por martinho | Jun 2, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
O POEMA “O LAGO” DE ALPHONSE DE LAMARTINE TRADUZIDO PARA O GALEGO E UMA NOTA SOBRE O POEMA.
É perto do lago de Bourget, na Saboia, que Lamartine escreveu este célebre poema, uma das obras mestras da literatura em francês e ainda de toda a literatura universal.
Julie Charles, esposa do célebre físico Jacques Charles (Beaugency, Orléanais, hoje Loiret, 12 de novembro de 1746 – Paris, 7 de abril de 1823), devia se juntar com o poeta em agosto de 1817 no Lago de Bourget, lugar de múltiplos encontros entre os dous amantes, mas a enfermidade dela reteve-a em Paris, onde viu a morrer em dezembro do mesmo ano vitimada pola tísica pulmonar.
No seu Comentário ao poema, Lamartine fez alusão à música que Niedermeyer (Abraham-Louis de Niedermeyer d’Altenburg, nascido em Nyon, Suíça, 27 de abril de 1802 e morto em 14 de março de 1861 em Paris) compôs sobre Le Lac: “Sempre pensei que a música e a poesia nutriam-se se associando. Ambas são artes completas: A música leva consigo o seu sentimento; os belos versos portam com eles a sua melodia.”
Os críticos franceses concordam que é, junto com Tristesse d’Olympio de Victor Hugo e Souvenir de Alfred de Musset, o mais belo poema que se tem escrito por autores galos no século XIX.
O LAGO
Assim, empurrados sempre para novas ourelas,
Na eterna noite, sem retorno, levados,
Nunca poderemos no oceano dos tempos
deixar um só dia os esteios ancorados?
Ó lago!, o ano se tem cumprido apenas,
E estou cá solitário. Suas pegadas
não voltarão deixar nas tuas areias
A que desta rocha, ainda ontem, sereias
Deitou em ti as suas olhadas!
E assim como agora, então ressoavas;
Mugindo vais como naqueles dias,
Contra estas penas o teu furor desbravas,
E com a branca espuma o mesmo musgo lavas
Onde os seus pés lambias.
Uma tarde, lembras-te? Em enlevo supremo
Íamos ela e eu, em silêncio bogando,
E sob o céu azul, de um a outro extremo,
Mas tão só se escuitava o bater do remo
nas ondas cadenciando.
E foi que de repente aquele mudo vento
Cativou encantado uma voz divina;
Nunca ninguém sonhara um tão tal doce acento
na água cristalina:
“Ó tempo! Suspende tua carreira,
Não quebres nosso enlevo,
Tu, tempo voador.
Deixa-nos gozar por sempre
os mágicos instantes
que cá brinda o amor.
“Quantos infelizes cá baixo não te imploram
No teu correr fugaz;;
Toma com os seus dias os seus que os devoram;
Deixa o ditoso em paz.
“Mas eu demando em vão que nesta mansa noite
lento mova seu pé;
As estrelas já rodam e no oriente pálido
A aurora já se vê.
“Amemos, pois, amemos na hora fugitiva,
Apressados gozemos!
Nem tem o homem porto nem o tempo ribeira;
Que flua e nos passemos!”
Por enquanto o mal acerbo dura,
O tempo que à sua vista se adormece,
A roubar-nos a dita se apressura
E o momento que encerra mais doçura,
Fuje e desaparece.
E nunca há de voltar o que é passado?
Tudo quanto se foi ficou perdido,
E para sempre o sepulta o fado
Em mudo seio, trás alto valado,
Em sempiterno olvido?
Nem ainda guardaremos suas pegadas?
Para onde vão as delícias que devoras,
Que fazeis Eternidade, sombras abismadas,
das deglutidas horas?
Ó lago! rochas mudas! covas! selva escura!
Perdoa-vos o tempo ou talvez
Beleza vos torna, a fermosura
Dessa noite guardai. Salva, ó Natura,
Sua lembrança sequer!
Perene é o recordo, ó lago,
Em teu recinto, nas suaves frondas
Que te envolvem com ridente afago,
Nestas rochas que com turvo âmago
Colgam sobre tuas ondas!
