro,

 

julga, amor, que além do espaço,

nas vertigens do silêncio,

todo este meu ser dolente

há de te seguir querendo.

 

[Do livro inédito “Sonata dum quebrado violino”]

http://1.bp.blogspot.com/_Ab9SC69EFr8/SPp8QBYEcWI/AAAAAAAAAHk/giDxXNcanJg/s1600/angel%2Bllorando%2Ben%2Buna%2Btumba,%2Bescultura%2Ben%2Bblanco%2By%2Bnegro.jpg

QUIMERA

QUIMERA

Atrapalhado na alma e no sentido

sonhei que te sonhava e tão ditoso,

tão quimérico foi, tão ardiloso,

que me achei toda a noite entretecido.

 

Olhei-te, pura luz, tão acendido

no doce e limpo olhar, tão fervoroso,

que procurei não despertar, medroso

de te perder se não ficar dormido.

 

Mas foi, por um momento, bem miúdo

o engano de sonhar que te sonhava

e fora ainda mais triste despertar,

 

que logo olhei meu coração desnudo

vendo que, sem ventura, não te achava

e fora uma ânsia do meu penar.

[Do livro inédito “Sonata dum quebrado violino”]

https://scontent-amt2-1.cdninstagram.com/t51.2885-15/e35/18514187_149686952238812_3785482469868830720_n.jpg

SANÇÃO DO CORAÇÃO LASTIMADO

SANÇÃO DO CORAÇÃO LASTIMADO

Traio prendido firme no pescoço

pesado, grave e rigoroso jugo.

Pra mim sou cruel juiz e verdugo,

um desprezível carrasco ao meu algozo.

 

Apenas sou espantalho pra remoço:

enquanto minhas lágrimas enxugo

é só do meu sofrer que aflição sugo

maldizendo o coração que destroço.

 

Nada alegarei do mal ante os mortais;

meu coração ruim e desumano

fique preso no erro cometido.

 

E mais não me tenham dó, porque jamais

hei tirar a escravatura em que afano

ser tão somente um tormento afligido.

 

[Do livro inédito “Sonata dum quebrado violino”]

https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/cd/a3/c8/cda3c85f112cb9d4d8458dbab630290a.jpg