{"id":1375,"date":"2017-05-17T11:37:13","date_gmt":"2017-05-17T10:37:13","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=1375"},"modified":"2017-05-17T11:40:48","modified_gmt":"2017-05-17T10:40:48","slug":"antonio-de-trueba-o-inspirador-de-cantares-galegos-de-rosalia-de-castro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/culturaliagz.com\/?p=1375","title":{"rendered":"ANTONIO DE TRUEBA, O INSPIRADOR DE \u201cCANTARES GALEGOS\u201d DE ROSALIA DE CASTRO."},"content":{"rendered":"<p><strong>ANTONIO DE TRUEBA, O INSPIRADOR DE \u201cCANTARES GALEGOS\u201d DE ROSALIA DE CASTRO.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Jos\u00e9 Andr\u00e9 L\u00f4pez Gon\u00e7\u00e2lez (Andr\u00e9 Da Ponte)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Os leitores do livro de Rosalia de Castro Cantares Galegos sabem de cor o que ela deixara escrito no pr\u00f3logo que escrevera como p\u00f3rtico do seu poem\u00e1rio editado em 1863:<\/p>\n<p>\u201c<em>O Livro dos Cantares de D. Antonio Trueba, que me inspirara e dera alento para levar a cabo este trabalho, passa pelo meu pensamento como um remorso e quase assomam as b\u00e1guas aos meus olhos ao pensar como Galiza se levantaria at\u00e9 o lugar que lhe corresponde se um poeta como Antonio o dos Cantares fosse o destinado para dar a conhecer as suas belezas e os seus costumes. Mas a minha infeliz p\u00e1tria, t\u00e3o desventurada nisto como em tudo o demais, tem-se que contentar com umas p\u00e1ginas frias e insulsas, que apenas seriam dignas de achegar-se de longe \u00e0s portas do Parnaso se n\u00e3o fosse pelo nobre sentimento que as criou. Que isto mesmo me sirva de desculpa para os que justamente criticarem as minhas faltas, pois penso que o que se esfor\u00e7a por desvanecer os erros que mancham a sua p\u00e1tria \u00e9 credor a alguma indulg\u00eancia!<\/em>\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Cantares Galegos por Rosalia de Castro, in Cantares Galegos, Cl\u00e1ssicos da Galiza, Vol. I, Academia Galega da L\u00edngua Portuguesa, p\u00e1gina 4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem foi esse poeta que \u00e0 nossa poeta nacional tanto lhe inspirara e dera alento?, quem foi esse Ant\u00f3nio dos Cantares que tanta influ\u00eancia exerceu na nossa grande autora at\u00e9 o ponto de tentar remed\u00e1-lo e, bem seja dito, de forma genial?<\/p>\n<p>\u00c9 a esse esclarecimento \u00e0 que havemos dedicar as linhas que a seguir v\u00eam para ficarmos sabendo dum escritor do que bem pouco se sabe na Galiza e que mesmo est\u00e1 semi esquecido na sua p\u00e1tria original. Para diz\u00ea-lo com palavras do seu bi\u00f3grafo \u00c2ngel de la Iglesia,<\/p>\n<p>\u201c<em>Ante todo quiss\u00e9ssemos deixar de v\u00ea-lo como at\u00e9 agora o fomos vendo: como uma est\u00e1tua de verde e melanc\u00f3lico bronze, colocada nuns jardins, a cujo p\u00e9, uns se\u00f1ores com cartola pronunciam uns sonoros discursos. Temos de procurar que Trueba siga um caminho inverso ao do protagonista do conhecido relato de Zunzunegui. Trueba \u00e9 a est\u00e1tua que tem de ir para o homem<\/em>\u201d<\/p>\n<p>(Antonio de Trueba, Introdui\u00e7\u00e3o, p\u00e1gina 3)<\/p>\n<p>O nosso bom bardo viu a primeira luz na pequena aldeia chamada Montellano, pertencente \u00e0 comarca das Encartaciones, da freguesia de Galdames ao p\u00e9 da serra de Llang\u00f3n no ocidente do Pa\u00eds Basco, em 24 de dezembro de 1819 ou 1821, pois a data n\u00e3o \u00e9 muito certa. Segundo o pr\u00f3prio poeta \u201cesta imprecis\u00e3o revela a vontade latente no povo ch\u00e3o de evitar que os jovens fossem for\u00e7ados a se sacrificar em contendas fraticidas\u201d. Aos poucos messes \u00e9 levado para o vizinho concelho de Sopuerta, dentro do partido judicial de Valmaseda, terra origin\u00e1ria do pai, tal como a m\u00e3e era oriunda da de Galdames e \u00e9 al\u00ed, em Sopuerta, onde recebe as primeiras letras dos benem\u00e9rtios mestres Tom\u00e1s de Santa Coloma e Jos\u00e9 de Sagarm\u00ednaga.