{"id":4477,"date":"2018-11-22T17:17:49","date_gmt":"2018-11-22T16:17:49","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=4477"},"modified":"2018-11-27T01:59:57","modified_gmt":"2018-11-27T00:59:57","slug":"primeira-licao-do-curso-de-poetica-de-paul-valery-traducido-ao-galego-portugues-por-andre-da-ponte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=4477","title":{"rendered":"Primeira Li\u00e7\u00e3o do Curso de Po\u00e9tica, de Paul Val\u00e9ry, traducido ao galego-portugu\u00e9s por Andr\u00e9 Da Ponte"},"content":{"rendered":"<p><strong>PRIMEIRA LI\u00c7\u00c3O DO CURSO DE PO\u00c9TICA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paul Val\u00e9ry<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vers\u00e3o biling\u00fce franc\u00eas \u2013 galego-portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Tradu\u00e7\u00e3o e notas de Jos\u00e9 Andr\u00e9 L\u00f4pez Gon\u00e7\u00e2lez<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Primeira li\u00e7\u00e3o do curso de po\u00e9tica&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paul VAL\u00c9RY<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1937<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Palestra inaugural do curso de po\u00e9tica no Col\u00e9gio da Fran\u00e7a, em Vari\u00e9t\u00e9 V, Nrf (Nouvelle Revue Fran\u00e7aise), Gallimard, 1944, 324 p\u00e1ginas, pp. 295-322.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SENHOR MINISTRO,<\/p>\n<p>SENHOR ADMINISTRADOR,<\/p>\n<p>SENHORAS, SENHORES.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 para mim uma sensa\u00e7\u00e3o estranha e comovente subir a esta cadeira e come\u00e7ar uma nova carreira na idade em que tudo nos aconselha a desistir da ac\u00e7\u00e3o e abandonar qualquer empresa. Agrade\u00e7o-lhes, Senhores Professores, a honra que me mostraram ao acolher-me entre v\u00f3s e a confian\u00e7a que depositaram, em primeiro lugar, na proposta que lhes foi submetida para instituir um ensinamento que tem por t\u00edtulo Po\u00e9tica, e depois para quem v\u00f3s a submeteis. Voc\u00eas talvez podem ter pensado que certas mat\u00e9rias que n\u00e3o s\u00e3o propriamente baseados na ci\u00eancia, e que n\u00e3o podem ser assim, por causa da sua natureza quase inteiramente interna e sua estreita depend\u00eancia das pr\u00f3prias pessoas que est\u00e3o interessadas nelas, poderiam no entanto, se n\u00e3o ser ensinadas, polo menos, ser comunicadas de alguma forma como fruto duma experi\u00eancia individual, longa j\u00e1 de toda uma vida, e que, consequentemente, a idade era um tipo de condi\u00e7\u00e3o que, neste caso bastava, em particular, poder ser justificada. A minha gratid\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 dirigida aos meus colegas da Academia Francesa, que gentilmente se juntaram a voc\u00eas para apresentar a minha candidatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, agrade\u00e7o ao Senhor Ministro da Educa\u00e7\u00e3o Nacional por ter aprovado a transforma\u00e7\u00e3o desta mesa como ter proposto ao Presidente da Rep\u00fablica o decreto de minha nomea\u00e7\u00e3o. Senhores, tamb\u00e9m n\u00e3o posso me envolver na explica\u00e7\u00e3o da minha tarefa, se antes n\u00e3o mostro os meus sentimentos de gratid\u00e3o, respeito e admira\u00e7\u00e3o por meu ilustre amigo Joseph B\u00e9dier<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">1<\/a>. N\u00e3o \u00e9 aqui que \u00e9 necess\u00e1rio recordar a gl\u00f3ria e os m\u00e9ritos do erudito e do escritor, honra das letras francesas, e n\u00e3o tenho que lhes falar da sua doce e persuasiva autoridade de administrador. Mas \u00e9 dif\u00edcil para mim dizer que \u00e9 ele, Senhores Professores, que, de acordo com alguns de voc\u00eas, teve a ideia do que \u00e9 realizado hoje. Ele me seduziu com o encanto da vossa Casa, da que est\u00e1 prestes a sair, e foi ele quem me convenceu de que eu poderia manter este lugar para o qual nada me levava a pensar. Finalmente, nalguma entrevista com ele, o pr\u00f3prio t\u00edtulo desta cadeira foi tirado da nossa troca de perguntas e reflex\u00f5es. Meu primeiro cuidado deve ser explicar o nome &#8220;Po\u00e9tica&#8221; que eu restaurei, num sentido muito primitivo, que n\u00e3o \u00e9 o de uso. Ocorreu-me e pareceu-me o \u00fanico adequado para designar o tipo de estudo que proponho desenvolver neste curso. Este termo \u00e9 geralmente entendido como qualquer declara\u00e7\u00e3o ou cole\u00e7\u00e3o de regras, conven\u00e7\u00f5es ou preceitos relativos \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de poemas l\u00edricos e dram\u00e1ticos ou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de versos. Mas pode-se descobrir que envelheceu o suficiente nesse sentido com a cousa mesma, para lhe dar outro emprego. Todas as artes admitiram, h\u00e1 pouco tempo, serem submetidas, de acordo com sua natureza, a certas formas ou modos obrigat\u00f3rios que foram impostos a todas as obras do mesmo tipo e que poderiam e deveriam ser aprendidas, como faz a sintaxe duma linguagem. N\u00e3o foi acordado que os efeitos que um trabalho possa produzir, sejam poderosos ou felizes, sejam compromissos suficientes para justificar esta obra e assegurar o seu valor universal. O facto n\u00e3o levou o direito. Havia sido reconhecido muito cedo que havia pr\u00e1ticas em cada uma das artes a serem recomendadas, e observ\u00e2ncias e restri\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao melhor sucesso do projecto do artista, e que era de seu interesse conhecer e respeitar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas pouco a pouco, e pola autoridade de\u00a0 muitos grandes homens, a ideia duma esp\u00e9cie de legalidade foi introduzida e substitu\u00edda polas recomenda\u00e7\u00f5es no in\u00edcio de origem emp\u00edrica. Foi fundamentado e o rigor da regra foi feito. Se exprimiu em f\u00f3rmulas precisas; a cr\u00edtica estava armada; e desta consequ\u00eancia paradoxal se seguiu que uma disciplina das artes, que se opusesse aos impulsos do artista de dificuldades fundamentadas, conhecia um grande e dur\u00e1vel favor por causa da extrema facilidade que dava para julgar e classificar por refer\u00eancia a um c\u00f3digo ou a um c\u00e2none bem definido. Outra facilidade resultou dessas regras formais, para aqueles que estavam pensando em produzir. Condi\u00e7\u00f5es muito estreitas, e mesmo condi\u00e7\u00f5es muito severas, dispensam ao artista algumas das decis\u00f5es mais delicadas e o liberam de muitas responsabilidades em termos de forma, ao mesmo tempo em que, \u00e0s vezes, o estimulam a inven\u00e7\u00f5es que toda uma liberdade nunca teria rejeitado. Mas, quer a deploremos ou nos regozijemos, a era da autoridade nas artes j\u00e1 passou h\u00e1 muito, e a palavra \u00abPo\u00e9tica\u00bb desperta pouco mais do que a ideia de prescri\u00e7\u00f5es embara\u00e7osas e antiquadas. Pensei, ent\u00e3o, que poderia resumi-lo duma maneira que olha a etimologia, sem contudo ousar pronunciar Poi\u00e9tica, cuja fisiologia \u00e9 usada quando se fala de fun\u00e7\u00f5es hematopoi\u00e9ticas ou galactopoi\u00e9ticas. Mas \u00e9 finalmente a simples no\u00e7\u00e3o de fazer o que eu queria expressar. Para faz\u00ea-lo, o poeta, que desejo ocupar, \u00e9 aquele que termina nalguma obra, e que devo restringir em breve \u00e0quele tipo de obras que concordamos em chamar de obras da mente. S\u00e3o aquelas que a mente quer fazer para o seu pr\u00f3prio uso, empregando para esse fim todos os meios f\u00edsicos que lhe possam servir. Como o simples acto de que falei, toda obra pode ou n\u00e3o nos induzir a meditar sobre essa gera\u00e7\u00e3o e dar \u00e0 luz ou n\u00e3o uma atitude interrogativa mais ou menos pronunciada, mais ou menos exigente, que a constitui em problema. Tal estudo n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio. Podemos julg\u00e1-lo v\u00e3o e at\u00e9 podemos estimar essa pretens\u00e3o quim\u00e9rica. Mais: algumas mentes achar\u00e3o essa busca n\u00e3o apenas v\u00e3, mas prejudicial; e at\u00e9 mesmo, eles dever\u00e3o, talvez, ach\u00e1-la tal. \u00c9 conceb\u00edvel, por exemplo, que um poeta legitimamente tenha medo de alterar as suas virtudes originais, o seu poder imediato de produ\u00e7\u00e3o, pola an\u00e1lise que faz delas. Instintivamente, ele se recusa a estud\u00e1-las de outra maneira, a n\u00e3o ser polo exerc\u00edcio da sua arte, e a entregar-se mais completamente ao mestre pola raz\u00e3o demonstrativa. Acredita-se que o nosso acto mais simples, o nosso gesto mais familiar, n\u00e3o poderia ser realizado, e que o menor dos nossos poderes nos seria impedido, se o fiz\u00e9ssemos presente na nossa mente e conhec\u00ea-lo completamente para exerc\u00ea-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aquiles n\u00e3o pode derrotar a tartaruga se pensar no espa\u00e7o e no tempo. Polo contr\u00e1rio, no entanto, pode ser que tal curiosidade seja t\u00e3o intensamente interessada e t\u00e3o importante de seguir, que se pode considerar com mais complac\u00eancia, e mesmo com mais paix\u00e3o, a ac\u00e7\u00e3o que faz, que a cousa feita. \u00c9 neste ponto, Senhores, que a minha tarefa deve necessariamente ser diferente daquela realizada por um lado pola Hist\u00f3ria da Literatura, por outro lado pola Cr\u00edtica dos Textos e das Obras. A Hist\u00f3ria da Literatura procura as circunst\u00e2ncias externamente comprovadas em que as obras foram compostas, manifestadas e produzidos os seus efeitos. Fala-nos sobre os autores, sobre as vicissitudes das suas vidas e do seu trabalho, como cousas vis\u00edveis e que deixaram marcas que podemos identificar, coordenar, interpretar. Recolhe tradi\u00e7\u00f5es e documentos. Eu n\u00e3o preciso lembrar com que erudi\u00e7\u00e3o e originalidade das vis\u00f5es este ensinamento foi dado aqui polo seu eminente colega M. Abel Lefranc<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">2<\/a>. Mas o conhecimento dos autores e o seu tempo, o estudo da sucess\u00e3o de fen\u00f4menos liter\u00e1rios s\u00f3 podem nos aguilhoar para conjecturar o que poderia acontecer na intimidade daqueles que fizeram o que foi preciso para obter ser inscritos nos anais da Hist\u00f3ria das Letras. Se o obtiveram, \u00e9 pola concord\u00e2ncia de duas condi\u00e7\u00f5es que sempre podemos considerar como independentes: uma \u00e9 necessariamente a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o da obra; a outra \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o dum certo valor da obra, daqueles que conheceram, degustaram o trabalho produzido, que impuseram fama e asseguraram a transmiss\u00e3o, a preserva\u00e7\u00e3o, a vida subsequente. Acabei de dizer as palavras \u00abvalor\u00bb e \u00abprodu\u00e7\u00e3o\u00bb. Eu paro por um momento. Se algu\u00e9m quiser empreender a explora\u00e7\u00e3o do reino do esp\u00edrito criativo, n\u00e3o deve ter medo de se manter em primeiro lugar nas considera\u00e7\u00f5es mais gerais que s\u00e3o aquelas que nos permitir\u00e3o avan\u00e7ar sem ter que fazer muitos retornos nos nossos passos, e que tamb\u00e9m nos oferecer\u00e1 o maior n\u00famero de analogias, isto \u00e9, o maior n\u00famero de express\u00f5es aproximadas para a descri\u00e7\u00e3o de factos e ideias que escapam mais frequentemente pola sua natureza at\u00e9 mesmo para qualquer tentativa de defini\u00e7\u00e3o direta. \u00c9 por isso que fa\u00e7o a observa\u00e7\u00e3o deste empr\u00e9stimo de algumas palavras \u00e0 economia: pode ser conveniente para mim reunir sob os nomes \u00fanicos de produ\u00e7\u00e3o e de produtor, as v\u00e1rias actividades e os v\u00e1rios personagens que teremos em ocupar a n\u00f3s mesmos, se quisermos tratar o que eles t\u00eam em comum, sem distinguir as suas diferentes esp\u00e9cies. N\u00e3o ser\u00e1 menos conveniente antes de especificar que se fala de leitor, ouvinte ou espectador, de confundir todos esses agentes de obras de todos os tipos, sob o nome econ\u00f4mico de consumidor. Quanto \u00e0 no\u00e7\u00e3o de valor, sabe-se que desempenha no universo da mente um papel de primeira ordem, compar\u00e1vel ao que desempenha no mundo econ\u00f4mico, embora o valor espiritual seja muito mais sutil do que o da mente, pois est\u00e1 relacionado a necessidades infinitamente mais variadas e incont\u00e1veis, assim como as necessidades da exist\u00eancia fisiol\u00f3gica. Se ainda conhecemos a Il\u00edada, e se o ouro permaneceu, depois de tantos s\u00e9culos, um corpo (mais ou menos simples), mas not\u00e1vel e geralmente venerado, \u00e9 que a raridade, a inimitabilidade e algumas outras propriedades distinguem o ouro e a Il\u00edada e torna-os objetos privilegiados, padr\u00f5es valiosos. Sem insistir na minha compara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, fica claro que a ideia de trabalho, as ideias de cria\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de riqueza, oferta e demanda, est\u00e3o naturalmente presentes no campo que nos interessam. Tanto pola sua semelhan\u00e7a como polas suas diferentes aplica\u00e7\u00f5es, essas no\u00e7\u00f5es de mesmo nome nos lembram