por martinho | Jul 18, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XXVIII)
Murid al-Barghuti
مريد البرغوثي
Mourid Barghouti nasceu em 1944 numa aldeia próxima de Ramallah, Deir Ghassana, onde viveu até os sete anos. Depois, os pais se mudaram para Ramallah em busca de melhor educação para os filhos. Em 1963, ele foi para o Egito onde estudou literatura inglesa na Universidade do Cairo. Em 1967, com a ocupação israelense da Faixa de Gaza e Cisjordânia, ficou impedido de voltar.
Morou um tempo no Kuwait com um tio seu. Voltou para o Egito, de onde foi deportado por questões políticas em 1977. Viveu 17 anos longe da mulher e do filho, 12 deles em Budapeste. Em 1997, voltou a Ramallah graças a um acordo entre a Organização pola* Libertação da Palestina (OLP), grupo do qual fez parte, e o governo israelense.
Embora tenha se envolvido com questões políticas, o autor gosta dizer que não faz literatura politizada. “Eu não escrevo sobre sangue, rifles, nação e nem sequer sobre a palavra Palestina. Ainda assim, faço uma poesia que não poderia ter sido escrita por alguém da Dinamarca. A dor que temos dentro da gente aparece até mesmo quando se escreve sobre uma floresta ou sobre uma flor”, define Barghouti.
A confirmação de suas palavras está neste trecho do livro: “Finalmente! Aqui estou eu atravessando com minha maleta a ponte, que nada mais é que alguns metros de madeira e 30 anos de exílio. Como pode esse pedaço escuro de madeira distanciar uma comunidade inteira de seus sonhos?”.
Em 1998 recebeu o prémio Naguib Mahfud da Universidade Americana de O Cairo por seu livro “Ra’aytû Ramallah” (Eu vi Ramalah).
Fundamentos
Coca-cola, Chase Manhattan, General Motors,
Christian Dior, MacDonald, Shell,
Dynasty, Hilton Iternational, Sangam,
Kentucky Fried Chichken, gás lacrimogêneo,
matracas, polícia secreta.
Ibn Khaldun dissera:
Entre os árabes
estes são os fundamentos do Estado.
http://www.aljazeera.net/File/GetImageCustom/d2b41f34-ead6-41fe-a73a-24b64b615f2d/747/441
por martinho | Jul 18, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
Fundación de Betanzos. Traslado ó Castro de Unta. Betanzos 13 de Febreiro de 1219.
“No nome do noso señor Xesucristo. Sexa coñecido de todos, tanto presentes coma futuros, que Eu Alfonso pola Graza de Deus Rei León e Galiza, mudo a Vila de Betanzos para o Castro de Unta a instancia e petición da mesma Vila. E porque o mesmo Castro era herdade do Mosteiro de Sobrado, dou e cedo en compensación da mesma herdade e para sempre a Vos Abade Señor Henrique e Comunidade do mesmo Mosteiro de Sobrado a cuarta parte de tódalas rendas e proveitos da mesma vila e que á mesma pertenzan tanto por mar coma por terra, para que libre e pacíficamente sen oposición algunas teñades vos e o mesmo Mosteiro a mesma cuarta parte por dereito de herdanza para que sempre coa metade de tódalas Capelas que na mesma vila sexan construídas, como aquello que tedes e máis libremente é da vosa propiedade.
E sáibase que Vos Abade e Comunidade de dito Mosteiro dádesme a min para a poboación de dita Vila o enriba dito Castro de Unta e tódalas demáis herdades que tedes a redor mesmo do Castro. A Saber: pola fonte que está na ribeira do río Mandeo á carón da ponte de Unta e de aquí enriba polo Val antigo e do outro lado polo camiño que chega ó voso Hórreo, excepto o mesmo límites do mesmo Castro coas preditas herdades, queda a un carón e ó outro os dous ríos.