Que seja no zéfiro que treme e que passa,
Nas copas sussurrantes que as folhas humilha,
E na argêntea lua que branqueja sua cara
E que no éter brilha.
Que o vento que geme, a roseira que suspira,
Que os perfumes leves que os ares ambientaram,
Quanto aqui se senta, se veja ou se respira,
Tudo diga: eles se amaram!
Alphonse de Lamartine (Mâcon, 21 de outubro de 1790 – Paris, 28 de fevereiro de 1869)
[Tradução do texto em francês recolhido em “Lamartin. Chefs-d´oeuvre poétiques”, Librairie A. Hatier, Paris, s/d, páginas 13-15]
Le Lac
Ainsi, toujours poussés vers de nouveaux rivages,
Dans la nuit éternelle emportés sans retour,
Ne pourrons-nous jamais sur l’océan des âges
Jeter l’ancre un seul jour ?
Ô lac ! l’année à peine a fini sa carrière,
Et près des flots chéris qu’elle devait revoir,
Regarde ! je viens seul m’asseoir sur cette pierre
Où tu la vis s’asseoir !
Tu mugissais ainsi sous ces roches profondes,
Ainsi tu te brisais sur leurs flancs déchirés,
Ainsi le vent jetait l’écume de tes ondes
Sur ses pieds adorés.
Un soir, t’en souvient-il ? nous voguions en silence ;
On n’entendait au loin, sur l’onde et sous les cieux,
Que le bruit des rameurs qui frappaient en cadence
Tes flots harmonieux.
Tout à coup des accents inconnus à la terre
Du rivage charmé frappèrent les échos ;
Le flot fut attentif, et la voix qui m’est chère
Laissa tomber ces mots:
” Ô temps ! suspends ton vol, et vous, heures propices !
Suspendez votre cours :
Laissez-nous savourer les rapides délices
Des plus beaux de nos jours!
” Assez de malheureux ici-bas vous implorent,
Coulez, coulez pour eux ;
Prenez avec leurs jours les soins qui les dévorent ;
Oubliez les heureux.
” Mais je demande en vain quelques moments encore,
Le temps m’échappe et fuit;
Je dis à cette nuit : Sois plus lente ; et l’aurore
Va dissiper la nuit.
” Aimons donc, aimons donc ! de l’heure fugitive,
Hâtons-nous, jouissons !
L’homme n’a point de port, le temps n’a point de rive ;
Il coule, et nous passons ! “
Temps jaloux, se peut-il que ces moments d’ivresse,
Où l’amour à longs flots nous verse le bonheur,
S’envolent loin de nous de la même vitesse
Que les jours de malheur ?
Eh quoi ! n’en pourrons-nous fixer au moins la trace ?
Quoi ! passés pour jamais ! quoi ! tout entiers perdus !
Ce temps qui les donna, ce temps qui les efface,
Ne nous les rendra plus!
Éternité, néant, passé, sombres abîmes,
Que faites-vous des jours que vous engloutissez ?
Parlez : nous rendrez-vous ces extases sublimes
Que vous nous ravissez?
Ô lac ! rochers muets ! grottes ! forêt obscure !
Vous, que le temps épargne ou qu’il peut rajeunir,
Gardez de cette nuit, gardez, belle nature,
Au moins le souvenir!
Qu’il soit dans ton repos, qu’il soit dans tes orages,
Beau lac, et dans l’aspect de tes riants coteaux,
Et dans ces noirs sapins, et dans ces rocs sauvages
Qui pendent sur tes eaux.
Qu’il soit dans le zéphyr qui frémit et qui passe,
Dans les bruits de tes bords par tes bords répétés,
Dans l’astre au front d’argent qui blanchit ta surface
De ses molles clartés.
Que le vent qui gémit, le roseau qui soupire,
Que les parfums légers de ton air embaumé,
Que tout ce qu’on entend, l’on voit ou l’on respire,
Tout dise : Ils ont aimé !