que, em duas ordens de factos que parecem muito distantes umas das outras, existem os problemas da rela\u00e7\u00e3o das pessoas com o seu meio social. Al\u00e9m disso, tal como existe uma analogia econ\u00f4mica, e polas mesmas raz\u00f5es, h\u00e1 tamb\u00e9m uma analogia pol\u00edtica entre os fen\u00f4menos da vida intelectual organizada e os da vida p\u00fablica. Existe toda uma pol\u00edtica de poder intelectual, uma pol\u00edtica interna (muito interior, \u00e9 entendida) e uma pol\u00edtica externa, sendo esta a compet\u00eancia da Hist\u00f3ria liter\u00e1ria da qual deveria fazer um dos principais objetos. Assim, pol\u00edtica e economia s\u00e3o conceitos t\u00e3o generalizados que, a partir da nossa primeira observa\u00e7\u00e3o do universo da mente, e quando poder\u00edamos esperar consider\u00e1-lo como um sistema perfeitamente isol\u00e1vel durante a fase de forma\u00e7\u00e3o das obras, s\u00e3o essenciais e aparecem profundamente presentes na maioria dessas cria\u00e7\u00f5es, e sempre se instalam na vizinhan\u00e7a desses actos. No decorrer do pensamento do cientista ou do artista mais absorvido na sua pesquisa, que parece ser o mais entrincheirado em sua pr\u00f3pria esfera, face a face com o que ele \u00e9 mais de si e mais impessoal, existe n\u00e3o sei que pressentimento das rea\u00e7\u00f5es externas que o trabalho em forma\u00e7\u00e3o provocar\u00e1: o homem dificilmente est\u00e1 s\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta a\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a deve sempre ser suposta sem medo de erro; mas \u00e9 composto t\u00e3o sutilmente com os outros fatores da obra, \u00e0s vezes se disfar\u00e7a t\u00e3o bem, que \u00e9 quase imposs\u00edvel isol\u00e1-lo. Sabemos, no entanto, que o verdadeiro significado da escolha ou do esfor\u00e7o dum criador est\u00e1 muitas vezes fora da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o, e resulta duma preocupa\u00e7\u00e3o mais ou menos consciente polo efeito que ser\u00e1 produzido e as suas consequ\u00eancias para o futuro produtor. Assim, durante o seu trabalho, o esp\u00edrito avan\u00e7a e volta dele Mesmo para o Outro; e modifica o que produz o seu ser mais \u00edntimo, por essa sensa\u00e7\u00e3o particular do ju\u00edzo dos ter\u00e7os. E assim, nas nossas reflex\u00f5es sobre uma obra, podemos tomar uma ou outra dessas duas atitudes que se excluem mutuamente. Se pretendemos prosseguir com tanto rigor quanto um tal sujeito admite, devemos esfor\u00e7ar-nos por separar cuidadosamente a nossa investiga\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o duma obra, do nosso estudo, da produ\u00e7\u00e3o do seu valor, isto \u00e9, dos efeitos que pode gerar aqui ou ali, nesta ou naquela cabe\u00e7a, em tal ou tal \u00e9poca. Para demonstrar isso, basta observar que o que realmente podemos saber ou crer saber em todos os dom\u00ednios n\u00e3o \u00e9 outra cousa do que podemos observar ou fazer a n\u00f3s mesmos, e que \u00e9 imposs\u00edvel reunir num mesmo estado e numa mesma aten\u00e7\u00e3o, a observa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito que produz a obra e a observa\u00e7\u00e3o da mente que produz algum valor desta obra. N\u00e3o h\u00e1 mirada capaz de observar essas duas fun\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo; produtor e consumidor s\u00e3o dous sistemas essencialmente separados. A obra \u00e9 para um o termo; para o outro, a origem dos desenvolvimentos que podem ser t\u00e3o estranhos uns aos outros quanto desejemos. Deve-se concluir que qualquer julgamento que declare uma rela\u00e7\u00e3o de tr\u00eas termos entre o produtor, a obra e o consumidor &#8211; e tais julgamentos n\u00e3o s\u00e3o incomuns nas cr\u00edticas &#8211; \u00e9 um julgamento ilus\u00f3rio que n\u00e3o pode receber nenhum significando e que a reflex\u00e3o estraga-se se aplica a ela. Podemos apenas considerar a rela\u00e7\u00e3o do trabalho com o seu produtor, ou a rela\u00e7\u00e3o do trabalho com o que ele modifica uma vez feito. A a\u00e7\u00e3o do primeiro e a rea\u00e7\u00e3o do segundo nunca podem ser confundidas. As ideias que um e outro t\u00eam sobre a obra s\u00e3o incompat\u00edveis. Isso resulta em surpresas muito frequentes, algumas das quais s\u00e3o vantajosas. Existem mal-entendidos criativos. E h\u00e1 muitos efeitos &#8211; e dos mais poderosos &#8211; que exigem a aus\u00eancia de qualquer correspond\u00eancia direta entre as duas atividades envolvidas. Tal obra, por exemplo, \u00e9 o resultado dum longo cuidado, e re\u00fane uma s\u00e9rie de testes, repeti\u00e7\u00f5es, elimina\u00e7\u00f5es e escolhas. Exigiu meses e at\u00e9 anos de reflex\u00e3o, e tamb\u00e9m pode assumir a experi\u00eancia e adquisi\u00e7\u00f5es duma vida inteira. No entanto, o efeito desta obra ser\u00e1 declarado em alguns instantes. Uma olhada ser\u00e1 suficiente para apreciar um monumento consider\u00e1vel, para ressentir o choque. Em duas horas, todos os c\u00e1lculos do poeta tr\u00e1gico, todo o trabalho que gastou em ordenar a sua pe\u00e7a e formar um a um cada verso; ou todas as combina\u00e7\u00f5es de harmonia e orquestra que o compositor construiu; ou todas as medita\u00e7\u00f5es do fil\u00f3sofo e os anos durante os quais demorou, sustentou os seus pensamentos, esperando que percebesse e aceitasse a ordem final, todos esses actos de f\u00e9, todos esses actos de escolha, todas essas transa\u00e7\u00f5es mentais finalmente acabam chegando ao estado da obra feita, para golpear, surpreender, deslumbrar ou desconcertar o esp\u00edrito do Outro, abruptamente sujeito \u00e0 excita\u00e7\u00e3o dessa enorme carga de trabalho intelectual. Existe uma a\u00e7\u00e3o de excesso. Podemos (muito mais ou menos se entende) comparar este efeito com o da queda em poucos segundos duma massa que ter\u00edamos levantado, fragmento por fragmento, no topo duma torre sem olhar para o tempo ou o n\u00famero de viagens. Assim isso d\u00e1 a impress\u00e3o dum poder sobre-humano. Mas o efeito, voc\u00eas o sabem, nem sempre acontece; ocorre neste mecanismo intelectual que a torre \u00e9 muito alta, a massa \u00e9 muito grande e que \u00e9 observado um resultado nulo ou negativo. Suponhamos, ao contr\u00e1rio, o grande efeito produzido. As pessoas que o sofreram e que foram t\u00e3o subjugadas polo poder, pola perfei\u00e7\u00e3o polo n\u00famero de golpes felizes, por belas surpresas acumuladas, n\u00e3o podem e n\u00e3o devem imaginar todo o trabalho interno, as possibilidades engolidas, as longas amostras de elementos favor\u00e1veis, os delicados racioc\u00ednios cujas conclus\u00f5es assumem a apar\u00eancia de adivinha\u00e7\u00f5es, numa palavra, a quantidade de vida interior que foi tratada polo qu\u00edmico da mente produtora ou classificada no caos mental por um demo ao Maxwell<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">3<\/a>; e essas pessoas est\u00e3o, portanto, inclinadas a imaginar um ser com imensos poderes, capazes de criar esses prod\u00edgios sem nenhum outro esfor\u00e7o al\u00e9m do que \u00e9 necess\u00e1rio para proferir qualquer cousa. O que o trabalho produz ent\u00e3o \u00e9 incomensur\u00e1vel com nossas pr\u00f3prias habilidades de produ\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. Al\u00e9m disso, certos elementos da obra que chegaram ao autor por algum acaso favor\u00e1vel, ser\u00e3o atribu\u00eddos a uma virtude singular da sua mente. Desta forma, o consumidor se torna produtor, produzindo primeiro o valor da obra; e de seguida, em virtude duma aplica\u00e7\u00e3o imediata do princ\u00edpio da causalidade (que \u00e9 basicamente apenas uma express\u00e3o ing\u00eanua dum dos modos de produ\u00e7\u00e3o da mente), torna-se o produtor do valor do ser imagin\u00e1rio que fez o que ele admira. Talvez, se os grandes homens fossem t\u00e3o conscientes quanto grandes, n\u00e3o haveria grandes homens para si mesmos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, e este \u00e9 o ponto onde queria chegar, este exemplo, embora muito peculiar, nos faz entender que a independ\u00eancia ou a ignor\u00e2ncia m\u00fatua dos pensamentos e condi\u00e7\u00f5es do produtor e do consumidor \u00e9 quase essencial para os efeitos das obras. O segredo e a surpresa que os estrategistas costumam recomendar nos seus escritos s\u00e3o naturalmente assegurados aqui. Em suma, quando falamos de obras da mente, queremos dizer o termo duma certa atividade ou a origem dalguma outra atividade e que s\u00e3o duas ordens de modifica\u00e7\u00f5es incomunic\u00e1veis, cada uma delas nos pede uma acomoda\u00e7\u00e3o especial incompat\u00edvel com a outra. A obra em si permanece como uma cousa sensata. Esta \u00e9 uma terceira considera\u00e7\u00e3o, bastante diferente das outras duas. Olhamos, ent\u00e3o, uma obra como um objeto, puramente objeto, isto \u00e9, sem colocar nele algo que possa ser aplicado indistintamente a todos os objetos: uma atitude que \u00e9 suficientemente marcada pola aus\u00eancia de qualquer produ\u00e7\u00e3o de valor. O que podemos fazer sobre este objeto que, desta vez, n\u00e3o pode fazer nada sobre n\u00f3s? Mas n\u00f3s podemos sobre ele. Podemos medi-lo de acordo com a sua natureza, espacial ou temporal, contando as palavras dum texto ou as s\u00edlabas dum verso; notar que tal livro apareceu em tal momento; que tal composi\u00e7\u00e3o duma pintura \u00e9 um decalque de outra; que h\u00e1 um hemist\u00edquio em Lamartine<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">4<\/a>, que existe em Thomas<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">5<\/a>, e que tal p\u00e1gina de Victor Hugo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">6<\/a> pertence, desde 1645, a um obscuro Padre Francisco. Podemos notar que esse racioc\u00ednio \u00e9 um paralogismo; que esse soneto est\u00e1 incorreto; que o desenho desse bra\u00e7o \u00e9 um desafio para a anatomia, e tal uso de palavras, incomum. Tudo isso \u00e9 o resultado de opera\u00e7\u00f5es que podem ser assimiladas a opera\u00e7\u00f5es puramente materiais, pois elas retornam a formas de superposi\u00e7\u00e3o da obra, ou fragmentos da obra, a algum modelo. Este tratamento das obras da mente n\u00e3o o distingue de todas as obras poss\u00edveis. coloca-o e o mant\u00e9m no posto das cousas e lhe imp\u00f5e uma exist\u00eancia defin\u00edvel. Este \u00e9 o ponto a lembrar: Tudo o que podemos definir \u00e9 imediatamente distingu\u00edvel da mente do produtor e se op\u00f5e a ele. A mente \u00e9 ao mesmo tempo o equivalente dum material sobre o qual ela pode operar ou um instrumento polo qual possa operar. O que ele definiu bem, a mente o coloca fora do seu alcance, e \u00e9 assim que mostra que se conhece a si mesmo e confia apenas no que n\u00e3o \u00e9 ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas distin\u00e7\u00f5es no conceito de obra, que acabei de propor-lhes, e que o dividem, n\u00e3o por uma busca por sutileza, mas pola refer\u00eancia mais facilmente a observa\u00e7\u00f5es imediatas, tendem a destacar a ideia de que introduzir a minha an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o das obras da mente. Tudo o que eu exprimi at\u00e9 agora \u00e9 limitado nestas poucas palavras: a obra do esp\u00edrito existe apenas em acto. Fora desse acto, o que resta \u00e9 apenas um objeto que n\u00e3o oferece nenhuma rela\u00e7\u00e3o particular com a mente. Levai a est\u00e1tua que admirais num povo suficientemente diferente do nosso, ser\u00e1 apenas uma pedra insignificante. Um Parthenon ser\u00e1 apenas uma pequena pedreira de m\u00e1rmore. E quando o texto dum poeta \u00e9 usado como uma cole\u00e7\u00e3o de dificuldades gramaticais ou exemplos,\u00a0 imediatamente deixa de ser uma obra da mente, j\u00e1 que o uso feito dele \u00e9 totalmente estranho \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da sua gera\u00e7\u00e3o, e por outro lado, o valor do consumo que d\u00e1 sentido a este trabalho \u00e9 negado. Um poema no papel nada mais \u00e9 do que uma escrita sujeita a tudo o que se pode fazer duma escrita. Mas entre todas as suas possibilidades, h\u00e1 uma, e apenas uma, que finalmente coloca esse texto nas condi\u00e7\u00f5es em que ele ter\u00e1 for\u00e7a e forma de a\u00e7\u00e3o. Um poema \u00e9 um discurso que exige e conduz a uma conex\u00e3o cont\u00ednua entre a voz que \u00e9 vinda e a que deve vir. E esta voz deve ser tal que se imp\u00f5e e excita o estado afetivo, cujo texto \u00e9 a \u00fanica express\u00e3o verbal. Tirai a voz e a voz certa, tudo se torna arbitr\u00e1rio. O poema se transforma numa s\u00e9rie de sinais que s\u00f3 devem ser fisicamente desenhados um ap\u00f3s o outro. Por estas raz\u00f5es, continuarei a condenar a pr\u00e1tica detest\u00e1vel de abusar das melhores obras para criar e desenvolver o sentimento de poesia entre os jovens, tratar os poemas como cousas, cort\u00e1-los como se a composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse nada que sofra, se n\u00e3o exigir, ser recitada da maneira que conhecemos, usada como prova de mem\u00f3ria ou ortografia; numa palavra, desconsiderar a ess\u00eancia