Se alguén pois, tanto da nosa parte coma da estrana ousa actuar contra este feito noso e tenta infrinxir dalgún xeito esta nosa carta de concesión, incurra na ira de Deus todopoderoso e na indignación rexia e todo por canto usurpare sexa reposto por dobre cuantía ó abade e sucesores de dito Mosteiro e pola súa temeraria pague mil Marabetinos á parte rexia; e finalmente, con Datán e Abirón, a quenes tragou vivos a terra pague penas perpétuas no inferno; non obstante a carta permaneza sempre en vigor.
Dada a carta en Valencia, día 13 de Febreiro, Era M.C.L.L. sétima.
Eu O Señor Alfonso Rei corroboro esta carta que mandei facer e convalídoa co meu selo.
SELO DO ILUSTRE ALFONSO REI DE LEÓN E GALIZA.
Pedro IIII Arcebispo de Compostela
Ruderico Bispo de León
Lorenzo elexido de Ourense
Esteban Bispo de Tui
Ordoño Bispo de Lugo
Pedro III Bispo de Astorga
Martín Bispo de Zamora
Gonzalo Bispo de Salamanca
Lombardo Bispo de Ciudad (Rodrigo)
Conde Don Fernando Vasallo do Rei
Don Juan Fernández abanderado do señor Rei e teniente de Trastámara e Monterroso e Toronio
Don Velasco Gómez teniente de Montenegro
Don Martín Sánchez teniente de Limia e Sarria
Don Lorenzo Suárez maiordomo do Rei teniente de Extremadura
Don Fernando (non se ve) teniente de Sanabria e Benavente
Don Diego Froile teniente de Masilla e Castroterra
Pedro Pérez Arquidiácono Salmantino teniente da Chancelería. O mestre Miguel Notario do Señor Rei escribeu e confirmou.
Tradución do documento, extraído da páxina do Cronista Oficial de Betanzos, ó galego feita pola Vocalía de Cultura do Lar de Unta no 2018.
por martinho | Jul 18, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XXVII)
Makhmud Darwish
محمود درويش
MUHAMMAD
Acocorado nos braços de seu pai, é um pássaro temeroso
do inferno do céu: papai, ampara-me,
que saio voando, e as minhas asas são
pequenas demais para o vento… e está escuro.
Muhammad,
quer voltar a casa, não tem
bicicleta, também não tem uma camisa nova.
Quer se ir para fazer os trabalhos escolares
do quaderno de conjugação e gramática: leva-me
a casa, papá, que quero dispor a lição
e aniversários um por um…
na praia, sob a palmeira…
Que não se afaste tudo, que não se afaste…
Muhammad,
enfrenta-se a um exército, sem pedras nem
metralha, não escreve no muro: “A minha liberdade
não morrerá”, ainda não tem liberdade
para defender, nem um horizonte para a pomba
de Picasso. Nasce eternamente a criança
com o seu nome maldito.
Quantas vezes há renascer, criancinha
sem país, sem tempo para ser criança?
Onde sonhará se fica dormido…
se a terra é chaga e templo?
Muhammad,
olha a sua morte chegando inelutável, mas
lembra uma pantera que viu na televisão,
una grande pantera com uma pequena gazela encurralada; mas ao
cheirar de perto o leite
não se abalança,
como se o leite domara a fera da mata.
“Então -dize o raparigo- salvar-me-ei”.
E bota-se a chorar: “a minha vida é um esconderijo
no armário da cozinha de minha mãe, salvar-me-ei… abofé”.
Muhammad,
anjo pobre a curta distancia do
fuzil dum caçador de sangue frio. Um
por um a câmara espreita os movimentos do rapazinho,
que se funde com a sua imagem:
a sua cara, como a manhã, está clara,
claro o seu coração como una maçã,
claros os seus dez dedos como círios,
claro o orvalho nos seus calcões.
O seu caçador tinha que tê-lo pensado
duas vezes: deixar-no-ei até que saiba deletrear
essa Palestina sua sem se equivocar…
guardo-o em prenda
e já o matarei manhã, quando se revolte!
Muhammad,
um jesus pequeninho* dorme e sonha no
coração dum ícone
fabricado de cobre,
de madeira de oliveira,
e do espírito dum povo renovado.
Muhammad,
há mais sangue da que precisam os noticiários
e eles gostam dela: ascende já
para o sétimo céu,
Muhammad.