O LAGO DU BOURGET CANTADO POLO POETA.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/28/Lac_du_Bourget_%26_cha%C3%AEne_de_Belledonne.JPG/800px-Lac_du_Bourget_%26_cha%C3%AEne_de_Belledonne.JPG
por martinho | Jun 1, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
Abondando em Rossini, apresento, mais outra vez, uma peça enormemente popular do rico património operístico (e não só!) de quem foi chamado por Giuseppe Verdi “O Cisne de Pésaro”.
Vamos falar algo em torno ao grande Rossini.
Gioachino Antonio Rossini nasceu numa família de músicos em Pésaro, cidade que se acha na costa do mar Adrático, na Itália. Seu pai, Giussepe, chamado o vivaz, era trompista (de corno inglês. Ainda não fazendo parte da família dos oboés, como podem ser o oboé píccolo, o oboé baixo e o oboé contrabaixo, o corno inglês é um instumento que pode ser catalogado como um oboé tenor, onde o oboé propriamente dito faria parte da corda das sopranos, o oboé d´amore, a de contralto e o oboé baixo, a corda dos baixos) e inspetor de matadouros e sua mãe, Anna Guidarini, filha dum padeiro.
Cedo começou a sua educação musical, começando polo seu próprio pai, apreendendo a tocar a espineta com o vinhateiro Giuseppe Prinetti, depois com o padre Giuseppe Malerbi, de Novara, onde puido consultar a biblioteca deste cura que possuia grandes composições dos tempos que se passaram e com só seis anos já tocava o triángulo na banda à que pertencia o pai.
Por causa de ser seu pai um fervoroso seguidor da Revolução Francesa e dar as boas-vindas às tropas de Napoleão quando invadiram o norte da Itália e, após restaurarem os austríacos o antigo régime em 1796, seu pai foi preso. A mãe decidiu enviar ao prometedor rapaz para a Bolonha, onde ela passou a ganhar a vida como cantora nos diversos teatros da região da Romanha. Seu pai, afinal, puido se reunir com o resto da famíla e voltar tocar a trompa nos diversos teatros onde a mãe, Anna, cantava. Mudado, então, para Bolonha tivo como professores, primeiro ao sacerdote Angelo Tesei e, entrou no prestigioso Liceu Musical, sob a tutela do cura Stanislao Mattei, ganhando um prémio por uma cantata que tinha composto aos dezasseis anos.
Como cravista (cravo é denominado qualquer dos membros de instumentos musicais de tecla, incluíndo aí aos grandes instrumentos como os propriamente ditos cravos, mas também os menores como o virginal, o virginal muselar e a espineta. Todos eles têm a característica de serem de cordas pinçadas, isto é, geram o som beliscando a corda, em troca de percuti-la como o piano ou o clavicórdio) acompanhante nos teatros, Rossini foi chamado para compor uma ópera breve em 1810 (La cambiale di matrimonio) e, como consequência do seu grande êxito, foi chamado para se mudar a Veneça e Milão. Foi tal o sucesso das suas obras que a sétima ópera ( La pietra del paragone – 1812) permaneceu no palco de La Scala por nada mais e nada menos que cinquenta e três funções iniciais. Foi deste jeito que Rossini se converteu no primeiro compositor do seu tempo, ainda contando apenas com vintecinco anos de idade. Nesta época da sua fértil existência é que o Cisne de Pésaro elevou o género bufo à perfeição musical.
Em 1815 o empresário Domenico Barbaija contrata-o para estrear em Nápoles com a subenção do Governo com a finalidade de apresentar no Teatro San Carlo e no Teatro Del Fondo, escrevendo para as vozes mais importantes da altura como Manuel Garcia e Isabella Colbran – que haveria se tornar andando o tempo na esposa de Rossini – Giovianni Rubini e outros. Nesta época é que dá renda solta à sua prodigiosa imaginação musical e creatividade começando a percorrer toda a Itália abrangendo todos os géneros, tanto a ópera séria como a semi-séria e a bufa, cuja influência foi duradoura não só nos seus contemporâneos, mas também nos posteriores e as suas melodias converteram-se em fitos imarcesíveis e permanentes.
