ULM 1592, de Bertolt Brecht, traducido ao galego-portugués por André Da Ponte

ULM 1592

            Ulm 1592 é o título dum poema escrito em 1934 por Bertolt Brecht e publicado por vez primeira em 1937. O poema é a justaposição das visões do mundo dum bispo e um alfaiate. Os acontecimentos situa-os o poeta na cidade do sul da Alemanha, Ulm, e faz parte do livro Histórias do Calendário.

            O texto foi criado em conexão com a trágica história de Albrecht Ludwig Berblinger (conhecido como O xastre de Ulm, nascido em 24 de junho de 1770 em Ulm e falecido na mesma cidade em 28 de fevereiro de 1829). Albrecht Ludwig Berblinger mostrou interesse precoce nas cousas mecânicas. Mas foi forçado a fazer o aprendizado de alfaiate, embora ele preferisse se tornar relojoeiro. No seu tempo livre, também era ativo como inventor e estava constantemente na ideia de construir um aparato que conseguisse voar. Berblinger, portanto, queria demonstrar o vôo do seu engenho. O teste de voo foi a partir duma parede treze metros acima do Danúbio e terminou com Berblinger afundando diretamente no Danúbio e sua tentativa falhando miseravelmente. O acontecimento resultou na sua imersão numa funda crise e desde então, para as gentes de Ulm, ficou como um trapalhão.

            O poema mosta a colisão de duas visões de mundo. A Igreja encontra-se frente ao pensamento livre, a ciência, a fé no progresso e na renovação. O bispo é um representante da velha ordem, o que significa, portanto, que é um conservador. Isto pode se ver no facto de afirmar que nenhum ser humano vai voar nunca e não aceita os descobrimentos novos. O Bispo assenta-se convencido, após morrer o alfaiate produto da queda e não funcionar o experimento. O alfaiate, em troca, é a ilustração duma nova visão de mundo, com a ciência no alvo a descobrir cousas novas, o que pode ser visto polo facto de que tentou voar, embora naquele tempo fosse inimaginável. Estava tão convencido da sua invenção, queria mostrar as suas asas em público, mesmo a custo da sua própria vida, que o levará diretamente para o escárnio. «O telhado da grande igreja» manifesta a perspectiva do bispo, o seu tamanho e o poder que a igreja representa. O verso «Na praça da igreja dura», a força da igreja é enfatizada. Também mostra que aqueles que resistem à reforma da igreja serão condenados: O alfaiate morreu no «chão duro da igreja». “Os sinos tocarão” indica a morte do alfaiate que é «estampado» no chão. Claro, o som dos sinos também pode criar uma nova era representando que não só deve aderir-se à velha ordem, mas perceber que é hora de criar cousas novas e aprender.

            Por que o poema tem o nome de Ulm em 1592, embora tenha sido concebido em 1934 por Bertolt Brecht? Poderia ser pensado em relação com a descoberta da América por Colombo que ocorreu em 1492. O descobrimento apontou para uma nova era, mostrando que nunca se deve parar de pesquisar e descobrir algo novo, mesmo que não funcionar em primeiro lugar e ficarmos a gente sem esperança num mundo melhor. Antes de Colombo descobrir a América, todos pensavam que a terra era plana (no pensamento medieval, embora já os matemáticos, pensadores e geómetras hindues, no texto Suria Siddhanta do s.X a.C. insinuava-se que a Terra era redonda e no livro dos antigos egípcios “A morada Oculta”, do século XV a. C. também argumentava-se a mesma razão. Mais tarde, sábios gregos como Platão, Aristóteles e Eratóstenes (séculos IV e III a. C.) defenderam também que os planetas eram esféricos, mas anos depois a Bíblia e os seus intérpretes, encarregaram-se de jogar essas ideias no chão e não seria até Copérnico e Galileu (séculos XVI e XVII) que o ser humano começou a perceber quão verdadeiramente é o nosso planeta e o universo que o rodeia. O mesmo se aplica às aeronaves, o alfaiate também falhou miseravelmente na sua tentativa e ninguém acreditava nele, mas hoje é possível voar ao redor do mundo de avião. Seria, portanto, fiar nas pessoas como o alfaiate, em troca das forças sociais muito poderosas que, hoje em dia ainda pensam em fazer recuar a história (por isso é que são chamados de reaccionários) para uma nova Idade Média.

Este poema foi musicado em 1937 polo compositor Hanns Eisler, (Leipzig, 6 de julho de 1898 – Berlim, 6 de setembro de 1962).