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por martinho | Jul 17, 2018 | Autores/as, Novas, Xeral
Axenda da semana:
_ Venres 20, dentro do “II ciclo de Música na Praza”, temos ás 20:30h Cuarteto de corda Castelao, na Praza Coronel Pena. (En caso de choiva no centro Cultural Recreativo).
__Sábado 21 ás 18:00h, continuamos co “Verán Activo”, este sábado temos a Javi Javichi con “Plato, platito, platete”, espectáculo de malabares, circo e clown.

_Sábado 21 ás 23:00h, continuamos coa mostra de verán Teatronoite coa obra “Maniféstate!!” da compañía Andaravía Teatro (A. C
. Papaventos), na Praza da Constitución. (En caso de choiva no Auditorio Carmen Estévez).
_ Domingo 22, “Festival Internacional de Folclore” coa participación de grupos de música e baile tradicional de catro países e coa participación de grupos de música tradicional do municipio.
Ás 19:30h participarán nun desfile con saída da Praza da Constitución que pasará polas rúas Basanta Silva e rúa da Pravia cunha comitiva de arredor de 300 persoas.
Ás oito comezará o festival na Praza da Constitución, e en caso de que o tempo non acompañe, as actuacións trasládanse ao auditorio municipal Carmen Estévez.
SALA DE EXPOSICIÓNS AUDITORIO
__14 de xullo ao 20 de agosto, IESC
HA. Debuxos “Só lapis” de Jesús Trastoy.
por martinho | Jul 17, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XXVI)
Makhmud Darwish
محمود درويش
Penúltimo discurso do índio perante o homem branco
há-vos faltar uma rocha que se resiste ao fluxo do veloz rio do tempo,
há-vos faltar uma hora para a contemplaçấo de qualquer cousa, para que amadureça em [vós
um céu indispensável para a terra, uma hora para duvidar entre dous
caminhos. Um dia há-vos faltar Eurípides e os poemas de Canaã e os babilônios.
Hão-vos faltar
as cantigas de Salomấo a Shulamite, a açucena da saudade.
Há-vos faltar, brancos, uma lembrança que adestre os cavalos da loucura
e um coraçấo que esfregue as rochas para que o brunissem na chamada dos violinos.
Falhar-vos-á uma trégua com os espectros nossos nas infecundas noites do inverno,
um sol menos aceso, uma lua menos cheia para que o crime apareça
menos majestoso na pantalha. Tomai o vosso tempo
para matar a Deus.
IV.
Nós sabemos o que encobre esta eloqüente ambigüidade
um céu que do nosso se pendura e fadiga a alma, um sabugueiro
que sobre os passos do vento anda, uma fera que erige um reino nos
buracos da atmosfera ferida e um mar que a madeira das nossas portas salga.
A terra nấo era mais pesada antes da criaçấo, mas
nós o soubemos antes de tempo. Os ventos hão nos contar
a origem nossa e o fim, mas hoje tiramos o sangue ao nosso presente
e soterramos os nossos dias na cinza dos mitos. Atenas nấo é para nós.
Conhecemos os nossos dias polo* fumo do lugar e Atenas nấo é para nós.
Estamos informados do que o senhor metal nos reserva
e reserva aos deuses que nấo protegem o sal do nosso pấo.
Sabemos que a verdade é mais forte do que a injustiça, que os tempos
mudaram desde que mudaram as armas. Quem alçará as nossas vozes
para uma chúvia seca nas nuvens? Quem limpará os nossos costumes
do fragor dos metais? «Anunciamos a boa nova da civilizaçấo», dissera o estrangeiro,
«Eu sou o senhor do tempo que veio para herdar a terra vossa.
Passai perante mim para que vos conte, cadáver a cadáver, sobre a superfície do lago»
«Anúncio-vos a boa nova da civilizaçấo» o estrangeiro dissera. «Que vivam os [Evangelhos. Passai
e andado despidos para que a alma do ar nos cobra com mulheres
que nos devolvam os presentes da natureza. A nossa história era a sua e o tempo tinha
um tempo para nascermos nela e para retornar dela para ela, restituindo à terra as [suas almas
com o sal e o azeite. Penduramos os seus nomes nos pássaros dos regatos.