Em 1816 dá para a estreia no Teatro Argentina de Roma, com o argumento de Cesare Sterbini, uma das grandes obras do repertório operístico de todos os tempos: Il barbiere de Siviglia (O barbeiro de Sevilha). Baseada na trilogia do escritor francês Pierre-Augustin de Beaumarchais (lembremos que a segunda parte, Le nozze di Figaro, As bodas de Fígaro, foi musicada polo genial Wolfgang Amadeus Mozart). Nas primeiras representações foi um absoluto fracasso, mas depois o mesmo Giuseppe Verdi haveria de colocá-la como uns dos cimos das obras musicais encenadas. Antes do nosso compositor o respectado autor de Tarento, Giovanni Paissiello, puxera em música esta obra, mas Rossini apagou do cartel esta obra, como também a doutros grandes compositores do momento como Nicola Antonio Zingarelli, Carlo Coccia, Ferdinando Paër, Saverio Marcadante, Simon Mayr e o próprio Paissiello.
Em 3 de vereriro de1823 apresentou a sua última ópera na Italia, Semiramide (Semíranis) baseada na obra Tragédie de Sémiramis de Voltaire (Esta ópera, a derradira encenada na Itália, foi exibida com o papel da primeira esposa de Rossini, Isabella Colbran (além de soprano, também compositora, nascida em Madrid em 28 de fevereriro de 1784 e falecida em Castenaso – comuna italiana pertencente à cidade de Bolonha, na Romanha – o 7 de outubro de 1845.
Depois desta apresentação o fecundo músico desloca-se para Paris onde as suas obras têm uma acolhida triunfal.
Foi assim que em 30 de julho de 1824 tornou-se directeur de la musique et de la scène no Théâtre-Italien sob a obriga de compor, polo menos, para a Opéra. A primeira ópera composta na cidade francesa foi Il viaggio a Reims (A viagem a Reims), em honra do rei Carlos X, e estreada em 19 de junho de 1825 no mesmo Théâtre Italien, da que só se puderam representar três vezes em cena.
Pouco depois, Rossini deu ao lume a sua última grande obra, Guglielmo Tell (Guilherme Tell), autêntica obra mestra que se coloca a cavalo do classicismo e o romanticismo, em 3 de agosto de 1829. Foi a sua definitiva consagração, mas também, a derradeira grande obra do genial italiano. Ainda lhe restavam quarenta anos mais de vida.
Apenas adicado a sua grande paixão, a gastronomia (os turnedós Rossini é um dos pratos tradicionais da cozinha francesa e atribuído ao grande compositor), compôs algumas breves peças musicais – já sem o alento das suas grandes obras operísticas -.
Separado legalmente em 1837 da sua primeira mulher, Isabella Colbran, foi-se viver com Olympe Pélissier (nascida Olympe Louise Alexandrine Descuillers, Paris, 9 de maio de 1799 e morta aos 78 anos em Paris em 22 de março de 1878. Olympe manteve um romance com o romancista francês Honoré de Balzac), mas só casou com ela após a morte de Isabella em 1845.
Rossini não só foi aclamado polas multidões que gozavam com as suas imensas óperas, embora recebeu importantíssimas condecorações tanto na França como na Itália e um reconhecimento quase unânime dos seus colegas músicos. Assim foi que em seguida da entrevista entre Rossini e Richard Wagner em 1860, o compositor do Anel do Nibelungo declarou que de todos quantos compositores conhecera em Paris, o único verdadeiramente grande era Rossini.
Rossini faleceu em Passy, perto de Paris em 13 de novembro de1868. Como já temos dito no post anterior por volta do Moisés em Egipto, milhares de pessoas entoaram a impressionante Prece desta ópera na honra do genial músico, dando-lhe o derradeiro adeu. Foi enterrado com todas as honras no Campo-Santo de Père-Lachaise e os seus restos transferidos em 1887 para Florença em 1887 onde descansa, já imortal, na basílica de La Santa Croce ao lado de glórias de Itália e do mundo como Galileu Galilei, Dante e Miguel-Ângelo.
Deixou um considerável legado monetário destinado para fundos para um asilo de músicos aposentados (ainda hoje existe o tal asilo) e outras obras de beneficência.
