{"id":3964,"date":"2018-07-11T00:48:06","date_gmt":"2018-07-10T23:48:06","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=3964"},"modified":"2018-07-11T00:48:06","modified_gmt":"2018-07-10T23:48:06","slug":"antologia-poesia-palestina-moderna-xx-por-andre-da-ponte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=3964","title":{"rendered":"ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XX), por Andr\u00e9 Da Ponte"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><b>ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XX)<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\">Tawfiq Zayyadd<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><span lang=\"hi-IN\"><b>\u062a\u0648\u0641\u064a\u0642 \u0632\u064a\u0651\u0627\u062f<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span lang=\"pt-BR\"> Quem haveria chegar a ser um grande poeta e militante comunista nasceu em 1929 em Nazar\u00e9 <\/span><span lang=\"fr-FR\">(Anna\u00e7era). <\/span><span lang=\"pt-BR\"> Em Moscovo estudou literatura russa traduzindo l\u00e1 v\u00e1rios autores. Tomando parte na luita* polo* direito dos palestinos \u00e0 sua terra e os direitos espezinhados polo* estado israelense num vergonhoso e insultante estado de apartheid, filia-se desde muito novo no Partido Comunista (Rakah). <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"> Em Dezembro de 1975 sai eleito vereador-mor da cidade de Nazar\u00e9. O estado sionista fizera tudo o que tiver na sua m\u00e3o para parar a elei\u00e7\u00e3o dum membro do Rakah, desde amea\u00e7as \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, oferecimentos \u00e0 gente \u00e1rabe de retorno de alguma terra se Zayyad n\u00e3o fosse eleito, amea\u00e7as veladas de atentar contra a sua vida, mesmo o ministro sionista do Interior, Moshe Barain, diz: \u201cA popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve imaginar que o estado de Israel permitiria que a administra\u00e7\u00e3o da cidade ca\u00edsse nas m\u00e3os de um agente admitido de Arafat\u201d. As amea\u00e7as e as promessas ca\u00edram no vazio. Nazar\u00e9 n\u00e3o tivera jamais nenhuma ind\u00fastria, nem biblioteca p\u00fablica, nem servi\u00e7os sociais. Um muito dilatado tempo onde o \u201cprograma de desenvolvimento\u201d sionista significou para o povo \u00e1rabe mais confisca\u00e7\u00f5es das suas terras e a constru\u00e7\u00e3o, em terras extraidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, duma cidade s\u00f3 para judeus na Galil\u00e9ia superior. Muitos longos anos de repress\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes \u00e1rabes locais leais a Israel impediram qualquer protesto dos \u00e1rabes de Israel, explodiram naquele momento. Das janelas das suas casas muitos sonhavam voltar possuir a terra que cultivaram uma vez seus av\u00f4s, nem serem empregados como prolet\u00e1rios em terras que tinham pertencido \u00e0s suas fam\u00edlias por gera\u00e7\u00f5es. Estavam prontos para resistir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Eleito deputado na Knesset (Parlamento Israelense), tem afirmado da cidade da que foi m\u00e1ximo vereador: &#8220;Se Jesus vivesse hoje, n\u00e3o encontraria lugar para instalar a sua carpintaria&#8221;. Em 1976 liderou o &#8220;Dia da Terra&#8221;, n\u00e3o obstante a oposi\u00e7\u00e3o dos Comit\u00eas dos not\u00e1veis locais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"> Toda a sua obra est\u00e1 dominada por uma implica\u00e7\u00e3o inspirada polo* pensamento marxista. A sua rebeldia contra a injusti\u00e7a e o desenraizamento da terra dos antepassados faz parte impart\u00edvel da sua obra. Orgulhoso de contribuir para a salvaguarda dum rico patrim\u00f4nio cultural, insere nos seus poemas cantigas populares, prov\u00e9rbios, legendas, contos do folclore palestino para n\u00e3o perder uma tradi\u00e7\u00e3o em perigo pola* dispers\u00e3o do seu povo, embora compor impec\u00e1veis poemas redigidos num l\u00edmpe\u00e7o e harmonioso \u00e1rabe cl\u00e1ssico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span lang=\"pt-BR\">Muitos dos seus poemas t\u00eam passado a integrar a mem\u00f3ria popular ao serem musicados e cantados, tanto por artistas palestinos como do resto da arabofonia. O seu derradeiro poema, &#8220;<\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>Adnan wa Adnan Akhar<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\">&#8220;, refere o seu intenso amor pola* Palestina e resulta uma emotiva homenagem os rapazinhos da intifada de 1994. P\u00f3lo* seu labor em prol da cultura e as artes recebeu em 1990 a medalha al-Quds.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"> O grande poeta morreu por conseq\u00fc\u00eancia dum funesto acidente de autom\u00f3vel em 6 de Julho de 1994.