LEMBRANÇA DE MARIA A., de Bertolt Brecht, traducido ao galego-portugués por André Da Ponte

LEMBRANÇA DE MARIA A.

Bertolt Brecht

A tradução deste poema vai dedicado à poetisabrasileira Lauelina NL

que me encorajou a vertê-lo para a língua galego-portuguesa.

20 de janeiro de 2019.

Lembrança ou lembrando Maria A. é um poema de Bertolt Brecht escrito num caderno quando ia de trem para Berlim em 21 de fevereiro de 1920. O grande poeta publicou mais tarde este poema no poemário Bertolt Brechts Hauspostille (Piedade de Bertolt Brecht).

O poema vem a tematizar o recordo dum passado amor que Brecht, de forma magistral, capturou na imagem da nuvem branca que passa. A imagem da nuvem que desvanece com a lembrança da amada é um motivo literário que na altura usava o genial poeta, dramaturgo, romancista e teórico regularmente. Maria A. refere-se à rapariga de quem andou namorado em Augsburgo: Marie Rose Amann.

Quero acrescentar que o texto impresso não diverge da versão manuscrita em 1920. A única diferença chamativa vem do título. A “Canção sentimental número 1004” foi trocado polo de “Memória de Maria A”. Daí que a referência biográfica veio à tona apenas na versão impressa.

No poema, ao meu pobre entender, quer se manifestar o facto da memória incidir na perda da própria memória, isto é, sobre a dúvida. A memória é fugaz e casual.

Trata-se, sem qualquer dúvida, dum dos poemas de amor mais belos já escritos no século XX.

O poema foi musicado pola colaboração entre o poeta e o pianista e compositor Franz Servatius Bruinier (Berlim, 13 de maio de 1905 – Berlim, 31 de julho de 1928). Deixo debaixo um vídeo com o poema cantado.

MEMÓRIA DE MARIA A.

1

Naquele dia na lua azul de setembro

Ainda sob uma ameixeira jovem

Segurei o amor quieto e pálido

Entre os meus braços como um sonho doce.

E sobre nós no lindo céu de verão

Uma nuvem que vi por muito tempo

Era muito branca e tremendamente alta

E quando olhei para cima, já mais não estava.

2

Desde esse dia muitas, muitas luas

Flutuaram calmamente e têm passado.

As ameixeiras foram provavelmente arrancadas

E se acaso me perguntas, o que foi daquele amor?

Então eu te digo: não consigo lembrar-me

E, no entanto, certamente, já sei o que queres dizer.

Ainda que o rosto dela, realmente, não lembre

Tudo o que sei agora é que eu beijei-a um dia.

3

E também o beijo teria esquecido há muito tempo

Se aquela nuvem não houvesse estado lá;

Lembro ainda dela e sempre a recordarei,

Era muito branca e vinha de cima,

Pode ser que as ameixeiras ainda floresçam

E que aquela mulher agora tenha o sétimo filho

Mas aquela nuvem só floresceu por alguns minutos

E quando olhei para cima, ela já estava debilitando-se ao vento.

Bertolt Brecht

(21.II.20, à noite 7h no trem para Berlim)

ERINNERUNG AN DIE MARIE A.

1
An jenem Tag im blauen Mond September
Still unter einem jungen Pflaumenbaum
Da hielt ich sie, die stille bleiche Liebe
In meinem Arm wie einen holden Traum.
Und über uns im schönen Sommerhimmel
War eine Wolke, die ich lange sah
Sie war sehr weiß und ungeheuer oben
Und als ich aufsah, war sie nimmer da.

2
Seit jenem Tag sind viele, viele Monde
Geschwommen still hinunter und vorbei.
Die Pflaumenbäume sind wohl abgehauen
Und fragst du mich, was mit der Liebe sei?
So sag ich dir: ich kann mich nicht erinnern
Und doch, gewiß, ich weiß schon, was du meinst.
Doch ihr Gesicht, das weiß ich wirklich nimmer
Ich weiß nur mehr: ich küßte es dereinst.