A primeira edição viu a lume em 1939 em Dinamarca, onde o poeta estava exilado, dentro do livro Svendborger Gedichte, (Poemas de Svendborg), coleção poética de Bertolt Brecht, na casa do editor suíço Wieland Herzfelde.

O texto postado em alemão foi apanhado da edição ROWOHLT, Hamburgo, abril de 1975, página 42. É sobre este texto que vai a tradução.

ULM

1592

«Bispo, eu posso voar»,

Disse o alfaiate ao bispo.

«Veja como faço eu isso!»

E ele subiu com essas cousas

Que o galo tem para balançar

Para o grande telhado da igreja.

O bispo continuou.

«Tudo isso é falsidade,

O homem não é um pássaro

Nunca um homem vai voar».

Disse o bispo ao alfaiate.

«O alfaiate é diferente»,

As pessoas disseram ao bispo.

«Foi uma loucura.

As suas asas estão quebradas

E ele está despedaçado

Na praça da igreja, dura.

«Os sinos devem tocar,

Não era mais que loucura,

O homem não é um pássaro

Nunca um humano vai voar»

ULM

1592

«Bischof, ich kann fliegen»,

Sagte der Schneider zum Bischof.

«Paß auf, wie ich’s mach’!»

Und er stieg mit so nen Dingen,

Die aussahn wie Schwingen

Auf das große, große Kirchendach.

Der Bischof ging weiter.

«Das sind lauter so Lügen,

Der Mensch ist kein Vogel,

Es wird nie ein Mensch fliegen»,

Sagte der Bischof vom Schneider.

«Der Schneider ist verschieden»,

Sagten die Leute dem Bischof.

«Es war eine Hatz.

Seine Flügel sind zerspellet,

Und er liegt zerschellet

Auf dem harten, harten Kirchenplatz.:

«Die Glocken sollen läuten,

Es waren nichts als Lügen,

Der Mensch ist kein Vogel,

Es wird nie ein Mensch fliegen»

Recital Poético DÍA DE ROSALÍA DE CASTRO 2019 no Museo das Aves de Cospeito




O vindeiro 24 de febreiro conmemórase o Día de Rosalía de Castro, unha celebración promovida pola AELG (Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega). Coma en edicións anteriores haberá distintas actividades por toda a xeografía galega. E unha desas actividades vai ter lugar no Concello de Cospeito, concretamente no Museo das Aves de dito concello.

O acto, organizado conxuntamente polo mencionado Concello de Cospeito e Culturalia GZ, en colaboración coa AELG, consistirá primeiramente na lectura do Manifesto da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega no Día de Rosalía de Castro 2019, elaborado nesta ocasión pola escritora Ana Romaní. Deseguido virá o momento do recital de poemas rosalianos ou de autoría da/-o participante e que aludan á autora homenaxeada. Ademais dun grupo de poetas convidadas/-os, tamén se contará coa participación de estudantes do colexio de Cospeito e/ou arredores e calquera outra persoa que desexe recitar ou amosar o seu aprecio pola figura de Rosalía de Castro.

Para a divulgación deste evento poético contamos coa cesión dunha imaxe de Rosalía realizada dixitalmente pola artista Adolfina Mesa, quen tamén traballou na elabororación do cartaz anunciador.

Ao remate do acto tamén se ten previsto a entrega de diplomas ás persoas participantes para deixar constancia da súa intervención neste día de celebración rosaliana.

Presentación do libro CAMPOS DE BATALLA, de Sonia Arias López, na Casa da Cultura de Vilalba

O vindeiro venres, 8 de febreiro, a partir das 20 horas terá lugar a presentación do libro Campos de Batalla, de Sonia Arias López no salón de actos da Casa da Cultura de Vilalba. Presentación que está organizada por Culturalia GZ en colaboración co Concello de Vilalba.

Esta obra, editada por Angels Fortune, supón a segunda incursión da autora natural de Paradela no xénero poético, despois da publicación, ou mellor dito a autopublicación de Parque de atracciones.

Neste segundo poemario, Sonia Arias diversifica a súa temática e tenta amosar a madurez creativa da escritora.

Na presentación en Vilalba de Campos de Batalla participarán, ademais da propia autora do libro, a escritora Rocío López Núñez, o profesor e escritor José Carlos Ulloa García e Martiño Maseda, escritor e administrador de Culturalia GZ.