Sobrevivera a muitos outros compositores que eram chamados a serem os seus sucessores no trono da ópera italiana como Vicenzo Bellini, Gaetano Donizetti e Giacomo Meyerber e coincidiu com a aparição deslumbrante de Giuseppe Verdi e Richard Wagner.
Por causa do seu falecimento, Giuseppe Verdi convidou aos melhores compositores da Itália para comporem uma Missa de Réquiem na honra e memória do Cisne de Pésaro. Por motivações de razões políticas adversas a obra não chegou a bom porto e Verdi só compôs o Libera me que incluiu depois no Réquiem dedicado a Alessandro Manzoni.
Muitos compositores posteriores, dentre eles Nicoló Paganini, Fredreric Chopin, Ottorino Respighi ou Louis Niedermayer têm criado variações, orquestrações e adaptações de muitas das obras de Rossini.
Hoje descansa para sempre na nossa memória quem foi autor de obras como: L´italiana in Algeri (Teatro San Benedetto, Veneza, 22 de maio de 1813); Il barbieri di Siviglia, Almaviva, ossia l’inutile precauzione (Teatro Argentina, Roma, 20 de fevereiro de 1816); La Cenerentola, ossia La bontà in trionfo (Teatro Valle, Roma, 25 de janeiro de 1817); La gazza ladra (Teatro alla Scala, Milão, 31 de maio de 1817) ou Moïsé et Pharaon, ou Le passage de la Mer Rouge – rifacimento di Mosè in Egitto (Teatro dell’Accademia Reale di Musica, Paris, 26 de março de 1827)
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SOBRE AS DIFICULDADES DESTA CÉLEBRE ÁRIA
Por causa do uso de tercinas numa métrica musical de 6/8 em tempo allegro vivace, é uma das peças musicais mais complicadas de interpretar para as vozes de barítono. Todo isto unido à complicada letra nalgumas das linhas ao insistir em superlativos italianos acabados em íssimo faz desta ária um tour de force onde o cantante tem a possibilidade de tirar todas as suas habilidades.
Aqui cantado polo grande barítono russo (falecido recentemente, Dmitri Hvorostovski [em russo:Дмитрий Александрович Хворостовский]; Krasnoyarks, 16 de outubro de 1962 – Londres, 22 de novembro de 2017.
Descanse em paz o grande cantor:
https://youtu.be/TKDXr_fimQ8
LARGO AL FACTOTUM
- Abram caminho para o faz-tudo da cidade.
- Apressa-se a sua loja que desde a madrugada está já.
- Ah, que boa vida, que bom prazer
- por um barbeiro de qualidade! De qualidade!
- Ah, bravo Fígaro!
- Bravo, bravíssimo!
- Venturoso de verdade!
- Pronto para fazer tudo,
- de noite e de dia
- sempre movendo-se está.
- Melhor bonança para uma barbeiro,
- vida mais nobre, não, não dá.
- Navalhas e pentes,
- lanceta e tesouras,
- ao meu comando
- tudo aqui está.
- Esta são as ferramentas,
- do meu trabalho
- com as senhoras… com os cavaleiros…
- Ah, que boa vida, que bom prazer
para um barbero de qualidad! De qualidade!
- Todos me procuram, todos me querem,
- Senhoras, senhoritas, velhos, meninhas:
- Toma a peruca… logo com a barba…
- Toma a sangria…
- Logo com o bilhete…
- Toma a peruca, logo com a barba,
- Rápido com o bilhete, ei!
- Fígaro! Fígaro! Fígaro!, etc.
- Ah, quanta gente!
- Ah, que fúria!
- Um por vez, por favor!
- Ei, Fígaro! Estou aqui.
- Fígaro aqui, Fígaro alá
- Fígaro acima, Fígaro abaixo.
- Pronto, tudo pronto, sou como um raio:
- Eu sou o factotum da cidade.
- Ah, bravo Fígaro! Bravo, bravíssimo,
- A ti fortuna nunca faltará!
- Sou o factotum da cidade
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LARGO AL FACTOTUM
Largo al factotum della città.
Presto a bottega che l’alba è già.