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1377 alignleft\" src=\"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba2-300x225.jpg 300w, http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba2.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Muito cedo se levantou nele a paix\u00e3o po\u00e9tica. Um tio do nosso poeta \u2013 Manuel de la Quintana \u2013, conhecido pola alcunha de \u201cEl Basco\u201d era um rapsoda oral, mas \u00e0 diferen\u00e7a dos versificadores em idioma e\u00faskaro \u2013 os bersolaris \u2013 seu tio fazia-o em castelhano. \u00c9 assim que desde bem rapaz comp\u00f5e versos ao jeito de seu aedo tio e ao compasso de sua prima Pepa, \u201cgrande tanjedora de pandeireta e cantora\u201d vai pondo emo\u00e7\u00e3o po\u00e9tica aos acontecimentos.<\/p>\n<p>Quando ainda apenas contava com quinze anos, o general liberal<strong>, <\/strong>Pedro Sarsfield Water, Conde de Sarsfield, vinha de entrar em Bilbau e o \u201clobo das Amezcoas\u201d, Tom\u00e1s de Zumalac\u00e1rregui y de Imaz, partindo de Miranda de Ebro encaminhava-se com as suas tropas tradicionalistas na direc\u00e7\u00e3o da capital bizcainha com o fim de a p\u00f4r sob s\u00edtio (O grande relato sobre o cerco da capital biscainha durante a Terceira Guerra Carlista, 1873-1874,\u00a0 foi escrito por Miguel de Unamuno no seu primeiro romance, \u201cPaz en la guerra\u201d que viu ao lume em 1897 e que vivamente recomendo desde estas apressadas linhas). Nesta conjuntura, os pais, velando n\u00e3o fosse recrutado, enviaram-no para Madrid junto a um primo de sua m\u00e3e, Jos\u00e9 Vicente de la Quintana, regente de uma ferrageria que vinha a ser ali\u00e1s, irm\u00e3o do p\u00e1roco da aldeia de Trueba.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio poeta vai nos dar not\u00edcia da sua vida na cidade de Madrid:<\/p>\n<p>\u201c<em>No com\u00e9rcio de ferrageria primeiro, na rua Toledo, n\u00famero 81, e depois na de Espartero, n\u00famero 11, permaneci quase dez anos, aproveitando o pouco tempo que me deixava livre o trabalho e o sono para deitar algo sobre o que apreendera na escola e nos soutos de Sopuerta<\/em>\u201d, acrescentando com algum distante cheiro a Gald\u00f3s:<\/p>\n<p>\u201c<em>Todas as noites havia uma tert\u00falia no comedor do meu principal, \u00e0 luz de uma l\u00e2mpada, que se acendia, como o vel\u00e3o da loja, \u00e0 piedosa saluta\u00e7\u00e3o de \u201cLouvado seja Deus.- Por sempre louvado\u201d. Os trabalhadores sub\u00edamos para incorporarmos naquela tert\u00falia \u00e0s dez no ver\u00e3o e \u00e0s nove de inverno, ap\u00f3s cerrarmos a loja, e pouco depois chegava o principal, que tinha passado o resto da noite nalguma outra loja falando de neg\u00f3cios de bolsa ou ouvindo ler um jornalinho nocturno titulado El Castellano, que naquela \u00e9poca andava muito na moda e todas as noites espalhava not\u00edcias frescas da guerra civil, da que resultava sempre que os chefes rebeldes tinham fugido em vergonhenta derrota<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Por volta dos trinta anos, abandona a ferrageria e consegue um emprego no Concelho de Madrid com um sal\u00e1rio de dez reais di\u00e1rios e, por essa mesma altura, escreve na Revista Vascongada que se edita em Vit\u00f3ria, dirigida polos seus amigos Ayala e Manteli, para de seguida estampar a sua \u00e1gil pluma artigos em La \u00c9poca de Madrid e, quando fundar Manuel Maria de Santana em 1848 La Correspondencia de Espa\u00f1a e sob a proposta de Castro y Serrano incorporar-se como redactor dessa publica\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m por essas datas que colabora em El Semanario Pintoresco Espa\u00f1ol, el Museo Pintoresco ou El Correo de la Moda.