Éramos os primeiros. Nấo havia lousado* entre o céu e o azul das nossas portas.
Nenhum cavalo pastava a erva das nossas gazelas nas pradarias. Estrangeiro nenhum
as noites das nossas mulheres trespassava. Deixai a flauta ao vento, que chore
polo povo deste lugar ferido que amanhã há chorar por nós.
Amanhã por nós chorará.
V.
Ao nos despedir das nossas lareiras nấo devolvemos a saudaçấo. Nấo nos ordeneis
os mandamentos do novo deus, deus do ferro, e nấo pedais
um pacto de paz aos mortos. Nấo resta nem um de vós
para anunciar-vos a paz de si para si e com os outros. Lá
mais teríamos vivido se nấo houvesse sido polas* espingardas inglesas, o vinho francês e [as febres.
Como há que viver vivíamos, na companhia do povo da gazela.
Cuidadosamente guardamos a nossa história oral e entregávamos as boas novas com inocência e margaridas.
é o rio, e se reparamos no rio, em nós o tempo chora.
Nấo lembrais um pouco de poesia para deter o morticínio?
Nấo nascestes de mulheres? Nấo mamastes, como nós,
O leite da saudade? Nấo pusestes, como nós, asas
para vos unir à andorinha? Nós anunciamos a primavera. Nấo tireis da bainha as armas.
Ainda poderíamos cambiar algumas dádivas e algumas cantigas.
Aí estava o meu povo. Aí jaz meu povo. Aí estão os castanheiros
que escondem as almas do meu povo. Meu povo há retornar em ar, luz e água.
Conquistai a terra da minha mấe pola* espada, mas nấo assinarei
o pacto entre a vítima e o seu assassino. Nấo assinarei
a venda dum palmo de espinheiro em redor dos campos de milho.
Sei que me despeço do último sol, que me envolvo no meu nome
e caio no rio. Sei que retorno ao coraçấo da minha mấe
para seres tu admitido no teu século, senhor dos brancos. Ergue sobre o meu cadáver
as estátuas duma liberdade que nấo devolve a saudaçấo e cava a cruz de ferro
na minha sombra de pedra. Montarei devagar aos cimos do canto,
ao hino do suicídio das comunidades na ocasiấo em que acompanhem a sua História à [distância.
Ceibarei* nelas aos pássaros das nossas vozes. Venceram aqui os estrangeiros
sobre o sal. O mar misturou-se com as nuvens. Venceram os estrangeiros
em nós à casca do trigo e dilataram as linhas do telégrafo e a corrente eléctrica.
Aqui o falcấo suicidara-se de tristeza. Venceram-nos aqui os estrangeiros
e nada restou em nós no tempo novo.
Evaporam-se aqui os nossos corpos, nuvem por nuvem, no espaço.
Aqui cintilam as nossas almas, estrela a estrela, no espaço do canto.
VI.
Decorrerá um longo tempo antes que o nosso presente em passado se converta, como [nós.
Haveremos marchar primeiramente para a nossa morte. Defenderemos as árvores que nos [cobrem
e o sino da morte. Uma lua que desejamos no alto das nossas cabanas defenderemos
e o aturdimento das nossas gazelas. A argila da nossa cerâmica defenderemos
e o nosso plumấo na asa das derradeiras cantigas. De aqui a um bocado
edificareis o vosso mundo acima do nosso. Projectareis o caminho dos nossos túmulos
em direcçấo à lua artificial. Este é o tempo das indústrias,
o tempo dos metais. O champanha dos poderosos nasce do carvấo.
Há mortes e colônias, mortos e calcadores, mortos
e hospitais, mortos e radares que vigiam os mortos
que mais uma vez morrem na vida e mortos
que após a morte sobrevivem, mortos que ao monstro das civilizações ensinam a morte
e mortos que morrem para transportar a terra sobre os restos.
Ó, senhor dos brancos, para onde levas o meu povo e o teu?