Ah, che bel vivere, che bel piacere
per un barbiere di qualità! di qualità!
Ah, bravo Figaro!
Bravo, bravissimo!
Fortunatissimo per verità!
Pronto a far tutto,
la notte e il giorno
sempre d’intorno in giro sta.
Miglior cuccagna per un barbiere,
vita più nobile, no, non si da.
Rasori e pettini
lancette e forbici,
al mio comando
tutto qui sta.
V’è la risorsa,
poi, del mestiere
colla donnetta… col cavaliere..
Ah, che bel vivere, che bel piacere
per un barbiere di qualità! di qualità!
Tutti mi chiedono, tutti mi vogliono,
donne, ragazzi, vecchi, fanciulle:
Qua la parrucca… Presto la barba…
Qua la sanguigna…
Presto il biglietto…
Tutti mi chiedono, tutti mi vogliono,
Qua la parrucca, presto la barba,
Presto il biglietto, ehi!
Figaro! Figaro! Figaro!, ecc.
Ahimè, che furia!
Ahimè, che folla!
Uno alla volta, per carità!
Figaro! Son qua.
Ehi, Figaro! Son qua.
Figaro qua, Figaro là,
Figaro su, Figaro giù.
Pronto prontissimo son come il fulmine:
sono il factotum della città.
Ah, bravo Figaro! Bravo, bravissimo;
a te fortuna non mancherà.
Sono il factotum della città!
por martinho | May 31, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
Poucas vezes na história da arte um grande compositor como Gioachino Rossini, ou Gioacchino, quando o baptismo Giovacchino Antonio Rossini (Pésaro, 29 de fevereiro de 1792 – Passy, Paris, 13 de novembro de 1868) tem alcançado im fervor igual que o rouxinol de Pésaro.
Compostor de óperas como Il barbiere de Siviglia (O barbeiro de Sevilha), La Cenerentola (A Cinderela) ou Guillaume Tell (Guilherme Tell). Esta última escrita em 1829, marca o final da sua esplendorosa carreira como compositor de óperas.
Quando o gigantesco compositor morreu na sua casa de campo de Passy, perto de Paris em 1868, milhares de vozes entoaram a Prece de Moisés na sua honra.
Este é o texto que coloco traduzido desde o italiano, suplicando que, após lerdes a tradução escuiteis o vídeo que coloco desta prece genial que foi inspirada sobre a tragédia L´Osiride de Francesco Ringhieri:
https://youtu.be/MEjnUbRE0Hg
Mas, antes, um pequeno apontamento sobre o autor da letra: Andrea Leone Trottola.
Nada se sabe do dia nem do ano do nascimento do prolífico libretista que foi imensamente solicitado tanto por Gioachino Rossini como por Gaetano Donizetti. Nem sequer onde foi que viu à vida.
Sábe-se que começou escrever libretos para óperas em 1802.
O seu libreto para a ópera Gabriella di Vergy – no princípio criado por Michele Carafa – foi revisado por Donizetti entre as décadas de 1820 e 1830. Ainda escreveu seis libretos mais para Donizetti, incluídos os de La zíngara (1822), Alfredo il grande (1823), Il castello di Kenilworth (1829) e Imelda de Lambertazzi em 1830.
Para Vincenzo Bellini escreveu Adelson e Salvini (1825). Ainda escreveu letras para compositores como Giovanni Pacini (Alessandro nelle Indie, 1824) e para Saverio Mercadante, Johann Simon Mayr, Nicola Vacca, Enrico Petrella, Ferdinando Paer e Manuel Garcia.
O libretista morreu em Nápoles em 15 de setembro de 1831.
A ópera Mosè in Egito foi estreada no Teatro San Carlo de Nápoles em 5 de março de 1818.
E mais nada, deixo-vos, então com esta emocionante música e letra.
A PRECE DE MOISÉS (CENA TERCEIRA DO ATO TERCEIRO)
MOISÉS
(E de Israel o Deus
Invoca apenas Moisés)
Do teu trono estrelado,
Senhor., vira-te para nós.
Misericórdia para os teus filhos.
Do povo tem piedade.