<\/p>\n<p>O escritor Ricardo Becerro de Bengoa forneceu-nos um brilhante retrato f\u00edsico do poeta:<\/p>\n<p>\u201c<em>Era alto, de rija complex\u00e3o e um nada curvado para adiante nos seus \u00faltimos anos de vida e sempre levou, desde rapaz, algo ca\u00edda a cabe\u00e7a para a frente, baixos os olhos e sereia e melanc\u00f3lica a olhada, enquando n\u00e3o parolava com as pessoas da sua estima, em cujos momentos brilhava o carinho nas suas claras pupilas e se marcava um amante e sincero sorrisso nos seus l\u00e1bios&#8230;\u00a0 Usou do seu cigarro tanto ou mais do que da sua pluma e com isto fica dito que consumiu mais tabaco que tinta, e esse inocente e filos\u00f3fico vi\u00e7o dominou-lhe de maneira absoluta, como fiz constar num dos seus mais agrad\u00e1veis contos<\/em>\u201d<\/p>\n<p>E outro escritor, Lu\u00eds Lande acrescentou, por seu lado:<\/p>\n<p>\u201c<em>O seu exterior \u00e9 o dum verdadeiro montanh\u00eas, alto, forte, de feitios um bocado torpes, de fac\u00e7\u00f5es regulares e sem nada marcadamente expressivo, e vai sempre distra\u00eddo e caviloso; por\u00e9m sob aquele exterior modesto, aquele homem singelo e ing\u00eanuo, oculta um car\u00e1cter en\u00e9rgico e nenguma circunst\u00e2ncia da sua vida, por penosa ou dif\u00edcil que tenha sido, encontrou-o inferior \u00e0 prova<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Em 1859, sendo j\u00e1 mo\u00e7o velho, casa com Teresa Pardo. A viagem de rec\u00e9m-casados do novo casal \u00e9 para a comarca natal\u00edcia do poeta das Encartaciones. A vis\u00e3o das terras que o viram nascer comove sobremaneira o poeta, desde que sua m\u00e3e tinha falecido enquanto ele trabalhava em Madrid:<\/p>\n<p>\u201c<em>O autor sabe por pr\u00f3pria experi\u00eancia o que se sente ao ver, ap\u00f3s longa aus\u00eancia, o campan\u00e1rio que nos dera sombra e os sinos que nos deram alegria quando pequeno<\/em>s\u201d.<\/p>\n<p>Em maio de 1860 nasce a sua primeira filha, Ascens\u00e3o e mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es com os principais escritores espanh\u00f3is da \u00e9poca: Pedro Ant\u00f3nio de Alarc\u00f3n, Fern\u00e1n Caballero e Cec\u00edlia B\u00f6hl de Faber e l\u00ea com frui\u00e7\u00e3o os principais escritores da Europa e Am\u00e9rica: Dickens, Poe e Chateaubriand.<\/p>\n<p>Dous anos ap\u00f3s nascer a filha, em 1862, a Deputa\u00e7\u00e3o de Bizkaia oferece ao poeta o posto de Cronista e Arquiveiro Geral do Senhorio. A proposta \u00e9 de alto rango pois o acordo fora tomado na Assembleia celebrada sob a \u00c1rvore de Guernica e avaliada por tr\u00eas mil bisca\u00ednhos. A ideia que lhe parece a Trueba maravilhosa \u00e9 tomada com receio polos seus amigos. Assim, o escritor Hartzenbusch, como porta-voz, faz-lhe ver que o nome e a soada que tem em Madrid pode ser p\u00f4r em perigo se \u00e9 que se vai para prov\u00edncias. Mas, os seus paisanos Ant\u00f3nio L\u00f3pez de la Calle e Juan L\u00f3pez de J\u00e1uregui insistem:<\/p>\n<p>\u201c<em>O Senhorio, sabedor de que um de seus filhos deseja viver no seu seio e consagrar-se nele ao cultivo das Belas Letras, quer proporcionar-lhe uma pens\u00e3o decorosa, embora modesta, para que poda realizar este prop\u00f3sito<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Perante tanta insist\u00eancia, Trueba, em finais desse mesmo ano vai pra Bizkaia. \u00c9 ele quem fai de guia para a rainha Isabel II quando a monarca viaja polo Pa\u00eds Basco e no tempo em que se soleniza a Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Paris, escreve o \u201cRascunho da Organiza\u00e7\u00e3o Social de Bizkaia\u201d, merit\u00f3rio trabalho que lhe valeu muitas distin\u00e7\u00f5es. Dele \u00e9 tamb\u00e9m o documento redigido para o rei Alfonso XII, pedindo para n\u00e3o sancionar a Lei de Aboli\u00e7\u00e3o dos Foros. Homem bom, escreve, do\u00eddo:<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00e3o acerto a odiar ningu\u00e9m polo s\u00f3 feito de n\u00e3o pensar em pol\u00edtica como eu<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>E acrescenta ainda:<\/p>\n<p>\u201c<em>Se saberei eu que canalhas s\u00e3o os partidos pol\u00edticos!