{"id":4123,"date":"2018-08-14T22:50:57","date_gmt":"2018-08-14T21:50:57","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=4123"},"modified":"2018-08-14T22:53:29","modified_gmt":"2018-08-14T21:53:29","slug":"el-desdichado-de-gerard-de-nerval-traducido-ao-galego-por-andre-da-ponte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=4123","title":{"rendered":"EL DESDICHADO de G\u00e9rard de Nerval, traducido ao galego por Andr\u00e9 Da Ponte"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>UM SONETO TRADUZIDO DE G\u00c9RARD DE NERVAL E ALGUMAS NOTAS SOBRE O POEMA E O POETA FRANC\u00caS.<\/b><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #ffffff;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O soneto que hoje coloco perante v\u00f3s \u00e9 um dos mais celebrados das letras francesas e, tamb\u00e9m, um dos mais enigm\u00e1ticos a come\u00e7ar polo pr\u00f3prio t\u00edtulo.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Deste poema t\u00e3o louvado existem dous manuscritos. Um deles \u00e9 o chamado Lombard e foi o que enviou o poeta a Alexandre Dumas, junto com uma carta quando estava atacado por um abcesso de loucura em 1853. Este texto \u00e9 o que usou o romancista para reproduzi-lo no seu artigo sobre Nerval publicado em Le Mousquetaire em 10 de dezembro de 1853 constituindo, assim, a primeira edi\u00e7\u00e3o do soneto. \u00c9 a este artigo ao que contesta Nerval na dedicat\u00f3ria de <i>Les Filles du feu<\/i><i><u> <\/u><\/i>(As Filhas do fogo).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Vale a pena dizer algo em volta desse artigo de Dumas. Em 1841 o jornalista e amigo de Nerval Jules Janin escrevera uma nota necrol\u00f3gica sobre o poeta. Durante a crise de loucura de Nerval, em 1853, Alexandre Dumas publicou o artigo que temos mencionado onde, talvez com as melhores das inten\u00e7\u00f5es, embora um tanto alegremente, revelava ao p\u00fablico a precariedade da sa\u00fade mental do poeta. Nerval sempre teve um grande empenho em ocultar e justificar as suas crises de loucura, que na sua opini\u00e3o, desacreditavam-no perante o p\u00fablico leitor, e esse artigo dum dos seus mais velhos amigos feriu-o profundamente. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Les Filles du feu, molho de contos e poemas v\u00e3o aparecer em janeiro de 1854, quando Nerval estava internado na cl\u00ednica do doutor \u00c9mile Blanche em Passy. Trata-se de oito contos longos (<i>Ang\u00e9lique<\/i>, <i>Sylvie<\/i>,<i>Chansons et l\u00e9gendes du Valois<\/i>, <i>Jemmy<\/i>, <i>Octavie<\/i>, <i>Isis<\/i>, <i>Corilla<\/i>, <i>Emilie<\/i>) e bra\u00e7ado de doce sonetos, <i>Les Chim\u00e8res<\/i> (As Quimeras). No pr\u00f3logo aproveita para acrescentar um pr\u00f3logo de resposta a Dumas onde justapunha um texto j\u00e1 publicado, apresentando o projeto dum romance, <i>Le Roman tragique<\/i> (O Romance tr\u00e1gico) que queria ser uma contrapartida do <i>Roman comique<\/i> (Romance c\u00f4mico) de Scarron, mas nunca, de que se saiba, chegou a escrev\u00ea-lo.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por\u00e9m, deixando isto e indo para o soneto, digamos que h\u00e1 um segundo manuscrito que \u00e9 chamado \u00c9luard (porque pertenceu ao poeta Paul \u00c9luard), que foi o que usou para a impress\u00e3o de <i>As Filhas do Fogo<\/i>. Este manuscrito tem v\u00e1rias notas da m\u00e3o de Nerval que depois havemos de mencionar.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O texto de Lombard vai acompanhado \u2013 igual que o \u00c9luard \u2013 do poema <i>Art\u00e9mis<\/i> em duas folhas numeradas 2 e 3 e conserva-se junto com uma carta de tr\u00eas p\u00e1ginas que leva por t\u00edtulo: <i>La carte du Diable<\/i> (A carta do demo). Trata-se do Arcano XV do Tarot, que se pode relacionar com o signo zodiacal dos G\u00eameos, que \u00e9 o de Nerval. At\u00e9 mesmo alguns cr\u00edticos t\u00eam assinalado alus\u00f5es ao Tarot no texto deste soneto.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O t\u00edtulo est\u00e1 em espanhol no original. Todos os comentaristas coincidem que Nerval apanhou-o do romance<i> Ivanhoe <\/i>de Walter Scott (cap\u00edtulo VIII). Tamb\u00e9m, unanimemente, todos eles repetem que essa palavra significa \u201cdesditado\u201d (Desinherited em Scott) e, por outro lado, Paul B\u00e9nichou tem demostrado que essa palavra em espanhol nunca significou o que escreveu o romancista ingl\u00eas. Cabe a d\u00favida se Scott deu com certeza essa tradu\u00e7\u00e3o. No cap\u00edtulo VIII de Ivanhoe pode se entender que \u00e9 o conjunto do debuxo do escudo \u2013 um carvalho desarraigado e o lema El Desdichado \u2013 o que vem significar o deserdado, e n\u00e3o diretamente essa palavra com a acep\u00e7\u00e3o que tem em espanhol. E no cap\u00edtulo XII, quando a multid\u00e3o brada \u201cDesditado! Desditado!