3
Und auch den Kuß, ich hätt ihn längst vergessen
Wenn nicht die Wolke dagewesen wär
Die weiß ich noch und werd ich immer wissen
Sie war sehr weiß und kam von oben her.
Die Pflaumenbäume blühn vielleicht noch immer
Und jene Frau hat jetzt vielleicht das siebte Kind
Doch jene Wolke blühte nur Minuten
Und als ich aufsah, schwand sie schon im Wind.

Bertolt Brecht


(21.II.20, abends 7h im Zug nach Berlin)

Acto de entrega do II Premio AGUSTÍN FERNÁNDEZ PAZ de Narrativa Infantil e Xuvenil pola Igualdade a Rosa Aneiros

Este sábado, 2 de febreiro, a partir das 20:30 horas celebrarase no Auditorio Municipal de Vilalba o acto de entrega do II PREMIO AGUSTÍN FERNÁNDEZ PAZ DE NARRATIVA INFANTIL E XUVENIL POLA IGUALDADE á escritora Rosa Aneiros pola obra titulada UNHA MANTA RILLADA presentada baixo o lema ou seudónimo de KHOEDI. Este premio está organizado polo Instituto de Estudos Chairegos, o Concello de Vilalba e Edicións Xerais de Galicia.

Adxúntase cartaz, nota e invitación para o acto de entrega do citado galardón literario.

*Información facilitada polo IESCHA.

Exposición de Pintura CROMATOPÍA, de Adolfina Mesa, no Museo Das Aves, Cospeito

O vindeiro sábado, 2 de febreiro a partir das 19:00 horas, quedará inaugurada no Museo das Aves de Cospeito a Exposición de Pintura CROMATOPÍA, da artista Adolfina Mesa. Dita Exposición está organizada polo Concello de Cospeito en colaboración con Culturalia GZ.
Permanecerá á vista do público durante todo o mes de febreiro en horario habitual de dito Museo, ou mediante chamada telefónica previa ao Concello de Cospeito para concertar unha visita fóra dese horario de apertura.

A Exposición CROMATOPÍA desenvólvese coma un relato emocional no que o escenario de cor-espazo provoca que poidan coexistir distintos cronotopos que se artellan e relacionan na trama textual e cromática, creando unha atmósfera especial e un determinado efecto nas emocións dentro dun diálogo entre a obra e o espectador. Destaca a busca da artista orientándose cara a novas dimensións emotivas e concenptuais, afastándoa da realidade sen deixar de concebila.

CROMATOPÍA leva á artista Adolfina Mesa a sentir a necesidade de non ser pintora simplemente, senón integrarse na estrutura diálogo e cromatismo, no que cor, forma, espazo e tempo transcendan dende o inédito cara ao permanente, aínda que sexa a costa de renunciar ás máis clásicas estéticas e diálogos, para acadar a sensibilidade de xeito harmónico. Unha construción onde ‘arte’, represente máis que pintura e se expanda ao lirismo da poesía.

Exposición Colectiva de Pintura MUJERES LIBRES en La Ferretería Eventos & Co. de Lugo

A Exposición Colectiva “MUJERES LIBRES” é un evento organizado e comisariado por Luisa Paz Montenegro, no que participan un total de 13 artistas; un grupo conformado por artistas plásticos e fotógrafos, que amosará as súa interpretación e visión persoal sobre a liberdade da muller usando como eixo protagonista a imaxe das nais, nos estilos que cada artista desenvolve e o identifica. O elenco de artistas participantes confórmano os seguintes nomes: Adolfina Mesa, María Luisa Novais, Ana Rodríguez, José Blázquez, Rosa Guisán, Eduardo Sampayo, Xosé Manuel Otero, Uxía Otero, Carmen Torreiro, Ali Minguillón, Luisa Varela, Concetta Montenegro e a propia Luisa Paz.

Dita exposición será realizada na Galería de arte La Ferretería Eventos & Co., situada na rúa San Froilán 11, 27001 Lugo, o día 30 de xaneiro de 2019 ás 20:00 hrs., onde se producirá o encontro de artistas e público asistente.