dessas obras, daquilo que as torna o que s\u00e3o, e n\u00e3o completamente outras, e que lhes d\u00e1 a sua pr\u00f3pria virtude e necessidade. \u00c9 o desempenho do poema que \u00e9 o poema. Al\u00e9m dele, s\u00e3o fabrica\u00e7\u00f5es inexplic\u00e1veis, essas su\u00edtes de palavras curiosamente montadas. As obras da mente, poemas ou outros, referem-se apenas ao que lhes fez nascer, ao que lhes deu origem e absolutamente nada mais. Sem d\u00favida, diverg\u00eancias podem se manifestar entre as interpreta\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas dum poema, entre as impress\u00f5es e os significados, ou melhor, entre as resson\u00e2ncias provocadas por um ou outro pola a\u00e7\u00e3o da obra. Mas eis que esta observa\u00e7\u00e3o banal deve assumir, em reflex\u00e3o, uma import\u00e2ncia de primeiro tamanho: esta poss\u00edvel diversidade dos efeitos leg\u00edtimos duma obra \u00e9 a pr\u00f3pria marca do esp\u00edrito. Corresponde, al\u00e9m disso, \u00e0 pluralidade de formas oferecidas ao autor durante o seu trabalho de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 porque todo acto da mente em si \u00e9 sempre acompanhado por uma certa atmosfera de indetermina\u00e7\u00e3o mais ou menos sensata. Pe\u00e7o desculpas por essa express\u00e3o. Eu n\u00e3o consigo encontrar uma melhor. Coloquemo-nos no estado em que uma obra nos transporta, daqueles que nos obrigam a desej\u00e1-los tanto mais que os possu\u00edmos mais, ou porque nos possuem mais. Somos ent\u00e3o divididos entre sentimentos incipientes cuja altern\u00e2ncia e contraste s\u00e3o not\u00e1veis. Sentimos, por um lado, que a obra que age sobre n\u00f3s nos conv\u00e9m t\u00e3o de perto que n\u00e3o podemos conceb\u00ea-la como diferente. Mesmo nalguns casos de supremo contentamento, experimentamos que nos transformamos de alguma forma profunda, para nos tornarmos algu\u00e9m cuja sensibilidade \u00e9 capaz de tal plenitude de prazer e compreens\u00e3o imediata. Mas n\u00e3o sentimos menos fortemente e, por um sentido muito diferente, que o fen\u00f4meno que causa e desenvolve em n\u00f3s esse estado, que nos inflige o seu poder, n\u00e3o poderia ter sido e, inclusive, nem deveria ter sido, e classifica no improv\u00e1vel. Enquanto o nosso gozo ou a nossa alegria s\u00e3o fortes, fortes como um facto &#8211; a exist\u00eancia e a forma\u00e7\u00e3o dos meios, do trabalho generativo &#8211; da nossa sensa\u00e7\u00e3o, afiguram-se-nos acidentais. Essa exist\u00eancia parece-nos o efeito dum acaso\u00a0 extraordin\u00e1rio, dum presente suntuoso de fortuna, e \u00e9 por isso que (n\u00e3o nos esque\u00e7amos de not\u00e1-lo) uma analogia particular \u00e9 descoberta entre esse efeito duma obra de arte e de certos aspectos da natureza: acidente geol\u00f3gico, ou combina\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias de luz e vapor no c\u00e9u da noite. \u00c0s vezes, n\u00e3o podemos imaginar que um certo homem como n\u00f3s seja o autor dum feito t\u00e3o extraordin\u00e1rio, e a gl\u00f3ria que lhe damos \u00e9 a express\u00e3o do nosso desamparo. Mas quaisquer que sejam os detalhes desses jogos ou dramas que sejam realizados no produtor, tudo deve terminar na obra vis\u00edvel e encontrar, assim, uma determina\u00e7\u00e3o final absoluta. Este fim \u00e9 o ponto culminante duma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es interiores t\u00e3o desordenadas quanto querer, mas que devem necessariamente ser resolvidas no momento em que a m\u00e3o actua, num mandamento \u00fanico, feliz ou n\u00e3o. Agora, esta m\u00e3o, esta a\u00e7\u00e3o externa,\u00a0 resolve necessariamente bem ou mal o estado de indetermina\u00e7\u00e3o de que falei. O esp\u00edrito que produz parece noutro lugar, procura imprimir \u00e0 sua obra marcas bem opostas \u00e0s suas. Parece escapar numa obra a instabilidade, a incoer\u00eancia, a inconsist\u00eancia que se conhece e que constituem o seu regime mais frequente. E, portanto, opera contra as interven\u00e7\u00f5es em todas os significados e de todos os tipos que deve sofrer a cada momento. Ele absorve a infinita variedade de incidentes; repele qualquer substitui\u00e7\u00e3o de imagens, sensa\u00e7\u00f5es, impulsos e ideias que cruzam outras ideias. Luita contra o que \u00e9 obrigado a admitir, produzir ou emitir; e em resumo, contra sua natureza e sua atividade acidental e instant\u00e2nea. Durante a sua medita\u00e7\u00e3o sussurra em torno do seu pr\u00f3prio marco. Tudo \u00e9 bom para entretenimento. S\u00e3o Bernardo observou: \u00abOdoratus impedit cogitationem\u00bb<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">7<\/a>. Mesmo na mente mais s\u00f3lida, a contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a regra; a consequ\u00eancia correcta \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o. E essa correc\u00e7\u00e3o em si \u00e9 um artif\u00edcio de l\u00f3gico, um artif\u00edcio que consiste, como todos aqueles inventados pola mente contra si mesma, de materializar os elementos do pensamento, o que ele chama de \u00abconceitos\u00bb, na forma de c\u00edrculos ou dom\u00ednios, para dar uma dura\u00e7\u00e3o independente das vicissitudes da mente a esses objetos intelectuais, porque a l\u00f3gica, afinal, \u00e9 apenas uma especula\u00e7\u00e3o sobre a perman\u00eancia das nota\u00e7\u00f5es. Mas aqui h\u00e1 uma circunst\u00e2ncia muito surpreendente: esta dispers\u00e3o, sempre iminente, importa e contribui para a produ\u00e7\u00e3o da obra quase tanto quanto a pr\u00f3pria concentra\u00e7\u00e3o. O esp\u00edrito na obra, que luita contra a sua mobilidade, contra a sua ansiedade constitucional e a sua pr\u00f3pria diversidade, contra a dissipa\u00e7\u00e3o ou a degrada\u00e7\u00e3o natural de qualquer atitude especializada, encontra, por outro lado, nesta mesma condi\u00e7\u00e3o, recursos incompar\u00e1veis. A instabilidade, a incoer\u00eancia, a inconsequ\u00eancia de que falei, que s\u00e3o os seus obst\u00e1culos e limites no seu empreendimento de constru\u00e7\u00e3o ou composi\u00e7\u00e3o bem determinada, s\u00e3o tantos tesouros de possibilidades que ele sente a riqueza na vizinhan\u00e7a desde o momento em que se consulta. S\u00e3o reservas das quais ele pode esperar tudo, raz\u00f5es para esperar que a solu\u00e7\u00e3o, o sinal, a imagem, a palavra ausente estejam mais pr\u00f3ximas a ele do que ele v\u00ea. Pode sempre sentir na sua escurid\u00e3o, a verdade ou a decis\u00e3o procurada, que ele sabe estar \u00e0 merc\u00ea dum nada, da mesma perturba\u00e7\u00e3o insignificante que parecia distra\u00ed-lo e afast\u00e1-lo indefinidamente. Por vezes o que desejamos ver aparece no nosso pensamento (e at\u00e9 numa mera lembran\u00e7a), como um objeto precioso que seguramos e sentimos atrav\u00e9s dum tecido que envolve e esconde dos nossos olhos. Ele \u00e9, e ele n\u00e3o \u00e9 nosso, e o menor incidente o revela. \u00c0s vezes, invocamos o que deveria ser, definindo-o por condi\u00e7\u00f5es. N\u00f3s pedimos, presos na frente n\u00e3o sei por quais conjuntos de elementos que tamb\u00e9m s\u00e3o iminentes para n\u00f3s, e nenhum dos quais ainda \u00e9 destacado para satisfazer a nossa demanda. N\u00f3s imploramos ao nosso esp\u00edrito uma manifesta\u00e7\u00e3o de desigualdade. Apresentamos o nosso desejo como um im\u00e3 se op\u00f5e \u00e0 confus\u00e3o de um p\u00f3 composto, do qual um gr\u00e3o de ferro se develar\u00e1 subitamente. Parece que existem nesta ordem de cousas mentais, algumas rela\u00e7\u00f5es muito misteriosas entre desejo e evento. N\u00e3o quero dizer que o desejo da mente crie um tipo de campo, muito mais complexo do que um campo magn\u00e9tico, e que tenha o poder de chamar o que nos conv\u00e9m. Esta imagem \u00e9 apenas uma maneira de expressar um facto de observa\u00e7\u00e3o, ao qual retornarei mais tarde. Mas, seja qual for a nitidez, a evid\u00eancia, a for\u00e7a, a beleza do evento espiritual que termina a nossa espera, que completa o nosso pensamento onde surge a nossa d\u00favida, nada \u00e9 ainda irrevog\u00e1vel. Aqui, o instante seguinte tem poder absoluto sobre o produto do instante anterior. \u00c9 porque a mente, reduzida a sua \u00fanica subst\u00e2ncia, n\u00e3o possui o finito e n\u00e3o pode inevitavelmente se unir a si pr\u00f3pria. Quando dizemos que a nossa opini\u00e3o sobre este ponto \u00e9 decisiva, n\u00f3s o dizemos para referir isto: recorremos aos outros. O som da nossa voz nos assegura muito mais do que a firme inten\u00e7\u00e3o interior que finge em voz alta o que estamos determinando. Quando julgamos que conclu\u00edmos alguns pensamentos, nunca nos sentimos certos de que podemos retom\u00e1-los sem aperfei\u00e7oar ou arruinar o que fixamos. \u00c9 por este meio que a vida do esp\u00edrito \u00e9 dividida contra si mesma assim que se aplica a uma obra. Toda obra requer a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias (embora inclua sempre\u00a0 muitos constituintes em que o que chamamos vontade n\u00e3o ter\u00e1 parte). Mas a nossa vontade, o nosso poder expresso, quando tenta voltar-se para o nosso pr\u00f3prio esp\u00edrito, e para se fazer obedecer, \u00e9 sempre reduzido a uma simples parada, \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o ou \u00e0 renova\u00e7\u00e3o de algumas condi\u00e7\u00f5es. De facto, s\u00f3 podemos agir diretamente sobre a liberdade do sistema da nossa mente. Estamos diminuindo o grau dessa liberdade, mas quanto ao resto, quero dizer quanto \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es e \u00e0s substitui\u00e7\u00f5es que essa restri\u00e7\u00e3o permite, estamos esperando simplesmente o que queremos que aconte\u00e7a, porque s\u00f3 podemos esperar por ela. N\u00e3o temos como conseguir exatamente o que queremos alcan\u00e7ar em n\u00f3s mesmos. Para esta exatid\u00e3o, este resultado que esperamos e o nosso desejo, s\u00e3o da mesma subst\u00e2ncia mental, e talvez se incomodem mutuamente pola sua atividade simult\u00e2nea. Sabemos que acontece com bastante frequ\u00eancia que a solu\u00e7\u00e3o desejada nos chega depois dum tempo de desinteresse polo problema, e quando a recompensa da liberdade retorna \u00e0 nossa mente. O que acabei de alegar e que se aplica mais especificamente ao produtor, \u00e9 verific\u00e1vel tamb\u00e9m no consumidor da obra. Neste \u00faltimo, a produ\u00e7\u00e3o de valor, que ser\u00e1, por exemplo, a compreens\u00e3o, o interesse excitado, o esfor\u00e7o que gastar\u00e1 numa posse mais completa da obra, daria origem a observa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quer eu siga a p\u00e1gina que devo escrever ou a que quero ouvir, entro nos dous casos numa fase de menor liberdade. Mas em ambos os casos, essa restri\u00e7\u00e3o da minha liberdade pode ser apresentada sob duas esp\u00e9cies completamente opostas. \u00c0s vezes, a minha tarefa me estimula a persegui-la e, longe de sentir isso como uma dor, como um desvio do curso mais natural da minha mente, me dedico a isso e avan\u00e7o com tanta vida no caminho. Que o meu prop\u00f3sito \u00e9 que a sensa\u00e7\u00e3o de fadiga \u00e9 diminu\u00edda, at\u00e9 o momento em que subitamente obscurece a mente de repente, e desfaz o jogo de ideias para reconstituir a desordem das trocas normais em curto per\u00edodo, o estado de indiferen\u00e7a dispersiva e repousante. Mas, por vezes, a restri\u00e7\u00e3o est\u00e1 em primeiro plano, a manuten\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o cada vez mais dolorosa, o trabalho torna-se mais sens\u00edvel do que o seu efeito, o meio se op\u00f5e ao fim, e a tens\u00e3o da mente deve ser alimentada por recursos cada vez mais prec\u00e1rios e cada vez mais estranhos ao objeto ideal, cujo poder e a\u00e7\u00e3o devem ser mantidos, \u00e0 custa duma fadiga que \u00e9 rapidamente insuport\u00e1vel. Este \u00e9 um grande contraste entre duas aplica\u00e7\u00f5es da nossa mente. Isso me servir\u00e1 para mostrar-lhes que o cuidado que tomei para especificar que era necess\u00e1rio considerar as obras apenas em acto ou produ\u00e7\u00e3o ou consumo, n\u00e3o tinha nada que se conformasse com o que pud\u00e9ssemos observar; enquanto, por outro lado, nos d\u00e1 o meio de fazer entre as obras da mente uma distin\u00e7\u00e3o muito importante. Entre essas obras, o uso cria uma categoria conhecida como obra de arte. N\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil especificar este termo se, no entanto, for necess\u00e1rio particulariz\u00e1-lo. Em primeiro lugar, n\u00e3o distingo nada na produ\u00e7\u00e3o das obras, o que me compele claramente a criar uma categoria da obra de arte. Eu encontro um pouco em todos os lugares, nas mentes, aten\u00e7\u00e3o, tentativas e erros, clareza inesperada e noites escuras, improvisa\u00e7\u00f5es e ensaios, ou recupera\u00e7\u00f5es muito urgentes. H\u00e1 fogo e cinzas em todos os lares da mente; prud\u00eancia e imprud\u00eancia; o m\u00e9todo e o seu oposto; o acaso sob mil formas. Artistas, estudiosos, todos se identificam nos detalhes dessa estranha vida do pensamento. Podemos dizer que a cada momento a diferen\u00e7a