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"> Em Julho de 1996 o minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura palestino, em honra dele, estabeleceu um pr\u00e9mio com o seu nome para obras em cr\u00edtica po\u00e9tica e liter\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><b>O imposs\u00edvel<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><br \/>\nMil vezes mais f\u00e1cil h\u00e1-vos ser<br \/>\npassar um elefante polo* furado* duma agulha,<br \/>\npescar um peixe torrado numa gal\u00e1xia,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span lang=\"pt-BR\">abrir sulcos no mar<br \/>\ne fazer falar um crocodilo,<br \/>\nmil vezes mais f\u00e1cil h\u00e1-vos ser<br \/>\ndo que, ao perseguir-nos, destruir<br \/>\no fulgor da nossa ideia<br \/>\nou um palmo afastar-nos do caminho que escolhemos. <\/span><\/p>\n<p>Se diria <span lang=\"pt-BR\">que somos vinte prod\u00edgios<br \/>\nem Lidda, em Ramlah, em Galileia.<br \/>\nAqui permaneceremos<br \/>\nsobre os vossos peitos como uma muralha,<br \/>\nnas vossas gargantas como um peda\u00e7o de vidro&#8230;<br \/>\ncomo o espinho dum cacto<br \/>\ne nos vossos olhos como tempestade de fogo.<br \/>\nSe diria que somos vinte prod\u00edgios<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">em Lidda, em Ramlah, em Galil\u00e9ia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Aqui persistiremos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">contra os vossos peitos como uma muralha,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">lavando pratos das vossas tabernas,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">enchendo os copos dos senhores,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">esfregando ch\u00e3os das vossas l\u00f4bregas cozinhas,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">para vos arrancar um anaco* de p\u00e3o para os nossos filhos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #000000;\">dos vossos c\u00e1rdeos caninos. <\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Aqui persistiremos,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">contra os peitos vossos como um muro, <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">famintos, sedentos, desafiando-vos,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">cantando versos,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">enchendo as ruas com a nossa c\u00f3lera e o nosso protesto,<br \/>\ncumulando de orgulho as cadeias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">e fazendo com que os nossos filhos, sem parar,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">engendrem gera\u00e7\u00f5es vingadoras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><\/p>\n<p>Como se f\u00f4ssemos vinte prod\u00edgios<br \/>\nem Lidda, em Ramlah, em Galileia\u2026<\/p>\n<p>Aqui permaneceremos.<\/p>\n<p>Ide e bebei o mar.<br \/>\nVigiando a sombra da nossa figueira<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">e da nossa oliveira,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">semeando as nossas id\u00e9ias,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">como o fermento na massa do p\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Com o frio do gelo nos nossos nervos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">e um inferno vermelho nos nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Se tivermos sede, pedras espremeremos para fartar a nossa sede.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"pt-BR\">Se famintos, p\u00f3 morderemos para saciar a nossa a fame*.<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span lang=\"pt-BR\">Mas n\u00e3o nos moveremos.<br \/>\nN\u00e3o tra\u00edmos o nosso limpo sangue.<br \/>\nAqui temos um passado,<br \/>\num presente,<br \/>\num futuro.<\/p>\n<p>Como se f\u00f4ssemos vinte prod\u00edgios<br \/>\nem Lidda, em Ramlah, em Galileia.<br \/>\n\u00d3 viva raiz nossa, afunda-te bem.<br \/>\nMergulha at\u00e9 ao fundo.<br \/>\nMelhor ser\u00e1 ao opressor<br \/>\ntomar a fazer as contas<br \/>\nantes que o enredo se desfa\u00e7a.<br \/>\nToda a ac\u00e7\u00e3o tem resposta. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"pt-BR\">Lede\u2026<br \/>\nLede o que o Livro diz&#8230;<\/p>\n<p>Como se f\u00f4ssemos vinte prod\u00edgios.<br \/>\nEm Lidda, em Ramlah, em Galileia.<\/span><\/span> <span style=\"color: #003366;\"><span lang=\"pt-PT\"><\/p>\n<p><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.al-ayyam.ps\/files\/image\/thumb\/20173103010227.jpg\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">http:\/\/www.al-ayyam.ps\/files\/image\/thumb\/20173103010227.jpg<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XX) Tawfiq Zayyadd \u062a\u0648\u0641\u064a\u0642 \u0632\u064a\u0651\u0627\u062f Quem haveria chegar a ser um grande poeta e militante comunista nasceu em 1929 em Nazar\u00e9 (Anna\u00e7era). 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