ANAIDE, MARIA, ELISEU e CORO
Misericórdia para os teus filhos,
Do povo tem piedade.
ELISEU
Se estiver pronto para tua vontade
São elementos e esferas,
Teu amigo escapa ao apontar
Dúvida, errante pé.
ANAÍDE, MARIA, ELISEU e CORO
Deus é misericordioso
Nós vivemos apenas em você.
ANAÍDE
Neste coração doente
Deh! Desça, oh Deus clemente:
E fármaco suave
Seja de paz polo menos.
TODOS
Do teu trono estrelado,
Senhor., vira-te para nós.
Misericórdia para os teus filhos.
Do povo tem piedade.
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Preghiera “Dal tuo stellato soglio”
MOSÈ
(E d´Israello il Dio
Invoca sol Mosè)
Dal tuo stellato soglio,
Signor, ti volgi a noi.
Pietà de´figli tuoi.
Del popolo tuo pietà.
ANAIDE, MARIA, ELISEO e CORO
Pietà de´figli tuoi,
Del popolo tuo pietà.
ELISEO
Se pronti al tuo volere
Sono elementi e sfere,
Tuo amico scampo addita
Al dubbio, errante piè.
ANAÍDE, MARIA, ELISEO e CORO
Pietoso Dio, ne aita:
Noi non viviam che in te.
ANAÍDE
In questo cor dolente
Deh! Scendi, oh Dio clemente:
E farmaco soave
Gli sia di pace almen.
ANAÍDE, MARIA, ELISEO e CORO
Il nostro cor che pena
Deh! Tu conforta almen.
TUTTI
Dal tuo stellato soglio,
Signor, ti volgi a noi
Pietà de´figli tuoi
Del popolo tuo pietà.
por Pilar Maseda | May 30, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
SURREALISMO
Sobrevaloramos a morte
Cando o único que nos fai esmorecer
é o medo!
O medo que nos derrota ante as loitas
Perante as escaramuzas, nas batallas
Por iso é que hai seres
Que van morrendo en anaquiños, no silencio
E vidas que resisten e camiñan
En ousadas valentías fronte aos prexuízos
Sobrevaloramos a morte construída no egoísmo
Hai quen di que por iso os poetas
Agonían o seu eu lírico moribundo
E os analfabetos heterodoxos
Practicamos as rimas inadaptados ás normas
Sobrevaloramos a morte coma se fose a metáfora
Madita sexa, só é unha escusa!!
En tanto o tempo nos delata
E o progreso nos institucionaliza e nos retrata
Neste xogo de espellos
Que é vivir!!
E deixar vivir !!
Sobrevaloramos a morte coma se fose a fin
Cando somos milleiros de ratos xirando na roda
Na gaiola
De quen son as mans que nos sentenzan a galeras ?
por martinho | May 30, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
A VITÓRIA COLONNA
Não tem um grande artista um só preceto
que a um tão só mármore se circunscreva
o seu repor, porque é que a isso leva
a mão que tem respeito ao intelecto.
O mal do que fujo e o bem que prometo,
ó linda mulher, altaneira e diva,
está em ti e esta arte, porque não viva,
tem na contrária o desejado afeto.
Não é nos amores, nem na beldade,
nem fado, nem rigor, desdém ingente,
causas do mal, nem sina, nem a sorte,
se no teu seio a morte e a piedade
levas à vez, a arte é impotente,
e acho a tanto ardor só a minha morte.
Miguel Ângelo di Lodovico Buonarroti Simoni (Caprese, 6 de março de 1475 – Roma, 18 de fevereiro de 1594), mais conhecido simplesmente como Miguel Ângelo.
À Vittoria Colonna
Non ha l’ottimo artista alcun concetto,
Ch’ un marmo solo in se non circoscriva
Col suo soverchio, e solo a quello arriva
La man che obbedisce ail’ intelletto.
Il mal ch’ io fuggo, e ‘l ben ch’ io mi prometto,
In te, donna leggiadra, altera, e diva,
Tal si nasconde, e, perch’ io più non viva,
Contraria ho l’arte al desiato effetto.