funcional das mentes no trabalho \u00e9 indistingu\u00edvel. Mas, se olharmos para os efeitos das obras feitas, descobrimos nalgumas uma particularidade que as agrupa e se op\u00f5e a todas as outras. Algumas obras que separamos s\u00e3o divididas em partes inteiras, cada uma contendo algo para criar um desejo e satisfaz\u00ea-lo. O trabalho nos oferece em cada uma das suas partes, tanto o alimento quanto a excita\u00e7\u00e3o. Ela desperta continuamente em n\u00f3s uma sede e uma fonte. Como recompensa por renunciarmos \u00e0 nossa liberdade, nos d\u00e1 o amor do cativeiro que nos imp\u00f5e e a sensa\u00e7\u00e3o dum delicioso tipo de conhecimento imediato; e tudo isso, gastando, para a nossa grande satisfa\u00e7\u00e3o, a nossa pr\u00f3pria energia, que evoca de modo t\u00e3o em conformidade com o rendimento mais favor\u00e1vel dos nossos recursos org\u00e2nicos, que a sensa\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o \u00e9 em si mesma intoxicante, e nos sentimos possuidores de ser magnificamente possu\u00eddos. Ent\u00e3o, quanto mais damos, mais queremos dar, acreditando receber. A ilus\u00e3o de actuar, de expressar, de descobrir, de compreender, de resolver, de conquistar, nos anima. Todos esses efeitos, que em alguns casos v\u00e3o para o prod\u00edgio, s\u00e3o todos instant\u00e2neos, como tudo o que disp\u00f5e de sensibilidade; eles atacam polo mais curto, os pontos estrat\u00e9gicos que controlam a nossa vida emocional, restringem a nossa disponibilidade intelectual, aceleram, suspendem ou at\u00e9 regularizam as v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es, cuja concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia nos d\u00e1 finalmente todas as modula\u00e7\u00f5es, a sensa\u00e7\u00e3o de vida, da calma plana \u00e0 tempestade. O s\u00f3 tom do violoncelo tem uma domina\u00e7\u00e3o visceral real em muitas pessoas. H\u00e1 palavras cuja frequ\u00eancia, num autor, revela-nos que s\u00e3o nele dotadas de resson\u00e2ncia e, consequentemente, de poder positivamente criativo, que n\u00e3o s\u00e3o em geral. Este \u00e9 um exemplo dessas avalia\u00e7\u00f5es pessoais, desses grandes valores que certamente desempenham um papel muito bom numa produ\u00e7\u00e3o da mente em que a singularidade \u00e9 um elemento de import\u00e2ncia primordial. Estas considera\u00e7\u00f5es nos servir\u00e3o para esclarecer um pouco a constitui\u00e7\u00e3o da poesia, que \u00e9 bastante misteriosa. \u00c9 estranho que algu\u00e9m se esforce para formar um discurso que deve observar condi\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas perfeitamente heterog\u00eaneas: musicais, racionais, significativas, sugestivas, e que requerem uma conex\u00e3o seguida ou mantida entre um ritmo e uma sintaxe, entre o som e significado. Essas partes n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00f5es conceb\u00edveis entre elas. Precisamos dar a ilus\u00e3o da sua profunda intimidade. Que bom \u00e9 tudo isso? A observ\u00e2ncia de ritmos, rimas, melodias verbais dificulta os movimentos diretos do meu pensamento, e aqui n\u00e3o posso dizer o que quero &#8230; Mas o que eu quero? Essa \u00e9 a quest\u00e3o. Conclu\u00edmos que devemos querer o que devemos querer, para que o pensamento, a linguagem e as suas conven\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o emprestadas da vida externa, o ritmo e os acentos da voz, que s\u00e3o diretamente cousas do existir, concordem, e este acordo requer sacrif\u00edcios rec\u00edprocos, o mais not\u00e1vel dos quais \u00e9 o que deve consentir o pensamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irei explicar um dia como essa altera\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada na linguagem dos poetas, e que h\u00e1 uma linguagem po\u00e9tica em que as palavras n\u00e3o s\u00e3o mais palavras de uso pr\u00e1tico e livre. Eles n\u00e3o mais associam de acordo com as mesmas atra\u00e7\u00f5es; s\u00e3o carregados com dous valores simultaneamente engajados e de import\u00e2ncia equivalente: o seu som e o seu efeito ps\u00edquico instant\u00e2neo. Eles ent\u00e3o fazem refer\u00eancia a esses n\u00fameros complexos de ge\u00f3metras, e o acasalamento da vari\u00e1vel fon\u00e9tica com a vari\u00e1vel sem\u00e2ntica d\u00e1 origem a problemas de extens\u00e3o e converg\u00eancia que os poetas resolvem de olhos vendados &#8211; mas eles os resolvem (e \u00e9 a\u00ed que \u00e9 o essencial), de tempos em tempos \u2026 De tempos em tempos, essa \u00e9 a grande palavra! Essa \u00e9 a incerteza, eis a desigualdade de momentos e indiv\u00edduos. Este \u00e9 o nosso facto capital. Ser\u00e1 necess\u00e1rio voltar por muito tempo, porque toda a arte, po\u00e9tica ou n\u00e3o, consiste em defender-se contra essa desigualdade do momento. Tudo o que acabo de esbo\u00e7ar neste exame sum\u00e1rio da no\u00e7\u00e3o geral da obra deve levar-me finalmente a indicar o vi\u00e9s que escolhi para explorar o imenso campo da produ\u00e7\u00e3o das obras da mente. Tentamos, nalguns momentos, dar uma ideia da complexidade dessas quest\u00f5es, em que podemos dizer que tudo interv\u00e9m duma s\u00f3 vez e se combina o que h\u00e1 de mais profundo no homem com muitos factores externos. Tudo isso \u00e9 resumido nesta f\u00f3rmula que, na produ\u00e7\u00e3o da obra, a ac\u00e7\u00e3o entra em contato com o indefin\u00edvel. Uma ac\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria que, em cada uma das artes, \u00e9 muito composta, o que pode exigir longos esmeros, aten\u00e7\u00f5es do mais abstractas, conhecimentos muito precisos, adapta-se na opera\u00e7\u00e3o da arte a um estado de ser. que \u00e9 aquilo completamente irredut\u00edvel em si mesmo, a uma express\u00e3o finita, que n\u00e3o se refere a nenhum objeto localiz\u00e1vel, que pode ser determinado e alcan\u00e7ado por um sistema de actos uniformemente determinados; e isso leva a essa obra, cujo efeito deve ser reconstituir em algu\u00e9m um estado similar, &#8211; eu n\u00e3o digo semelhante (j\u00e1 que nunca saberemos nada sobre isso), &#8211; mas an\u00e1logo ao estado inicial do produtor. Assim, por um lado, o indefin\u00edvel, por outro lado, uma ac\u00e7\u00e3o necessariamente finita; por um lado, um estado, \u00e0s vezes uma \u00fanica sensa\u00e7\u00e3o produzindo valor e impulso, um estado cujo \u00fanico car\u00e1cter \u00e9 corresponder a nenhum termo finito da nossa experi\u00eancia; por outro lado, o acto, isto \u00e9, a determina\u00e7\u00e3o essencial, j\u00e1 que um acto \u00e9 uma fuga milagrosa fora do mundo fechado do poss\u00edvel e uma introdu\u00e7\u00e3o ao universo do facto; e esse acto, frequentemente produzido contra a mente, com todas as suas precis\u00f5es; sa\u00edda do inst\u00e1vel, como Minerva, totalmente armada produzida polo esp\u00edrito de J\u00fapiter, antiga imagem ainda cheia de significado! No caso do artista, acontece de facto &#8211; este \u00e9 o caso mais favor\u00e1vel &#8211; que o mesmo movimento interno de produ\u00e7\u00e3o lhe d\u00e1 ao mesmo tempo indistintamente o impulso, o objetivo externo imediato e os meios ou os dispositivos t\u00e9cnicos de ac\u00e7\u00e3o. Estabelece-se geralmente um modo de execu\u00e7\u00e3o durante o qual h\u00e1 uma troca mais ou menos \u00e1gil, entre os requisitos, os conhecimentos, as inten\u00e7\u00f5es, os meios, todo o mental e o instrumental, todos os elementos da ac\u00e7\u00e3o, uma ac\u00e7\u00e3o cujo est\u00edmulo n\u00e3o est\u00e1 situado no mundo onde os objectivos da ac\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria est\u00e3o situados e, consequentemente, n\u00e3o pode dar origem a uma predi\u00e7\u00e3o que determina a f\u00f3rmula dos actos a serem executados a fim de alcan\u00e7\u00e1-la seguramente. E \u00e9 finalmente em representar para mim este facto t\u00e3o not\u00e1vel (embora n\u00e3o muito notado, parece-me), a execu\u00e7\u00e3o dum acto, como um resultado, uma determina\u00e7\u00e3o final dum estado que \u00e9 inexprim\u00edvel em termos finitos (isto \u00e9, que cancela exactamente a sensa\u00e7\u00e3o causada) que adotei a resolu\u00e7\u00e3o de tomar como forma geral deste Curso o tipo mais geral poss\u00edvel da ac\u00e7\u00e3o humana. Eu pensei que era necess\u00e1rio a todo custo fixar uma linha simples, uma esp\u00e9cie de caminho geod\u00e9sico atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es e ideias de material in\u00famero, sabendo disso num estudo que, que eu saiba, n\u00e3o foi at\u00e9 aqui abordado como um todo, \u00e9 ilus\u00f3rio procurar uma ordem intr\u00ednseca, um desenvolvimento sem repeti\u00e7\u00e3o que permita enumerar problemas de acordo com o progresso duma vari\u00e1vel, porque essa vari\u00e1vel n\u00e3o existe. Desde que a mente esteja envolvida, tudo est\u00e1 envolvido; tudo \u00e9 desordem, e toda reac\u00e7\u00e3o contra a desordem \u00e9 do mesmo tipo que ela. \u00c9 porque esta desordem \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o da sua fecundidade: cont\u00e9m a promessa, uma vez que esta fertilidade depende mais do inesperado que do esperado, e mais do que n\u00e3o sabemos, e porque ignoramos mais do que sabemos. Como haveria ser diferente? O campo que estou tentando cobrir \u00e9 ilimitado, mas tudo \u00e9 reduzido a propor\u00e7\u00f5es humanas assim que tomamos o cuidado de n\u00e3o nos limitarmos \u00e0 nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia, \u00e0s observa\u00e7\u00f5es que fizemos a n\u00f3s mesmos, aos meios que tem sido experimentados. Eu me esfor\u00e7o para nunca esquecer que cada quem \u00e9 a medida das cousas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c Premi\u00e8re le\u00e7on du cours de po\u00e9tique \u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paul VAL\u00c9RY<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1937<\/p>\n<p>Le\u00e7on inaugurale du cours de po\u00e9tique du Coll\u00e8ge de France, in Vari\u00e9t\u00e9 V, Nrf, Gallimard, 1944, 324 pages, pp. 295-322.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MONSIEUR LE MINISTRE,<\/p>\n<p>MONSIEUR L\u2019ADMINISTRATEUR,<\/p>\n<p>MESDAMES, MESSIEURS,<\/p>\n<p>C\u2019est pour moi une sensation assez \u00e9trange et tr\u00e8s \u00e9mouvante, que de monter dans cette chaire et de commencer une carri\u00e8re toute nouvelle \u00e0 l\u2019\u00e2ge o\u00f9 tout nous conseille d\u2019abandonner l\u2019action et de renoncer \u00e0 l\u2019entreprise. Je vous remercie, Messieurs les Professeurs, de l\u2019honneur que vous me faites de m\u2019accueillir parmi vous et de la confiance que vous avez accord\u00e9e, d\u2019abord, \u00e0 la proposition qui vous a \u00e9t\u00e9 soumise d\u2019instituer un enseignement qui s\u2019intitul\u00e2t Po\u00e9tique, et ensuite \u00e0 celui qui vous la soumettait. Vous avez peut-\u00eatre pens\u00e9 que certaines mati\u00e8res qui ne sont pas proprement objet de science, et qui ne peuvent pas l\u2019\u00eatre, \u00e0 cause de leur nature presque toute int\u00e9rieure et de leur \u00e9troite d\u00e9pendance des personnes m\u00eames qui s\u2019y int\u00e9ressent, pouvaient cependant, sinon \u00eatre enseign\u00e9es, du moins, \u00eatre en quelque mani\u00e8re communiqu\u00e9es comme le fruit d\u2019une exp\u00e9rience individuelle, longue d\u00e9j\u00e0 de toute une vie, et que, par cons\u00e9quence, l\u2019\u00e2ge \u00e9tait une sorte de condition qui, dans ce cas assez particulier, se pouvait justifier. Ma gratitude s\u2019adresse \u00e9galement \u00e0 mes confr\u00e8res de l\u2019Acad\u00e9mie fran\u00e7aise qui ont bien voulu se joindre \u00e0 vous, pour pr\u00e9senter ma candidature.