\u201d, Scott acrescenta precavidamente: \u201ccuja palavra de ordem apanhavam do lema que levava o escudo do seu coudel.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No manuscrito \u00c9luard o t\u00edtulo \u00e9 \u201cA sina\u201d.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 2: \u201cPr\u00edncipe de Aquit\u00e2nia\u201d alude a uma das fantasias geneal\u00f3gicas de Nerval, que fazia derivar seu sobrenome (Labrunie) da Torre de Labrunie na Aquit\u00e2nia e pretendia descer dum nobre dessa regi\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 4: H\u00e1 uma muito prov\u00e1vel alus\u00e3o ao c\u00e9lebre grabado A melancolia de Albrecht D\u00fcrer (<\/span><\/span><\/span><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nuremberga\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Nuremberga<\/span><\/span><\/span><\/a><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, 21 de mar\u00e7o de 1471 \u2013 Nuremberga, 6 de abril de 1528) que Nerval admirava.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 6: O Praus\u00edlipo \u00e9 um lugar perto a N\u00e1poles do que Nerval fez um dos seus s\u00edmbolos obsessivos. Pola sua etimologia significa \u201ccesse da dor\u201d, que \u00e9 uma alus\u00e3o \u00e0 morte. Por estar perto ao Ves\u00favio, o poeta associa-o com o fogo subterr\u00e2neo, um outro s\u00edmbolo da sua mitologia pessoal. Al\u00e9m disto, perto dele acha-se o suposto t\u00famulo de Virg\u00edlio, que encarna para Nerval todo o paganismo e o seu mist\u00e9rio, numa s\u00edntese de cultos ocidentais e orientais que anuncia o sincretismo m\u00edtico religioso do pr\u00f3prio Nerval. Finalmente, a regi\u00e3o napolitana evoca sempre para o poeta o culto a \u00cdsis (\u00cdsis est\u00e1 em As Filhas do fogo), em que via n\u00e3o apenas o culto da Mulher (m\u00e3e e amante), embora o exemplo excelso dessa contamina\u00e7\u00e3o dos cultos e da unidade, sob diversas formas, das mesmas divindades, proba da unidade de toda a experi\u00eancia religiosa da humanidade.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 8: H\u00e1 no manuscrito \u00c9luard uma nota de Nerval: Jardim do Vaticano, que ajuda a compreend\u00ea-lo como a imagem da uni\u00e3o de paganismo e cristianismo.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 9: Amor \u00e9 aqui o nome pr\u00f3prio: o deus romano; Febo est\u00e1 escrito \u00e0 latina no manuscrito (Phoebus), o que \u00e9 talvez alus\u00e3o a Gaston Phoebus, uma das identidades imagin\u00e1rias de Nerval; Lusignan \u00e9 uma personagem hist\u00f3rica sobre o que se formou na Idade M\u00e9dia a lenda de Melusina, mulher serpe namorada deste personagem e que desaparece com um grito quando o amado, quebrando a promessa de n\u00e3o espreit\u00e1-la, surprende-a na sua forma de cobra (a etimologia de Melusina semelha ser M\u00e8re des Lusignans (M\u00e3e dos Lusignans), passando por Merlusignans e Merlusine. Quanto o que diz de Biron, h\u00e1 um personagem de Shakespeare e v\u00e1rios nomes hist\u00f3ricos com esse nome. Segundo Jean-Luc Steinmetz (Edi\u00e7\u00f5es da Pl\u00e9iade, 1993), trata-se do duque de Biron, almirante de Henrique IV decepado ao ser acusado de trai\u00e7\u00e3o; em qualquer caso parece fazer parelha com Lusignan (ambos humanos), como Amor com Febo (deuses ambos), e simbolizar o amante da rainha como Lusignan o amante da sereia.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 10: Nota de Nerval no manuscrito \u00c9luard: \u201cRainha Candacia\u201d, nome gen\u00e9rico das rainhas de Eti\u00f3pia. Alude ent\u00e3o a Balkis, rainha de Sab\u00e1, outra personagem central na mitologia nervaliana.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 12: Refere, quase com total certeza, as crises de loucura (reduzidas no verso a duas), que Nerval comparou v\u00e1rias vezes com descensos para os infernos, e das que at\u00e9 ent\u00e3o sa\u00edra triunfante (como Orfeu, mencionado no verso seguinte).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">VERSO 14: Nota de Nerval \u00e0 palavra Fada, no manuscrito \u00c9luard: \u201cMelusina ou Manto\u201d; \u201cfada\u201d est\u00e1 usado, ent\u00e3o, mais no sentido de feiticeira do que no sentido mais janota e hoje mais frequente. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O autor de <i>Les Chim\u00e8res <\/i>(As Quimeras), apenas doze sonetos que lhe valeram a imortalidade, atravessado por uma doen\u00e7a fatal deixou o 24 de janeiro de 1855 uma nota para a sua tia: \u201cQuando eu tenha triunfado de todo, ter\u00e1s o teu lugar no meu Olimpo, como eu tenho o meu lugar na tua casa\u201d. Ao dia seguinte deambula por um Paris glacial, tenta conseguir dinheiro, ceia no mercado, perde-se na noite. Ao amanhecer topam-no pendurado numa s\u00f3rdida ruela (hoje desaparecida) do velho Paris.