Amor dunque non ha, nè tua beltate,
O fortuna, o durezza, o gran disdegno,
Del mio mal colpa, o mio destino, o sorte,
Se dentro del tuo cor morte e pietate
Porti in un tempo, e che ‘l mio basso ingegno
Non sappia ardendo trame altro che morte.
*Imaxe: https://sobreitalia.com/files/Miguel-Angel.jpg
por martinho | May 29, 2018 | Autores/as, Creación, Novas, Xeral
É moita a xente que relaciona a parroquia dos Vilares co seu veciño máis importante, o poeta Xosé María Díaz Castro ou pola
tradición do oficio dos trapeiros e trapeiras, pero son menos as persoas que relacionan á segunda parróquia de Guitiriz con outro dos seus oficios máis representativos, o de canteiro. Aínda que o concello ten creado hai pouco tempo o roteiro da pedra e Díaz Castro que relaciona estes importantes simbolos, o certo é que pouco se ten escrito deste feito a pesares de ser as penas unha parte fundamental da paisaxe vilarega, como corazóns que saen do corpo da terra. A mítica Pena de Roldán é a máis coñecida entre centos e que forma parte das lendas da Galicia Encantada de Antonio Reigosa.
Raúl Río xuntou a pedra e a poesía de Díaz Castro esculpindo o busto do poeta nas Reixas e gravando a cincel as figuras de Castelao e do demo na Pena da Grallas.
Genaro Pérez e Yasmina Seijas contan no seu libro sobre as pegadas da cultura e a natureza en Guitiriz que entre os anos 40 e 60 do pasado século, Os Vilares contaba con 50 dos 92 canteiros de todo o concello e 10 de 26 carreteiros mentras que Parga apenas contaba con sete a pesares de ter unha sona debida a que ate mediados dos 40 era capital do concello e posiblemente tamén ás canteiras de granito alí existentes. Estas cifras dan unha idea real da importancia deste oficio non só na parróquia senón no conxunto da comarca, pois o seu traballo trascendía fóra dos limites dos Vilares. Na memória quedan
aínda grandes canteiros vilaregos como FranciscoPrieto Miragaya, da casa de Soprón, Manuel de Reburdiños, Xosé Pena, Eustaquio de Castro (autor das caliveras do vello camposanto), Alvaro de Drada, Pepe de Novás, Emilio da Tolda, e máis recentemente Luis de Farruquete ou o coñecido Xavier Quijada, orixinario doutra terra chairega de canteiros, Donalbai de Begonte. A pedra de Guitiriz está presente no mosteiro de Sobrado, no panteón dos Andrade, no Centro Galego da Habana ou no edificio do Banco de España da Coruña. Tamén o xenial Gaudí contou con granito (e canteiros) do lugar para moitos elementos da monumental Sagrada Familia en Barcelona.
Foron tamén canteiros dos Vilares con pedra da Pena do monte do Viso, entre eles gregório, avó de Raúl de Río (trapeiro de Honra 2018) os que construiron a súa obra social e educativa máis importante para os veciños, a escola Habaneira da Conchada coa iniciativa e aportación económica dos emigrantes en Cuba e que con 95 anos de existencia conserva aínda en bó estado a súa estructura. Mudaron os tempos e os oficios, as novas tecnoloxís sustituiron ás vellas ferramentas e os novos materiais de construcción incorporaronse á vida diaria, máis a arte e o oficio pervive aínda en algúns deses homes rexos como o granito da pena das Aparracelas, un espíritu daqueles canteiros-artistas que está a ser protexido pola Asociación Cultural Xermolos nos talleres e inicitivas que desenvolve para que o noso pasado siga a ser a columna de pedra que sostente o noso futuro. Esculturas, cruceiros, palleiras, pozos, casas, muíños, pontes, lavadoiros, capelas, igrexas, etc, son hoxe testemuñas silenciosas do bó facer destes artistas da pedra na súa parróquia, porque Os Vilares ten corazón de cantería…
*Imaxes:
-Pena das Aparracelas nos Ramos
-Detalle de cruceiro do Calvário das Reixas
Antón Tenreiro Ferreiro
ANTÓN DE GUIZÁN
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