<\/p>\n<p>Je remercie enfin Monsieur le Ministre de l\u2019\u00c9ducation nationale d\u2019avoir agr\u00e9\u00e9 la transformation de cette chaire comme d\u2019avoir propos\u00e9 \u00e0 Monsieur le Pr\u00e9sident de la R\u00e9publique le d\u00e9cret de ma nomination. Messieurs, je ne saurais non plus m\u2019engager dans l\u2019explication de ma t\u00e2che, que je ne t\u00e9moigne d\u2019abord mes sentiments de reconnaissance, de respect et d\u2019admiration envers mon illustre ami M. Joseph B\u00e9dier. Ce n\u2019est pas ici qu\u2019il est besoin de rappeler la gloire et les m\u00e9rites insignes du savant et de l\u2019\u00e9crivain, honneur des Lettres fran\u00e7aises, et je n\u2019ai pas \u00e0 vous parler de sa douce et persuasive autorit\u00e9 d\u2019administrateur. Mais il m\u2019est difficile de taire que c\u2019est lui, Messieurs les Professeurs, qui s\u2019accordant avec quelques-uns d\u2019entre vous, eut la pens\u00e9e que voici qui se r\u00e9alise aujourd\u2019hui. Il m\u2019a s\u00e9duit au charme de votre Maison, qu\u2019il \u00e9tait sur le point de quitter, et c\u2019est lui qui m\u2019a persuad\u00e9 que je pourrais tenir cette place \u00e0 laquelle rien ne me conduisait \u00e0 songer. C\u2019est enfin dans quelque entretien avec lui que la rubrique m\u00eame de cette chaire s\u2019est d\u00e9gag\u00e9e de notre \u00e9change de questions et de r\u00e9flexions. Mon premier soin doit \u00eatre d\u2019expliquer ce nom de \u00ab Po\u00e9tique \u00bb que j\u2019ai restitu\u00e9, dans un sens tout primitif, qui n\u2019est pas celui de l\u2019usage. Il m\u2019est venu \u00e0 l\u2019esprit et m\u2019a paru le seul convenable pour d\u00e9signer le genre d\u2019\u00e9tude que je me propose de d\u00e9velopper dans ce Cours. On entend ordinairement ce terme de tout expos\u00e9 ou recueil de r\u00e8gles, de conventions ou de pr\u00e9ceptes concernant la composition des po\u00e8mes lyriques et dramatiques ou bien la construction des vers. Mais on peut trouver qu\u2019il a assez vieilli dans ce sens avec la chose m\u00eame, pour lui donner un autre emploi. Tous les arts admettaient, nagu\u00e8re, d\u2019\u00eatre soumis chacun selon sa nature, \u00e0 certaines formes ou modes obligatoires qui s\u2019imposaient \u00e0 toutes les \u0153uvres du m\u00eame genre, et qui pouvaient et devaient s\u2019apprendre, comme l\u2019on fait la syntaxe d\u2019une langue. On ne consentait pas que les effets qu\u2019une \u0153uvre peut produire, si puissants ou si heureux fussent-ils, fussent des gages suffisants pour justifier cet ouvrage et lui assurer une valeur universelle. Le fait n\u2019emportait pas le droit. On avait reconnu, de tr\u00e8s bonne heure, qu\u2019il y avait dans chacun des arts des pratiques \u00e0 recommander, des observances et des restrictions favorables au meilleur succ\u00e8s du dessein de l\u2019artiste, et qu\u2019 il \u00e9tait de son int\u00e9r\u00eat de conna\u00eetre et de respecter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais, peu \u00e0 peu, et de par l\u2019autorit\u00e9 de tr\u00e8s grands hommes, l\u2019id\u00e9e d\u2019une sorte de l\u00e9galit\u00e9 s\u2019est introduite et substitu\u00e9e aux recommandations d\u2019origine empirique du d\u00e9but. On raisonna, et la rigueur de la r\u00e8gle se fit. Elle s\u2019exprima en formules pr\u00e9cises; la critique en fut arm\u00e9e; et cette cons\u00e9quence paradoxale s\u2019ensuivit, qu\u2019une discipline des arts, qui opposait aux impulsions de l\u2019artiste des difficult\u00e9s raisonn\u00e9es, connut une grande et durable faveur \u00e0 cause de l\u2019extr\u00eame facilit\u00e9 qu\u2019elle donnait de juger et de classer les ouvrages, par simple r\u00e9f\u00e9rence \u00e0 un code ou \u00e0 un canon bien d\u00e9fini. Une autre facilit\u00e9 r\u00e9sultait de ces r\u00e8gles formelles, pour ceux qui songeaient \u00e0 produire. Des conditions tr\u00e8s \u00e9troites, et m\u00eame des conditions tr\u00e8s s\u00e9v\u00e8res, dispensent l\u2019artiste d\u2019une quantit\u00e9 de d\u00e9cisions des plus d\u00e9licates et le d\u00e9chargent de bien des responsabilit\u00e9s en mati\u00e8re de forme, en m\u00eame temps qu\u2019elles l\u2019excitent quelquefois \u00e0 des inventions auxquelles une enti\u00e8re libert\u00e9 ne l\u2019aurait jamais \u00e9conduit. Mais, qu\u2019on le d\u00e9plore ou qu\u2019on s\u2019en r\u00e9jouisse, l\u2019\u00e8re d\u2019autorit\u00e9 dans les arts est depuis assez longtemps r\u00e9volue, et le mot \u00ab Po\u00e9tique \u00bb n\u2019\u00e9veille gu\u00e8re plus que l\u2019id\u00e9e de prescriptions g\u00eanantes et surann\u00e9es. J\u2019ai donc cru pouvoir le reprendre dans un sens qui regarde \u00e0 l\u2019\u00e9tymologie, sans oser cependant le prononcer Po\u00ef\u00e9tique, dont la physiologie se sert quand elle parle de fonctions h\u00e9matopo\u00ef\u00e9tiques ou galactopo\u00ef\u00e9tiques. Mais c\u2019est enfin la notion toute simple de faire que je voulais exprimer. Le faire, le po\u00efen, dont je veux m\u2019occuper, est celui qui s\u2019ach\u00e8ve en quelque \u0153uvre et que je viendrai \u00e0 restreindre bient\u00f4t \u00e0 ce genre d\u2019\u0153uvres qu\u2019on est convenu d\u2019appeler \u0153uvres de l\u2019esprit. Ce sont celles que l\u2019esprit veut se faire pour son propre usage, en employant \u00e0 cette fin tous les moyens physiques qui lui peuvent servir. Comme l\u2019acte simple dont je parlais, toute \u0153uvre peut ou non nous induire \u00e0 m\u00e9diter sur cette g\u00e9n\u00e9ration, et donner ou non naissance \u00e0 une attitude interrogative plus ou moins prononc\u00e9e, plus ou moins exigeante, qui la constitue en probl\u00e8me. Une telle \u00e9tude ne s\u2019impose pas. Nous pouvons la juger vaine, et m\u00eame nous pouvons estimer cette pr\u00e9tention chim\u00e9rique. Davantage: certains esprits trouveront cette recherche non seulement vaine, mais nuisible; et m\u00eame, ils se devront, peut-\u00eatre, de la trouver telle. On con\u00e7oit, par exemple, qu\u2019un po\u00e8te puisse l\u00e9gitimement craindre d\u2019alt\u00e9rer ses vertus originelles, sa puissance imm\u00e9diate de production, par l\u2019analyse qu\u2019il en ferait. Il se refuse instinctivement \u00e0 les approfondir autrement que par l\u2019exercice de son art, et \u00e0 s\u2019en rendre plus enti\u00e8rement le ma\u00eetre par raison d\u00e9monstrative. Il est \u00e0 croire que notre acte le plus simple, notre geste le plus familier, ne pourrait s\u2019accomplir, et que le moindre de nos pouvoirs nous serait obstacle, si nous devions nous le rendre pr\u00e9sent \u00e0 l\u2019esprit et le conna\u00eetre \u00e0 fond pour l\u2019exercer.<\/p>\n<p>Achille ne peut vaincre la tortue s\u2019il songe \u00e0 l\u2019espace et au temps. Cependant, il peut arriver au contraire que l\u2019on prenne \u00e0 cette curiosit\u00e9 un int\u00e9r\u00eat si vif et qu\u2019on attache une importance si \u00e9minente \u00e0 la suivre, que l\u2019on soit entra\u00een\u00e9 \u00e0 consid\u00e9rer avec plus de complaisance, et m\u00eame avec plus de passion, l\u2019action qui fait, que la chose faite. C\u2019est en ce point, Messieurs, que ma t\u00e2che doit se diff\u00e9rencier n\u00e9cessairement de celle qu\u2019accomplit d\u2019une part l\u2019Histoire de la Litt\u00e9rature, d\u2019autre part la Critique des textes et celle des ouvrages. L\u2019Histoire de la Litt\u00e9rature recherche les circonstances ext\u00e9rieurement attest\u00e9es dans lesquelles les ouvrages furent compos\u00e9s, se manifest\u00e8rent et produisirent leurs effets. Elle nous renseigne sur les auteurs, sur les vicissitudes de leur vie et de leur \u0153uvre, en tant que choses visibles et qui ont laiss\u00e9 des traces que l\u2019on puisse relever, coordonner, interpr\u00e9ter. Elle recueille les traditions et les documents. Je n\u2019ai pas besoin de vous rappeler avec quelle \u00e9rudition et quelle originalit\u00e9 de vues, cet enseignement fut ici m\u00eame dispens\u00e9 par votre \u00e9minent coll\u00e8gue M. Abel Lefranc. Mais la connaissance des auteurs et de leur temps, l\u2019\u00e9tude de la succession des ph\u00e9nom\u00e8nes litt\u00e9raires ne peut que nous exciter \u00e0 conjecturer ce qui a pu se passer dans l\u2019intime de ceux qui ont fait ce qu\u2019il a fallu pour obtenir d\u2019\u00eatre inscrits dans les fastes de l\u2019Histoire des Lettres. S\u2019ils l\u2019ont obtenu, c\u2019est par le concours de deux conditions que l\u2019on peut toujours consid\u00e9rer comme ind\u00e9pendantes: l\u2019une est n\u00e9cessairement la production m\u00eame de l\u2019\u0153uvre; l\u2019autre est la production d\u2019une certaine valeur de l\u2019\u0153uvre, par ceux qui ont connu, go\u00fbt\u00e9 l\u2019\u0153uvre produite, qui en ont impos\u00e9 la renomm\u00e9e et assur\u00e9 la transmission, la conservation, la vie ult\u00e9rieure. Je viens de prononcer les mots de \u00abvaleur\u00bb et de \u00abproduction\u00bb. Je m\u2019y arr\u00eate un instant. Si l\u2019on veut entreprendre l\u2019exploration du domaine de l\u2019esprit cr\u00e9ateur, il ne faut pas craindre de se tenir d\u2019abord dans les consid\u00e9rations les plus g\u00e9n\u00e9rales qui sont celles qui nous permettront de nous avancer sans \u00eatre oblig\u00e9s \u00e0 trop de retours sur nos pas, et qui nous offriront aussi le plus grand nombre d\u2019analogies, c\u2019est-\u00e0-dire, le plus grand nombre d\u2019expressions approch\u00e9es pour la description de faits et d\u2019id\u00e9es qui \u00e9chappent le plus souvent par leur nature m\u00eame, \u00e0 toute tentative de d\u00e9finition directe. C\u2019est pourquoi je fais la remarque de cet emprunt de quelques mots \u00e0 l\u2019\u00c9conomie: il me sera peut- \u00eatre commode d\u2019assembler sous les seuls noms de production et de producteur, les diverses activit\u00e9s et les divers personnages dont nous aurons \u00e0 nous occuper, si nous voulons traiter de ce qu\u2019ils ont de commun, sans distinguer entre leurs diff\u00e9rentes esp\u00e8ces. Il ne sera pas moins commode avant de sp\u00e9cifier que l\u2019on parle de lecteur ou d\u2019auditeur ou de spectateur, de confondre tous ces supp\u00f4ts des \u0153uvres de tous genres, sous le nom \u00e9conomique de consommateur. Quant \u00e0 la notion de valeur, on sait bien qu\u2019elle joue dans l\u2019univers de l\u2019esprit un r\u00f4le de premier ordre, comparable \u00e0 celui qu\u2019elle joue dans le monde \u00e9conomique, quoique la valeur spirituelle soit beaucoup plus subtile que l\u2019\u00e9conomique, puisqu\u2019elle est li\u00e9e \u00e0 des besoins infiniment plus vari\u00e9s et non d\u00e9nombrables, comme le sont les besoins de l\u2019existence physiologique. Si nous connaissons encore l\u2019Iliade, et si l\u2019or est demeur\u00e9, apr\u00e8s tant de si\u00e8cles, un corps (plus ou moins simple) mais assez remarquable et g\u00e9n\u00e9ralement v\u00e9n\u00e9r\u00e9, c\u2019est que la raret\u00e9, l\u2019inimitabilit\u00e9 et quelques autres propri\u00e9t\u00e9s distinguent l\u2019or et l\u2019Iliade, et en font des objets privil\u00e9gi\u00e9s, des \u00e9talons de valeur. Sans insister sur ma comparaison \u00e9conomique, il est clair que l\u2019id\u00e9e de travail, les id\u00e9es de cr\u00e9ation et d\u2019accumulation de richesse, d\u2019offre et de demande, se pr\u00e9sentent tr\u00e8s naturellement dans le domaine qui nous int\u00e9resse. Tant par leur similitude que par leurs diff\u00e9rentes applications, ces notions de m\u00eames noms nous rappellent que dans deux ordres de faits qui semblent tr\u00e8s \u00e9loign\u00e9s les uns des autres, se posent les probl\u00e8mes de la relation des personnes avec leur milieu social. D\u2019ailleurs, comme il existe une analogie \u00e9conomique, et par les m\u00eames motifs, il existe aussi une analogie politique entre les ph\u00e9nom\u00e8nes de la vie intellectuelle organis\u00e9e et ceux de la vie publique. Il y a toute une politique du pouvoir intellectuel, une politique int\u00e9rieure (tr\u00e8s int\u00e9rieure, s\u2019entend), et une politique ext\u00e9rieure, celle-ci \u00e9tant du ressort de l\u2019Histoire litt\u00e9raire dont elle devrait faire l\u2019un des principaux objets. Politique et \u00e9conomique ainsi g\u00e9n\u00e9ralis\u00e9es sont donc des notions qui, d\u00e8s notre premier regard sur l\u2019univers de l\u2019esprit, et quand nous pouvions nous attendre \u00e0 le consid\u00e9rer comme un syst\u00e8me parfaitement isolable pendant la phase de formation des \u0153uvres, s\u2019imposent et paraissent profond\u00e9ment pr\u00e9sentes dans la plupart de ces cr\u00e9ations, et toujours instantes dans le voisinage de ces actes. Au cours m\u00eame de la pens\u00e9e du savant ou de l\u2019artiste le plus absorb\u00e9 dans sa recherche, et qui semble le plus retranch\u00e9 dans sa sph\u00e8re propre, en t\u00eate \u00e0 t\u00eate avec ce qu\u2019il est de plus soi et de plus impersonnel, existe je ne sais quel pressentiment des r\u00e9actions ext\u00e9rieures que provoquera l\u2019\u0153uvre en formation : l\u2019homme est difficilement seul.