Rumo a que abismo leva à terra este robote armado até os dentes de aviões
e porta-aviões? Em direcçấo que muito extenso abismo vos elevais?
Tudo o que desejeis vosso é: a nova Roma, a Esparta da tecnologia
e
a ideologia da loucura.
E nós, fugiremos dum tempo para o que nấo preparamos ainda a nossa ideia.
caminharemos para a pátria do pássaro, como uma bandada humana de precursores.
Olharemos a nossa terra desde os calhaus da nossa terra, desde os furados das nuvens,
Olharemos a nossa terra desde as palavras das estrelas. Olharemos a nossa terra
desde o ar dos lagos, desde a penugem do tenro milho, desde
a flor das campas, desde as folhas do álamo, desde todo
quanto vos assedia, brancos, mortos que falecem, mortos
vivos, mortos que voltam à vida, mortos que espalham o segredo.
Outorgai um prazo à terra para que diga a verdade, toda a verdade
sobre vós
e sobre nós,
sobre nós
e sobre vós.
VII.
Há mortos que adormecem nos quartos que edificareis,
há mortos que visitam o seu passado nos lugares que demolis,
há mortos que passam sobre as pontes que tendes de construir,
há mortos que aclaram a noite das borboletas, mortos
que chegam à alvorada para tomar o chá convosco, tão tranquilos
como os deixaram os vossos fuziles. Consenti, convidados do lugar,
alguns escanos livres aos convidados para que vos leiam
as cláusulas da paz com os mortos.
http://www.n-dawa.com/imagebig/717ddeea4c27eb0764ad954fe087e9e8.jpg
por martinho | Jul 16, 2018 | Autores/as, Creación, Literaria, Xeral
ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XXV)
Makhmud Darwish
محمود درويش
Testemunho de Bertolt Brecht perante o tribunal militar
Senhor juiz:
eu nấo sou um soldado,
que é o que de mim quer?
Nada tenho a ver com o que assevera o tribunal.
sem ouvidos me prestar.
A guerra, caminho da taberna passou para colher alento…
Os seus pilotos sấos e salvos tornaram
e o céu quebrou-se na minha língua. Senhor
juiz – e isto bem que me toca-
os guardas seus escapam com o meu céu…
ao meu coraçấo assomam e atiram cascas de banana
ao poço. À carreira passam diante dos meus narizes
e dizem-me: boa tarde – bem que nấo sempre-
e metem-se no curral da minha casa… como se nada.
Adormecem no cimo da nuvem de meu sonho… como se tal cousa.
As minhas palavras dizem
no meu nome
na minha janela, ao verấo que ressumbra de jasmim,
e volvem tirar meu sonho
no meu nome.
Choram polos* meus olhos os meus velhos salmos da saudade
e, como eu cantei, à oliveira e à figueira cantam,
às partes e ao todo com uma lógica secreta.
A minha vida vivem com todo o prazer,
no meu nome,
e vadiam levando em riste o meu apelido…
E eu, senhoria, aqui estou,
perante o tribunal do passado, prisioneiro
duma guerra passada. Os seus oficiais voltaram sấos e salvos
e as videiras procriaram na minha língua. Senhor
a cela me afogasse, deu-me ar a terra toda.
Mas os seus guardas raivosos bisbilhotam as minhas palavras,
e bradam a Akhab e a Jezabel: em pé, herdade
a muito estimada vinha de Nabot!
Dizem: Deus nos pertence
e a terra de Deus
a ninguém mais pertence!
a um passageiro qualquer?
Num país onde a batalha reclama
das suas vítimas uma elegia aos galões!
Chegou o tempo de gritar
e libertar a minha voz da máscara da palavra:
isto é uma cela, senhoria, nấo um tribunal
e eu julgo e testemunho. Você é o acusado agora,
renuncie à sua cadeira e parta: é livre você, livre,
cativo Senhor juiz.
Os seus pilotos sấos e salvos tornaram
e o céu quebrou-se na minha língua primeira
-e isto bem que me toca – para que voltem
os nossos mortos– sấos e salvos.