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"left\"><strong><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">EL DESDICHADO<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Eu sou o Tenebroso, &#8211; o Vi\u00favo, &#8211; o Inconsolado<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Pr\u00edncipe de Aquit\u00e2nia da Torre abolida:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Minha s\u00f3 Estrela morreu, &#8211; e meu la\u00fade constelado<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Porta em si o Sol negro da Melancolia.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Na Cova noturna, Tu que me tens consolado,<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Devolve-me o Paus\u00edlipo e o mar da Italia,<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A flor que gostava a meu peito desolado,<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E a parra onde o Bacelo \u00e0 Rosa se alia.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sou eu Amor ou o Febo?&#8230; Lusignan ou Biron?<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Minha frente enrubesce do beijo da Rainha;<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sonhei na Gruta onde a Sereia nada&#8230;<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Duas vezes transpus o Aqueronte vencedor:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Modulando por vezes de Orfeu na lira <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os suspiros da Santa e os gritos da Fada.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">G\u00e9rard de Nerval ( Paris, 22 de maio de 1808 \u2013 Paris, 25 de janeiro de 1855)<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">[A tradu\u00e7\u00e3o est\u00e1 feita desde o texto publicado em \u201cUne for\u00eat de symboles. Une petite anthologie litt\u00e9raire\u201d, Les \u00c9ditions du Carrousel, Paris, 1999, p\u00e1gina 316]<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\">\n<p align=\"left\">\n<p align=\"left\">\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">EL DESDICHADO<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Je suis le T\u00e9n\u00e9breux, &#8211; le Veuf, &#8211; l&#8217;Inconsol\u00e9,<br \/>\nLe Prince d&#8217;Aquitaine \u00e0 la Tour abolie :<br \/>\nMa seule <\/i>Etoile <i>est morte, &#8211; et mon luth constell\u00e9<br \/>\nPorte le <\/i>Soleil noir <i>de la <\/i>M\u00e9lancolie.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Dans la nuit du Tombeau, Toi qui m&#8217;as consol\u00e9,<br \/>\nRends-moi le Pausilippe et la mer d&#8217;Italie,<br \/>\nLa <\/i>fleur <i>qui plaisait tant \u00e0 mon coeur d\u00e9sol\u00e9,<br \/>\nEt la treille o\u00f9 le Pampre \u00e0 la Rose s&#8217;allie.<\/i><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Suis-je Amour ou Ph\u00e9bus ?&#8230; Lusignan ou Biron ?<br \/>\nMon front est rouge encor du baiser de la Reine ;<br \/>\nJ&#8217;ai r\u00eav\u00e9 dans la Grotte o\u00f9 nage la sir\u00e8ne&#8230;<\/i><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Et j&#8217;ai deux fois vainqueur travers\u00e9 l&#8217;Ach\u00e9ron :<br \/>\nModulant tour \u00e0 tour sur la lyre d&#8217;Orph\u00e9e<br \/>\nLers de ls soupia Sainte et les cris de la F\u00e9e.<\/i><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">G\u00e9rad de Nerval<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<h1 class=\"western\" align=\"left\"><a name=\"firstHeading\"><\/a> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en\">Gustave Dor\u00e9, <\/span>A rua da Velha Lanterna. O Suic\u00eddio de G\u00e9rard de Neval. Litografia sobre papel em branco e negro de 1855.<\/span><\/span><\/span><\/h1>\n<p align=\"left\"><a href=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/d\/d1\/Gustave_Dor%C3%A9%2C_La_Rue_de_la_Vieille_Lanterne_The_Suicide_of_G%C3%A9rard_de_Nerval%2C_1855.jpg\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/d\/d1\/Gustave_Dor%C3%A9%2C_La_Rue_de_la_Vieille_Lanterne_The_Suicide_of_G%C3%A9rard_de_Nerval%2C_1855.jpg<\/span><\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p align=\"left\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM SONETO TRADUZIDO DE G\u00c9RARD DE NERVAL E ALGUMAS NOTAS SOBRE O POEMA E O POETA FRANC\u00caS.. . O soneto que hoje coloco perante v\u00f3s \u00e9 um dos mais celebrados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4127,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[23,7,129,1],"tags":[],"class_list":["post-4123","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autoresas","category-creacion","category-literaria","category-xeral"],"jetpack_featured_media_url":"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/G\u00e9rard-de-Nerval6.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4123"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4131,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4123\/revisions\/4131"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4127"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}