<\/p>\n<p>Cette action de pr\u00e9sence doit toujours se supposer sans crainte d\u2019erreur ; mais elle se compose si subtilement avec les autres facteurs de l\u2019ouvrage, parfois elle se d\u00e9guise si bien, qu\u2019il est presque impossible de l\u2019isoler. Nous savons toutefois que le vrai sens de tel choix ou de tel effort d\u2019un cr\u00e9ateur est souvent hors de la cr\u00e9ation elle-m\u00eame, et r\u00e9sulte d\u2019un souci plus ou moins conscient de l\u2019effet qui sera produit et de ses cons\u00e9quences pour le producteur. Ainsi, pendant son travail, l\u2019esprit se porte et se reporte incessamment du M\u00eame \u00e0 l\u2019Autre; et modifie ce que produit son \u00eatre le plus int\u00e9rieur, par cette sensation particuli\u00e8re du jugement des tiers. Et donc, dans nos r\u00e9flexions sur une \u0153uvre, nous pouvons prendre l\u2019une ou l\u2019autre de ces deux attitudes qui s\u2019excluent. Si nous entendons proc\u00e9der avec autant de rigueur qu\u2019une telle mati\u00e8re en admet, nous devons nous astreindre \u00e0 s\u00e9parer tr\u00e8s soigneusement notre recherche de la g\u00e9n\u00e9ration d\u2019une \u0153uvre, de notre \u00e9tude de, la production de sa valeur, c\u2019est-\u00e0-dire des effets qu\u2019elle peut engendrer ici ou l\u00e0, dans telle ou telle t\u00eate, \u00e0 telle ou telle \u00e9poque. Il suffit, pour le d\u00e9montrer, de remarquer que ce que nous pouvons v\u00e9ritablement savoir ou croire savoir en tous domaines, n\u2019est autre chose que ce que nous pouvons ou observer ou faire nous-m\u00eames, et qu\u2019il est impossible d\u2019assembler dans un m\u00eame \u00e9tat et dans une m\u00eame attention, l\u2019observation de l\u2019esprit qui produit l\u2019ouvrage, et l\u2019observation de l\u2019esprit qui produit quelque valeur de cet ouvrage. Il n\u2019y a pas de regard capable d\u2019observer \u00e0 la fois ces deux fonctions; producteur et consommateur sont deux syst\u00e8mes essentiellement s\u00e9par\u00e9s. L\u2019\u0153uvre est pour l\u2019un le terme ; pour l\u2019autre, l\u2019origine de d\u00e9veloppements qui peuvent \u00eatre aussi \u00e9trangers que l\u2019on voudra, l\u2019un \u00e0 l\u2019autre. Il faut en conclure que tout jugement qui annonce une relation \u00e0 trois termes, entre le producteur, l\u2019\u0153uvre et le consommateur, \u2013 et les jugements de ce genre ne sont pas rares dans la critique \u2013 est un jugement illusoire qui ne peut recevoir aucun sens et que la r\u00e9flexion ruine \u00e0 peine elle s\u2019y applique. Nous ne pouvons consid\u00e9rer que la relation de l\u2019\u0153uvre \u00e0 son producteur, ou bien la relation de l\u2019\u0153uvre \u00e0 celui qu\u2019elle modifie une fois faite. L\u2019action du premier et la r\u00e9action du second ne peuvent jamais se confondre. Les id\u00e9es que l\u2019un et l\u2019autre se font de l\u2019ouvrage sont incompatibles. Il en r\u00e9sulte des surprises tr\u00e8s fr\u00e9quentes dont quelques-unes sont avantageuses. Il y a des malentendus cr\u00e9ateurs. Et il y a quantit\u00e9 d\u2019effets \u2013 et des plus puissants, \u2013 qui exigent l\u2019absence de toute correspondance directe entre les deux activit\u00e9s int\u00e9ress\u00e9es. Telle \u0153uvre, par exemple, est le fruit de longs soins, et elle assemble une quantit\u00e9 d\u2019essais, de reprises, d\u2019\u00e9liminations et de choix. Elle a demand\u00e9 des mois et m\u00eame des ann\u00e9es de r\u00e9flexion, et elle peut supposer aussi l\u2019exp\u00e9rience et les acquisitions de toute une vie. Or, l\u2019effet de cette \u0153uvre se d\u00e9clarera en quelques instants. Un coup d\u2019oeil suffira \u00e0 appr\u00e9cier un monument consid\u00e9rable, \u00e0 en ressentir le choc. En deux heures, tous les calculs du po\u00e8te tragique, tout le labeur qu\u2019il a d\u00e9pens\u00e9 pour ordonner sa pi\u00e8ce et en former un \u00e0 un chaque vers; ou bien toutes les combinaisons d\u2019harmonie et d\u2019orchestre qu\u2019a construites le compositeur; ou bien toutes les m\u00e9ditations du philosophe et les ann\u00e9es pendant lesquelles il a retard\u00e9, retenu ses pens\u00e9es, attendant qu\u2019il en aper\u00e7oive et en accepte l\u2019ordonnance d\u00e9finitive, tous ces actes de foi, tous ces actes de choix, toutes ces transactions mentales viennent enfin \u00e0 l\u2019\u00e9tat d\u2019\u0153uvre faite, frapper, \u00e9tonner, \u00e9blouir ou d\u00e9concerter l\u2019esprit de l\u2019Autre, brusquement soumis \u00e0 l\u2019excitation de cette charge \u00e9norme de travail intellectuel. Il y a l\u00e0 une action de d\u00e9mesure. On peut (tr\u00e8s grossi\u00e8rement s\u2019entend), comparer cet effet \u00e0 celui de la chute en quelques secondes d\u2019une masse que l\u2019on aurait \u00e9lev\u00e9e, fragment par fragment, au haut d\u2019une tour sans regarder au temps ni au nombre des voyages. On obtient ainsi l\u2019impression d\u2019une puissance surhumaine. Mais l\u2019effet, vous le savez, ne se produit pas toujours; il arrive, dans cette m\u00e9canique intellectuelle, que la tour soit trop haute, la masse trop grande et que l\u2019on observe un r\u00e9sultat nul ou n\u00e9gatif. Supposons, au contraire, le grand effet produit. Les personnes qui l\u2019ont subi et qui ont \u00e9t\u00e9 comme accabl\u00e9es par la puissance, par les perfections par le nombre des coups heureux, des belles surprises accumul\u00e9es, ne peuvent, ni ne doivent, se figurer tout le travail interne, les possibilit\u00e9s \u00e9gren\u00e9es, les longs pr\u00e9l\u00e8vements d\u2019\u00e9l\u00e9ments favorables, les raisonnements d\u00e9licats dont les conclusions prennent l\u2019apparence de divinations, en un mot, la quantit\u00e9 de vie int\u00e9rieure qui fut trait\u00e9e par le chimiste de l\u2019esprit producteur ou tri\u00e9e dans le chaos mental par un d\u00e9mon \u00e0 la Maxwell; et ces personnes sont donc port\u00e9es \u00e0 imaginer un \u00eatre aux immenses pouvoirs, capable de cr\u00e9er ces prodiges sans autre effort que celui qu\u2019il faut pour \u00e9mettre quoi que ce soit. Ce que l\u2019\u0153uvre nous produit alors est incommensurable avec nos propres facult\u00e9s de production instantan\u00e9e. D\u2019ailleurs, certains \u00e9l\u00e9ments de l\u2019ouvrage qui sont venus \u00e0 l\u2019auteur par quelque hasard favorable, seront attribu\u00e9s \u00e0 une vertu singuli\u00e8re de son esprit. C\u2019est ainsi que le consommateur devient producteur \u00e0 son tour producteur, d\u2019abord, de la valeur de l\u2019ouvrage ; et ensuite, en vertu d\u2019une application imm\u00e9diate du principe de causalit\u00e9 (qui n\u2019est au fond qu\u2019une expression na\u00efve de l\u2019un des modes de production par l\u2019esprit), il devient producteur de la valeur de l\u2019\u00eatre imaginaire qui a fait ce qu\u2019il admire. Peut-\u00eatre, si les grands hommes \u00e9taient aussi conscients qu\u2019ils sont grands, il n\u2019y aurait pas de grands hommes pour soi-m\u00eame.<\/p>\n<p>Ainsi, et c\u2019est o\u00f9 je voulais en venir, cet exemple, quoique tr\u00e8s particulier, nous fait comprendre que l\u2019ind\u00e9pendance ou l\u2019ignorance r\u00e9ciproque des pens\u00e9es et des conditions du producteur et du consommateur est presque essentielle aux effets des ouvrages. Le secret et la surprise que les tacticiens recommandent souvent dans leurs \u00e9crits sont ici naturellement assur\u00e9s. En r\u00e9sum\u00e9, quand nous parlons d\u2019\u0153uvres de l\u2019esprit, nous entendons, ou bien le terme d\u2019une certaine activit\u00e9, ou bien l\u2019origine d\u2019une certaine autre activit\u00e9 et cela fait deux ordres de modifications incommunicables dont chacun nous demande une accommodation sp\u00e9ciale incompatible avec l\u2019autre. Reste l\u2019\u0153uvre m\u00eame, en tant que chose sensible. C\u2019est l\u00e0 une troisi\u00e8me consid\u00e9ration, bien diff\u00e9rente des deux autres. Nous regardons alors une \u0153uvre comme un objet, purement objet, c\u2019est-\u00e0 dire sans y rien mettre de nous-m\u00eames que ce qui se peut appliquer indistinctement \u00e0 tous les objets: attitude qui se marque assez par l\u2019absence de toute production de valeur. Que pouvons-nous sur cet objet qui, cette fois, ne peut rien sur nous? Mais nous pouvons sur lui. Nous pouvons le mesurer selon sa nature, spatiale ou temporelle, compter les mots d\u2019un texte ou les syllabes d\u2019un vers; constater que tel livre a paru \u00e0 telle \u00e9poque; que telle composition d\u2019un tableau est un d\u00e9calque de telle autre; qu\u2019il y a un h\u00e9mistiche chez Lamartine qui existe chez Thomas, et que telle page de Victor Hugo appartient, d\u00e8s 1645, \u00e0 un obscur P\u00e8re Fran\u00e7ois. Nous pouvons relever que tel raisonnement est un paralogisme; que ce sonnet est incorrect; que le dessin de ce bras est un d\u00e9fi \u00e0 l\u2019anatomie, et tel emploi de mots, insolite. Tout ceci est le r\u00e9sultat d\u2019op\u00e9rations qu\u2019on peut assimiler \u00e0 des op\u00e9rations purement mat\u00e9rielles, puisqu\u2019elles reviennent \u00e0 des mani\u00e8res de superposition de l\u2019\u0153uvre, ou de fragments de l\u2019\u0153uvre, \u00e0 quelque mod\u00e8le. Ce traitement des \u0153uvres de l\u2019esprit ne les distingue pas de toutes les \u0153uvres possibles. Il les place et les retient au rang des choses et il leur impose une existence d\u00e9finissable. Voil\u00e0 le point qu\u2019il faut retenir: Tout ce que nous pouvons d\u00e9finir se distingue aussit\u00f4t de l\u2019esprit producteur et s\u2019y oppose. L\u2019esprit en fait du m\u00eame coup l\u2019\u00e9quivalent d\u2019une mati\u00e8re sur quoi il peut op\u00e9rer ou d\u2019un instrument par quoi il peut op\u00e9rer. Ce qu\u2019il a bien d\u00e9fini, l\u2019esprit le place donc hors de ses atteintes, et c\u2019est en quoi il montre qu\u2019il se conna\u00eet et qu\u2019il ne se fie qu\u2019\u00e0 ce qui n\u2019est pas lui.<\/p>\n<p>Ces distinctions dans la notion d\u2019\u0153uvre, que je viens de vous proposer, et qui la divisent, non par recherche de subtilit\u00e9, mais par la r\u00e9f\u00e9rence la plus facile \u00e0 des observations imm\u00e9diates, tendent \u00e0 mettre en \u00e9vidence l\u2019id\u00e9e qui va me servir \u00e0 introduire mon analyse de la production des \u0153uvres de l\u2019esprit. Tout ce que j\u2019ai dit jusqu\u2019ici se resserre en ces quelques mots: l\u2019\u0153uvre de l\u2019esprit n\u2019existe qu\u2019en acte. Hors de cet acte, ce qui demeure n\u2019est qu\u2019un objet qui n\u2019offre avec l\u2019esprit aucune relation particuli\u00e8re. Transportez la statue que vous admirez chez un peuple suffisamment diff\u00e9rent du n\u00f4tre elle n\u2019est qu\u2019une pierre insignifiante. Un Parth\u00e9non n\u2019est qu\u2019une petite carri\u00e8re de marbre. Et quand un texte de po\u00e8te est utilis\u00e9 comme recueil de difficult\u00e9s grammaticales ou d\u2019exemples, il cesse aussit\u00f4t d\u2019\u00eatre une \u0153uvre de l\u2019esprit, puisque l\u2019usage qu\u2019on en fait est enti\u00e8rement \u00e9tranger aux conditions de sa g\u00e9n\u00e9ration, et qu\u2019on lui refuse d\u2019autre part la valeur de consommation qui donne un sens \u00e0 cet ouvrage. Un po\u00e8me sur le papier n\u2019est rien qu\u2019une \u00e9criture soumise \u00e0 tout ce qu\u2019on peut faire d\u2019une \u00e9criture. Mais parmi toutes ses possibilit\u00e9s, il en est une, et une seule, qui place enfin ce texte dans les conditions o\u00f9 il prendra force et forme d\u2019action. Un po\u00e8me est un discours qui exige et qui entra\u00eene une liaison continu\u00e9e entre la voix qui est et la voix qui vient et qui doit venir. Et cette voix doit \u00eatre telle qu\u2019elle s\u2019impose, et qu\u2019elle excite l\u2019\u00e9tat affectif dont le texte soit l\u2019unique expression verbale. Otez la voix et la voix qu\u2019il faut, tout devient arbitraire. Le po\u00e8me se change en une suite de signes qui ne sont li\u00e9s que pour \u00eatre mat\u00e9riellement trac\u00e9s les uns apr\u00e8s les autres. Par ces motifs, je ne cesserai de condamner la pratique d\u00e9testable qui consiste \u00e0 abuser des \u0153uvres les mieux faites pour cr\u00e9er, et d\u00e9velopper le sentiment de la po\u00e9sie chez les jeunes gens, \u00e0 traiter les po\u00e8mes comme des choses, \u00e0 les d\u00e9couper comme si la composition n\u2019\u00e9tait rien, \u00e0 souffrir, sinon \u00e0 exiger, qu\u2019ils soient r\u00e9cit\u00e9s de la sorte que l\u2019on sait, employ\u00e9s comme \u00e9preuves de m\u00e9moire ou d\u2019orthographe; en un mot, \u00e0 faire abstraction de l\u2019essentiel de ces ouvrages, de ce qui fait qu\u2019ils sont ce qu\u2019ils sont, et non tout autres, et qui leur donne leur vertu propre et leur n\u00e9cessit\u00e9. C\u2019est l\u2019ex\u00e9cution du po\u00e8me qui est le po\u00e8me. En dehors d\u2019elle, ce sont des fabrications inexplicables, que ces suites de paroles curieusement assembl\u00e9es. Les \u0153uvres de l\u2019esprit, po\u00e8mes ou autres, ne se rapportent qu\u2019\u00e0 ce qui fait na\u00eetre ce qui les fit na\u00eetre elles-m\u00eames, et absolument \u00e0 rien d\u2019autre. Sans doute, des divergences peuvent se manifester entre les interpr\u00e9tations po\u00e9tiques d\u2019un po\u00e8me, entre les impressions et les significations ou plut\u00f4t entre les r\u00e9sonances que provoquent, chez l\u2019un ou chez l\u2019autre, l\u2019action de l\u2019ouvrage. Mais voici que cette remarque banale doit prendre, \u00e0 la r\u00e9flexion, une importance de premi\u00e8re grandeur: cette diversit\u00e9 possible des effets l\u00e9gitimes d\u2019une \u0153uvre, est la marque m\u00eame de l\u2019esprit. Elle correspond, d\u2019ailleurs, \u00e0 la pluralit\u00e9 des voies qui se sont offertes \u00e0 l\u2019auteur pendant son travail de production. C\u2019est que tout acte de l\u2019esprit m\u00eame est toujours comme accompagn\u00e9 d\u2019une certaine atmosph\u00e8re d\u2019ind\u00e9termination plus ou moins sensible. Je m\u2019excuse de cette expression. Je n\u2019en trouve pas de meilleure. Pla\u00e7ons-nous dans l\u2019\u00e9tat o\u00f9 nous transporte une \u0153uvre, de celles qui nous contraignent \u00e0 les d\u00e9sirer d\u2019autant plus que nous les poss\u00e9dons davantage, ou qu\u2019elles nous poss\u00e8dent davantage. Nous nous trouvons alors partag\u00e9s entre des sentiments naissants dont l\u2019alternance et le contraste, sont bien remarquables. Nous sentons, d\u2019une part, que l\u2019ouvrage qui agit sur nous nous convient de si pr\u00e8s que nous ne pouvons le concevoir diff\u00e9rent. M\u00eame dans certains cas de supr\u00eame contentement, nous \u00e9prouvons que nous nous transformons en quelque mani\u00e8re profonde, pour nous faire celui dont la sensibilit\u00e9 est capable de telle pl\u00e9nitude de d\u00e9lice et de compr\u00e9hension imm\u00e9diate. Mais nous ne sentons pas moins fortement, et comme par un tout autre sens, que le ph\u00e9nom\u00e8ne qui cause et d\u00e9veloppe en nous cet \u00e9tat, qui nous en inflige la puissance, aurait pu ne pas \u00eatre, et m\u00eame, aurait d\u00fb ne pas \u00eatre, et se classe dans l\u2019improbable. Cependant que notre jouissance ou notre joie est forte, forte comme un fait, \u2013 l\u2019existence et la formation du moyen, de l\u2019\u0153uvre g\u00e9n\u00e9ratrice \u2013 de notre sensation, nous semblent accidentelles. Cette existence nous appara\u00eet l\u2019effet d\u2019un hasard extraordinaire, d\u2019un don somptueux de la fortune, et c\u2019est en quoi (n\u2019oublions pas de le remarquer) une analogie particuli\u00e8re se d\u00e9couvre entre cet effet d\u2019une oeuvre d\u2019art et celui de certains aspects de la nature: accident g\u00e9ologique, ou combinaisons passag\u00e8res de lumi\u00e8re et de vapeur dans le ciel du soir. Parfois, nous ne pouvons imaginer qu\u2019un certain homme comme nous soit l\u2019auteur d\u2019un bienfait si extraordinaire, et la gloire que nous lui donnons est l\u2019expression de notre impuissance. Mais quel que soit le d\u00e9tail de ces jeux ou de ces drames qui s\u2019accomplissent dans le producteur, tout doit s\u2019achever dans l\u2019\u0153uvre visible, et trouver par ce fait m\u00eame une d\u00e9termination finale absolue. Cette fin est l\u2019aboutissement, d\u2019une suite de modifications int\u00e9rieures aussi d\u00e9sordonn\u00e9es que l\u2019on voudra, mais qui doivent n\u00e9cessairement se r\u00e9soudre au moment o\u00f9 la main agit, en un commandement unique, heureux ou non. Or, cette main, cette action ext\u00e9rieure, r\u00e9sout n\u00e9cessairement bien ou mal l\u2019\u00e9tat d\u2019ind\u00e9termination dont je parlais. L\u2019esprit qui produit semble ailleurs, chercher \u00e0 imprimer \u00e0 son ouvrage des caract\u00e8res tout oppos\u00e9s aux siens propres. Il semble fuir dans une \u0153uvre l\u2019instabilit\u00e9, l\u2019incoh\u00e9rence, l\u2019incons\u00e9quence qu\u2019il se conna\u00eet et qui constituent son r\u00e9gime le plus fr\u00e9quent. Et donc, il agit contre les interventions en tous sens et de toute esp\u00e8ce qu\u2019il doit subir \u00e0 chaque instant. Il r\u00e9sorbe la vari\u00e9t\u00e9 infinie des incidents; il rebute les substitutions quelconques d\u2019images, de sensations, d\u2019impulsions et d\u2019id\u00e9es qui traversent les autres id\u00e9es. Il lutte contre ce qu\u2019il est oblig\u00e9 d\u2019admettre, de produire ou d\u2019\u00e9mettre ; et en somme, contre sa nature et son activit\u00e9 accidentelle et instantan\u00e9e. Pendant sa m\u00e9ditation, il, bourdonne lui-m\u00eame autour de son propre point de rep\u00e8re. Tout lui est bon pour se divertir. Saint Bernard observait: \u00abOdoratus impedit cogitationem\u00bb . M\u00eame dans la t\u00eate la plus solide la contradiction est la r\u00e8gle; la cons\u00e9quence correcte est l\u2019exception. Et cette correction elle-m\u00eame est un artifice de logicien, artifice qui consiste, comme tous ceux qu\u2019invente l\u2019esprit contre soi-m\u00eame, \u00e0 mat\u00e9rialiser les \u00e9l\u00e9ments de pens\u00e9e, ce qu\u2019il appelle les \u00abconcepts\u00bb, sous forme de cercles ou de domaines, \u00e0 donner une dur\u00e9e ind\u00e9pendante des vicissitudes de l\u2019esprit \u00e0 ces objets intellectuels, car la logique, apr\u00e8s tout, n\u2019est qu\u2019une sp\u00e9culation sur la permanence des notations. Mais voici une circonstance bien \u00e9tonnante: cette dispersion, toujours imminente, importe et concourt \u00e0 la production de l\u2019ouvrage presque autant que la concentration elle-m\u00eame. L\u2019esprit \u00e0 l\u2019\u0153uvre, qui lutte contre sa mobilit\u00e9, contre son inqui\u00e9tude constitutionnelle et sa diversit\u00e9 propre, contre la dissipation ou la d\u00e9gradation naturelle de toute attitude sp\u00e9cialis\u00e9e, trouve, d\u2019autre part, dans cette condition m\u00eame, des ressources incomparables. L\u2019instabilit\u00e9, l\u2019incoh\u00e9rence, l\u2019incons\u00e9quence dont je parlais, qui lui sont des g\u00eanes et des limites dans son entreprise de construction ou de composition bien suivie, lui sont tout aussi bien des tr\u00e9sors de possibilit\u00e9s dont il pressent la richesse au voisinage du moment m\u00eame o\u00f9 il se consulte. Ce lui sont des r\u00e9serves desquelles il peut tout attendre, des raisons d\u2019esp\u00e9rer que la solution, le signal, l\u2019image, le mot qui manque sont plus proches de lui qu\u2019il ne le voit. Il peut toujours pressentir dans sa p\u00e9nombre, la v\u00e9rit\u00e9 ou la d\u00e9cision recherch\u00e9e, qu\u2019il sait \u00eatre \u00e0 la merci d\u2019un rien, de ce m\u00eame d\u00e9rangement insignifiant qui paraissait l\u2019en distraire et l\u2019en \u00e9loigner ind\u00e9finiment. Parfois ce que nous souhaitons voir para\u00eetre \u00e0 notre pens\u00e9e (et m\u00eame, un simple souvenir), nous est comme un objet pr\u00e9cieux que nous tiendrions et palperions au travers d\u2019une \u00e9toffe qui l\u2019enveloppe et qui le cache \u00e0 nos yeux. Il est, et il n\u2019est pas \u00e0 nous, et le moindre incident le d\u00e9voile. Parfois nous invoquons ce qui devrait \u00eatre, l\u2019ayant d\u00e9fini par des conditions. Nous le demandons, arr\u00eat\u00e9s devant je ne sais quel ensemble d\u2019\u00e9l\u00e9ments qui nous sont \u00e9galement imminents, et dont aucun ne se d\u00e9tache encore pour satisfaire notre exigence. Nous implorons de notre esprit une manifestation d\u2019in\u00e9galit\u00e9. Nous nous pr\u00e9sentons notre d\u00e9sir comme l\u2019on oppose un aimant \u00e0 la confusion d\u2019une poudre compos\u00e9e, de laquelle un grain de fer se d\u00e9m\u00ealera tout \u00e0 coup. Il semble qu\u2019il y ait dans cet ordre des choses mentales, quelques relations tr\u00e8s myst\u00e9rieuses entre le d\u00e9sir et l\u2019\u00e9v\u00e9nement. Je ne veux pas dire que le d\u00e9sir de l\u2019esprit cr\u00e9e une sorte de champ, bien plus complexe qu\u2019un champ magn\u00e9tique, et qui e\u00fbt le pouvoir d\u2019appeler ce qui nous convient. Cette image n\u2019est qu\u2019une mani\u00e8re d\u2019exprimer un fait d\u2019observation, sur lequel je reviendrai plus tard. Mais, quelles que soient la nettet\u00e9, l\u2019\u00e9vidence, la force, la beaut\u00e9 de l\u2019\u00e9v\u00e9nement spirituel qui termine notre attente, qui ach\u00e8ve notre pens\u00e9e o\u00f9 l\u00e8ve notre doute, rien n\u2019est encore irr\u00e9vocable.. Ici, l\u2019instant suivant a pouvoir absolu sur le produit de l\u2019instant pr\u00e9c\u00e9dent. C\u2019est que l\u2019esprit r\u00e9duit \u00e0 sa seule substance ne dispose pas du fini, et qu\u2019il ne peut absolument pas se lier lui m\u00eame. Quand nous disons que notre avis sur tel point est d\u00e9finitif, nous le disons pour le faire tel : nous avons recours aux autres. Le son de notre voix nous assure beaucoup plus que ce ferme propos int\u00e9rieur qu\u2019elle pr\u00e9tend tout haut que nous formons. Quand nous jugeons avoir achev\u00e9 quelque pens\u00e9e, nous ne nous sentons jamais assur\u00e9s que nous pourrions nous y reprendre sans parfaire ou sans ruiner ce que nous avons arr\u00eat\u00e9. C\u2019est par quoi la vie de l\u2019esprit se divise contre elle-m\u00eame aussit\u00f4t qu\u2019elle s\u2019applique \u00e0 une \u0153uvre. Toute \u0153uvre exige des actions volontaires (quoiqu\u2019elle comporte toujours quantit\u00e9 de constituants dans lesquels ce que nous appelons volont\u00e9 n\u2019a aucune part). Mais notre volont\u00e9, notre pouvoir exprim\u00e9, quand il tente de se tourner vers notre esprit m\u00eame, et de s\u2019en faire ob\u00e9ir, se r\u00e9duisent toujours \u00e0 un simple arr\u00eat, au maintien ou bien au renouvellement de quelques conditions. En effet, nous ne pouvons agir directement que sur la libert\u00e9 du syst\u00e8me de notre esprit. Nous abaissons le degr\u00e9 de cette libert\u00e9, mais quant au reste, je veux dire quant aux modifications et aux substitutions que cette contrainte laisse possibles, nous attendons simplement que ce que nous d\u00e9sirons se produise, car nous ne pouvons que l\u2019attendre. Nous n\u2019avons aucun moyen d\u2019atteindre exactement en nous ce que nous souhaitons en obtenir. Car cette exactitude, ce r\u00e9sultat que nous esp\u00e9rons et notre d\u00e9sir, sont de m\u00eame substance mentale et peut-\u00eatre se g\u00eanent-ils l\u2019un l\u2019autre par leur activit\u00e9 simultan\u00e9e. On sait qu\u2019il arrive assez souvent que la solution d\u00e9sir\u00e9e nous vienne apr\u00e8s un temps de d\u00e9sint\u00e9ressement du probl\u00e8me, et comme la r\u00e9compense de la libert\u00e9 rendue \u00e0 notre esprit. Ce que je viens de dire et qui s\u2019applique plus sp\u00e9cialement au producteur, est v\u00e9rifiable aussi chez le consommateur de l\u2019\u0153uvre. Chez celui-ci, la production de valeur, qui sera, par exemple, la compr\u00e9hension, l\u2019int\u00e9r\u00eat excit\u00e9, l\u2019effort qu\u2019il d\u00e9pensera pour une possession plus enti\u00e8re de l\u2019\u0153uvre, donnerait lieu \u00e0 des observations analogues.<\/p>\n<p>Que je m\u2019encha\u00eene \u00e0 la page que je dois \u00e9crire ou \u00e0 celle que je veux entendre, j\u2019entre dans les deux cas dans une phase de moindre libert\u00e9. Mais dans les deux cas, cette restriction de ma libert\u00e9 peut se pr\u00e9senter sous deux esp\u00e8ces tout oppos\u00e9es. Tant\u00f4t ma t\u00e2che m\u00eame m\u2019excite \u00e0 la poursuivre, et, loin de la ressentir comme une peine, comme un \u00e9cart du cours le plus naturel de mon esprit, je m\u2019y livre, et m\u2019avance avec tant de vie dans la voie que se fait mon dessein que la sensation de la fatigue en est diminu\u00e9e, jusqu\u2019au moment qu\u2019elle obnubile tout \u00e0 coup v\u00e9ritablement la pens\u00e9e, et brouille le jeu des id\u00e9es pour reconstituer le d\u00e9sordre des \u00e9changes normaux \u00e0 courte p\u00e9riode, l\u2019\u00e9tat d\u2019indiff\u00e9rence dispersive et reposante. Mais tant\u00f4t, la contrainte est au premier plan, le maintien de la direction de plus en plus p\u00e9nible, le travail devient plus sensible que son effet, le moyen s\u2019oppose \u00e0 la fin, et la tension de l\u2019esprit doit \u00eatre aliment\u00e9e par des ressources de plus en plus pr\u00e9caires et de plus en plus \u00e9trang\u00e8res \u00e0 l\u2019objet id\u00e9al dont il faut entretenir la puissance et l\u2019action, au prix d\u2019une fatigue rapidement insupportable. C\u2019est l\u00e0 un grand contraste entre deux applications de notre esprit. Il va me servir \u00e0 vous montrer que le soin que j\u2019ai pris de sp\u00e9cifier qu\u2019il ne fallait consid\u00e9rer les \u0153uvres qu\u2019en acte ou de production ou de consommation, n\u2019avait rien que de conforme \u00e0 ce que l\u2019on peut observer; cependant que, d\u2019autre part, il nous procure le moyen de faire entre les \u0153uvres de l\u2019esprit une distinction tr\u00e8s importante. Parmi ces \u0153uvres, l\u2019usage cr\u00e9e une cat\u00e9gorie dite des \u0153uvres d\u2019art. Il n\u2019est pas tr\u00e8s facile de pr\u00e9ciser ce terme, si toutefois il est besoin de le pr\u00e9ciser. D\u2019abord je ne distingue rien, dans la production des \u0153uvres, qui me contraigne nettement \u00e0 cr\u00e9er une cat\u00e9gorie de l\u2019\u0153uvre d\u2019art. Je trouve un peu partout, dans les esprits, de l\u2019attention, des t\u00e2tonnements, de la clart\u00e9 inattendue et des nuits obscures, des improvisations et des essais, ou des reprises tr\u00e8s pressantes. Il y a, dans tous les foyers de l\u2019esprit, du feu et des cendres; la prudence et l\u2019imprudence; la m\u00e9thode et son contraire; le hasard sous mille formes. Artistes, savants, tous s\u2019identifient dans le d\u00e9tail de cette vie \u00e9trange de la pens\u00e9e. On peut dire qu\u2019\u00e0 chaque instant la diff\u00e9rence fonctionnelle des esprits en travail est indiscernable. Mais si l\u2019on porte le regard sur les effets des \u0153uvres faites, on d\u00e9couvre chez certaines une particularit\u00e9 qui les groupe et qui les oppose \u00e0 toutes les autres. Tel ouvrage que nous avons mis \u00e0 part se divise en parties enti\u00e8res, dont chacune comporte de quoi cr\u00e9er un d\u00e9sir et de quoi le satisfaire. L\u2019\u0153uvre nous offre dans chacune de ses parties, \u00e0 la fois l\u2019aliment et l\u2019excitant. Elle \u00e9veille continuellement en nous une soif et une source. En r\u00e9compense de ce que nous lui c\u00e9dons de notre libert\u00e9, elle nous donne l\u2019amour de la captivit\u00e9 qu\u2019elle nous impose et le sentiment d\u2019une sorte d\u00e9licieuse de connaissance imm\u00e9diate; et tout ceci, en d\u00e9pensant, \u00e0 notre grand contentement, notre propre \u00e9nergie qu\u2019elle \u00e9voque sur un mode si conforme au rendement le plus favorable de nos ressources organiques, que la sensation de l\u2019effort se fait elle-m\u00eame enivrante, et que nous nous sentons possesseurs pour \u00eatre magnifiquement poss\u00e9d\u00e9s. Alors plus nous donnons, plus voulons-nous donner, tout en croyant de recevoir. L\u2019illusion d\u2019agir, d\u2019exprimer, de d\u00e9couvrir, de comprendre, de r\u00e9soudre, de vaincre, nous anime. Tous ces effets qui vont quelquefois au prodige, sont tout instantan\u00e9s, comme tout ce qui dispose de la sensibilit\u00e9; ils attaquent par le plus court, les points strat\u00e9giques qui commandent notre vie affective, contraignent par elle notre disponibilit\u00e9 intellectuelle, ils acc\u00e9l\u00e8rent, ils suspendent, ou m\u00eame, r\u00e9gularisent les divers fonctionnements, dont l\u2019accord ou le d\u00e9saccord nous donne enfin toutes les modulations de la sensation de vivre, depuis le calme plat jusqu\u2019\u00e0 la temp\u00eate. Le seul timbre du violoncelle exerce chez bien des personnes une v\u00e9ritable domination visc\u00e9rale. Il y a des mots dont la fr\u00e9quence, chez un auteur, nous r\u00e9v\u00e8le qu\u2019ils sont en lui tout autrement dou\u00e9s de r\u00e9sonance, et, par cons\u00e9quent, de puissance positivement cr\u00e9atrice, qu\u2019ils ne le sont en g\u00e9n\u00e9ral. C\u2019est l\u00e0 un exemple de ces \u00e9valuations personnelles, de ces grandes valeurs-pour-unseul, qui jouent certainement un tr\u00e8s beau r\u00f4le dans une production de l\u2019esprit o\u00f9 la singularit\u00e9 est un \u00e9l\u00e9ment de premi\u00e8re importance. Ces consid\u00e9rations nous serviront \u00e0 \u00e9clairer un peu la constitution de la po\u00e9sie, qui est assez myst\u00e9rieuse. Il est \u00e9trange que l\u2019on s\u2019\u00e9vertue \u00e0 former un discours qui doive observer des conditions simultan\u00e9es parfaitement h\u00e9t\u00e9roclites: musicales, rationnelles, significatives, suggestives, et qui exigent une liaison suivie ou entretenue entre un rythme et une syntaxe, entre le son et le sens. Ces parties sont sans relations concevables entre elles. Il nous faut donner l\u2019illusion de leur intimit\u00e9 profonde. A quoi bon tout ceci ? L\u2019observance des rythmes, des rimes, de la m\u00e9lodie verbale g\u00eane les mouvements directs de ma pens\u00e9e, et voici que je ne peux plus dire ce que je veux&#8230; Mais qu\u2019est-ce donc que je veux? Voil\u00e0 la question. On conclut qu\u2019il faut ici vouloir ce que l\u2019on doit vouloir, pour que la pens\u00e9e, le langage et ses conventions, qui sont emprunt\u00e9es \u00e0 la vie ext\u00e9rieure, le rythme et les accents de la voix qui sont directement choses de l\u2019\u00eatre, s\u2019accordent, et cet accord exige des sacrifices r\u00e9ciproques dont le plus remarquable est celui que doit consentir la pens\u00e9e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u2019expliquerai un jour comment cette alt\u00e9ration se marque dans le langage des po\u00e8tes, et qu\u2019il y a un langage po\u00e9tique dans lequel les mots ne sont plus les mots de l\u2019usage pratique et libre. Ils ne s\u2019associent plus selon les m\u00eames attractions; ils sont charg\u00e9s de deux valeurs simultan\u00e9ment engag\u00e9es et d\u2019importance \u00e9quivalente: leur son et leur effet psychique instantan\u00e9. Ils font songer alors \u00e0 ces nombres complexes des g\u00e9om\u00e8tres, et l\u2019accouplement de la variable phon\u00e9tique avec la variable s\u00e9mantique engendre des probl\u00e8mes de prolongement et de convergence que les po\u00e8tes r\u00e9solvent les yeux band\u00e9s, \u2013 mais ils les r\u00e9solvent (et c\u2019est l\u00e0 l\u2019essentiel), de temps \u00e0 autre&#8230; De Temps \u00e0 Autre, voil\u00e0 le grand mot! Voil\u00e0 l\u2019incertitude, voil\u00e0 l\u2019in\u00e9galit\u00e9 des moments et des individus. C\u2019est l\u00e0 notre fait capital. Il faudra y revenir longuement, car tout l\u2019art, po\u00e9tique ou non, consiste \u00e0 se d\u00e9fendre contre cette in\u00e9galit\u00e9 du moment. Tout ce que je viens d\u2019\u00e9baucher dans cet examen sommaire de la notion g\u00e9n\u00e9rale de l\u2019\u0153uvre doit me conduire \u00e0 indiquer enfin le parti pris que j\u2019ai choisi en vue d\u2019explorer l\u2019immense domaine de la production des \u0153uvres de l\u2019esprit. Nous avons essay\u00e9, en quelques instants, de vous donner une id\u00e9e de la complexit\u00e9 de ces questions, dans lesquelles on peut dire que tout intervient \u00e0 la fois, et dans lesquelles se combine ce qu\u2019il y a de plus profond dans l\u2019homme avec quantit\u00e9 de facteurs ext\u00e9rieurs. Tout ceci se r\u00e9sume en cette formule que: dans la production de l\u2019\u0153uvre, l\u2019action vient au contact de l\u2019ind\u00e9finissable. Une action volontaire qui, dans chacun des arts, est tr\u00e8s compos\u00e9e, qui peut exiger de longs travaux, des attentions des plus abstraites, des connaissances tr\u00e8s pr\u00e9cises, vient s\u2019adapter dans l\u2019op\u00e9ration de l\u2019art \u00e0 un \u00e9tat de l\u2019\u00eatre qui est tout \u00e0 fait irr\u00e9ductible en soi, \u00e0 une expression finie, qui ne se rapporte \u00e0 aucun objet localisable, que l\u2019on puisse d\u00e9terminer, et atteindre par un syst\u00e8me d\u2019actes uniform\u00e9ment d\u00e9termin\u00e9s; et ceci aboutissant \u00e0 cette \u0153uvre, dont l\u2019effet doit \u00eatre de reconstituer chez quelqu\u2019un un \u00e9tat analogue, \u2013 je ne dis pas semblable (puisque nous n\u2019en saurons jamais rien), \u2013 mais analogue \u00e0 l\u2019\u00e9tat initial du producteur. Ainsi d\u2019une part l\u2019ind\u00e9finissable, d\u2019autre part une action n\u00e9cessairement finie; d\u2019une part un \u00e9tat, parfois une seule sensation productrice de valeur et d\u2019impulsion, \u00e9tat dont le seul caract\u00e8re est de ne correspondre \u00e0 aucun terme fini de notre exp\u00e9rience; d\u2019autre part, l\u2019acte, c\u2019est-\u00e0-dire la d\u00e9termination essentielle, puisqu\u2019un acte est une \u00e9chapp\u00e9e miraculeuse hors du monde ferm\u00e9 du possible, et une introduction dans l\u2019univers du fait; et cet acte, fr\u00e9quemment produit contre l\u2019esprit, avec toutes ses pr\u00e9cisions ; sorti de l\u2019instable, comme Minerve tout arm\u00e9e produite par l\u2019esprit de Jupiter, vieille image encore pleine de sens! Chez l\u2019artiste, il arrive en effet \u2013 c\u2019est le cas le plus favorable \u2013, que le m\u00eame mouvement interne de production lui donne \u00e0 la fois et indistinctement l\u2019impulsion, le but ext\u00e9rieur imm\u00e9diat et les moyens ou les dispositifs techniques de l\u2019action. Il s\u2019\u00e9tablit en g\u00e9n\u00e9ral un r\u00e9gime d\u2019ex\u00e9cution pendant lequel il y a un \u00e9change plus ou moins vif, entre les exigences, les connaissances, les intentions, les moyens, tout le mental et l\u2019instrumental, tous les \u00e9l\u00e9ments d\u2019action d\u2019une action dont l\u2019excitant n\u2019est pas situ\u00e9 dans le monde o\u00f9 sont situ\u00e9s les buts de l\u2019action ordinaire, et par cons\u00e9quent ne peut donner prise \u00e0 une pr\u00e9vision qui d\u00e9termine la formule des actes \u00e0 accomplir pour l\u2019atteindre s\u00fbrement. Et c\u2019est enfin en me repr\u00e9sentant ce fait si remarquable (quoique assez peu remarqu\u00e9, me semble-t-il), l\u2019ex\u00e9cution d\u2019un acte, comme aboutissement, issue, d\u00e9termination finale d\u2019un \u00e9tat qui est inexprimable en termes finis (c\u2019est-\u00e0-dire qui annule exactement la sensation cause) que j\u2019ai adopt\u00e9 la r\u00e9solution de prendre pour forme g\u00e9n\u00e9rale de ce Cours le type le plus g\u00e9n\u00e9ral possible de l\u2019action humaine. J\u2019ai pens\u00e9 qu\u2019il fallait \u00e0 tout prix fixer une ligne simple, une sorte de voie g\u00e9od\u00e9sique au travers des observations et des id\u00e9es d\u2019une mati\u00e8re innombrable, sachant que dans une \u00e9tude qui n\u2019a pas, \u00e0 ma connaissance, \u00e9t\u00e9 jusqu\u2019ici abord\u00e9e dans son ensemble, il est illusoire de chercher un ordre intrins\u00e8que, un d\u00e9veloppement sans r\u00e9p\u00e9tition qui permette d\u2019\u00e9num\u00e9rer des probl\u00e8mes selon le progr\u00e8s d\u2019une variable, car cette variable n\u2019existe pas. D\u00e8s que l\u2019esprit est en cause, tout est en cause; tout est d\u00e9sordre, et toute r\u00e9action contre le d\u00e9sordre est de m\u00eame esp\u00e8ce que lui. C\u2019est que ce d\u00e9sordre est d\u2019ailleurs la condition de sa f\u00e9condit\u00e9: il en contient la promesse, puisque cette f\u00e9condit\u00e9 d\u00e9pend de l\u2019inattendu plut\u00f4t que de l\u2019attendu, et plut\u00f4t de ce que nous ignorons, et parce que nous l\u2019ignorons, que de ce que nous savons. Comment en serait-il autrement? Le domaine que j\u2019essaye de parcourir est illimit\u00e9, mais tout se r\u00e9duit aux proportions humaines aussit\u00f4t que l\u2019on prend garde de s\u2019en tenir \u00e0 sa propre exp\u00e9rience, aux observations que soi-m\u00eame on a faites, aux moyens qu\u2019on a \u00e9prouv\u00e9s. Je m\u2019efforce de n\u2019oublier jamais que chacun est la mesure des choses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<em>En <a href=\"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Paul-Val\u00e9ry-como-acad\u00e9mico-em-1927.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">arquivo<\/a> anexo vai a traduci\u00f3n xunto co orixinal da Primeira Li\u00e7\u00e3o do Curso de Po\u00e9tica do xenial poeta franc\u00e9s Paul Val\u00e9ry, a cargo de Andr\u00e9 Da Ponte.<\/em><\/p>\n<p><em>Imaxe tomada de Wikimedia Commons: Paul Val\u00e9ry como acad\u00e9mico em 1927.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">1<\/a> Charles Marie Joseph B\u00e9dier, nascido em 28 de janeiro de 1864 em Paris e morto em 29 de agosto de 1938 em Grand-Serre de Dr\u00f4me, foi um fil\u00f3logo romanista franc\u00eas especializado em literatura medieval.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">2<\/a> Abel Jules Maurice Lefranc, nascido em \u00c9lincourt-Saint-Marguerite o 27 de julho de 1863 e morto em Paris em 26 de novembro de 1952 foi um historiador da literatura francesa. Foi o principal defensor da teoria derbyta sobre Shakespeare que defende que William Stanley, sexto conde de Derby\u00a0 foi o verdadeiro autor das obras de William Shakespeare.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">3<\/a> Nome de uma criatura imagin\u00e1ria ideada em 1867 polo f\u00edsico e matem\u00e1tico escoc\u00eas James Clerk Maxwell ilustrando a segunda lei da termodin\u00e2mica determinando o processo que permite voltar para um estado de temperatura desigual sem gastar energia diminuindo a entropia, o que seria, em princ\u00edpio, imposs\u00edvel, ilustrando o paradoxo da lei.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">4<\/a> Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine (M\u00e2con, 21 de outubro de 1790 \u2013 Paris, 28 de fevereiro de 1869), romancista, poeta, dramaturgo e pol\u00edtico franc\u00eas. Uma das grandes figuras do romantismo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">5<\/a> Thomas Campbell (Glasgow, 27 de julho de 1777 \u2014 Boulogne, 15 de junho de 1844), poeta escoc\u00eas. A sua obra fundamental, The Pleasures of Hope (Os prazeres da Esperan\u00e7a), est\u00e1 escrita em d\u00edsticos her\u00f3icos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">6<\/a> Victor-Marie Hugo (Besan\u00e7on, 26 de fevereiro de 1802 \u2014 Paris, 22 de maio de 1885), romancista, poeta, dramaturgo, ensa\u00edsta, estadita e ativista franc\u00eas. \u00a0Autor, entre outras, de <em>Notre-Dame de Paris, Ruy Blas, Les Mis\u00e9rables, Les Travailleurs de la mer,\u00a0 Les Chansons des rues et des bois ou La L\u00e9gende des si\u00e8cles.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">7<\/a>Cheirar \u00e9 um obst\u00e1culo do conhecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PRIMEIRA LI\u00c7\u00c3O DO CURSO DE PO\u00c9TICA Paul Val\u00e9ry Vers\u00e3o biling\u00fce franc\u00eas \u2013 galego-portugu\u00eas \u00a0Tradu\u00e7\u00e3o e notas de Jos\u00e9 Andr\u00e9 L\u00f4pez Gon\u00e7\u00e2lez &nbsp; &nbsp; &#8220;Primeira li\u00e7\u00e3o do curso de po\u00e9tica&#8221; &nbsp; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[23,7,129,367,1],"tags":[],"class_list":["post-4477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autoresas","category-creacion","category-literaria","category-publicacions","category-xeral"],"jetpack_featured_media_url":"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Paul-Val\u00e9ry.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4477"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4483,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4477\/revisions\/4483"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4478"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}