&#8230; Desde que no mundo se disputa de palavra, por escrito e ao sangue e fogo sobre qual sistema de governo \u00e9 melhor, se o absolutista ou o liberal, se o republicano ou o mon\u00e1rquico, se o dos muitos ou o dos poucos, tomaram parte nesta<\/em> <em>desputa os homens mais s\u00e1bios do mundo e ainda n\u00e3o se puido averiguar<\/em> <em>qual \u00e9 o melhor dentre estes sistemas de governo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Ao sobrevir a Segunda Guerra Carlista (1870-1876) uma das primeiras v\u00edtimas vai ser o nosso poeta, que tem de se dimitir dos seus cargos no Senhorio acusado polos liberais de ser suspeito de carlista. Contudo permanece em Bilbau como primeiro redactor de El Correo Vascongado, jornal que fundara Sabino de Goicoechea para defender a causa do rei Alfonso XII.<\/p>\n<p>Como trinta anos atr\u00e1s, a guerra volve arranc\u00e1-lo de sua p\u00e1tria para lev\u00e1-lo como folha seca mais outra vez para Madrid.<\/p>\n<p>Mas, nem sempre h\u00e1 amarguras na alma. A col\u00f4nia basca em Am\u00e9rica, sobretudo a da Argentina, Paraguai e Uruguai, abre uma subscrip\u00e7\u00e3o p\u00fablica para render-lhe homenagem e, por conselho de Jos\u00e9 Rufino de Olaso, o importe monet\u00e1rio recolhido vai ser dedicado a presentear-lhe com uma casa de seu em Bilbau.<\/p>\n<p>Cumpria-se assim o anseio do poeta que escrevera uma vez sobre as suas mais \u00edntimas ilus\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201c<em>Um dos meus sonhos dourados de quase toda a minha vida \u00e9 ter uma casinha e tr\u00e1s dela um hortinho cheio de flores e \u00e1rvores frutais<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Ele, perante tanta generosidade dos seus paisanos, em suas Notas Autobiogr\u00e1ficas, com um humor um pouco amargurado diz que os emigrantes tinham se empenhado e torn\u00e1-lo rico quando velho, mas que ele sabia que a felicidade neste mundo n\u00e3o estava no que se tinha ou se deixava de ter nas tulhas, mais melhor o que se leva no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1378 alignleft\" src=\"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba3-300x225.jpg 300w, http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba3-768x576.jpg 768w, http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba3.jpg 1024w, http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba3-510x382.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Na \u00faltima parte da sua vida terrenal, Ant\u00f3nio de Trueba vai de novo para Bilbau residindo junto com sua esposa, Teresa e a sua filha, Ascens\u00e3o, na rua Ib\u00e1\u00f1ez. \u00c9 na sua morada bilbaina onde projecta escrever uma Hist\u00f3ria Geral de Bizkaia e redige a Tradu\u00e7\u00e3o castelhana de todos os nomes vascongados das vilas de Bizkaia que apareceram em El Noticiero Bilba\u00edno. Trueba, ainda que n\u00e3o conhecera o basco quando neno, chegou a apreend\u00ea-lo e a domin\u00e1-lo de forma suficiente para fazer as suas averigua\u00e7\u00f5es que podem ser consideradas, ainda hoje, muito estim\u00e1veis.<\/p>\n<p>Contudo, a vida d\u00e1 duros baques e oscila\u00e7\u00f5es. Em 1883 falece a companheira do poeta, Teresa, mas em 1886 recebe a alegria, em contraste, do casamento de sua filha Ascens\u00e3o com Juli\u00e3o Irurozqui, jovem pamplon\u00eas que \u00e9 professor no Instituto Bizca\u00edno e Letrado Asesor da Comand\u00e2ncia de Marinha e do Porto de Bilbau. E assim, de seguida, v\u00eam-lhe a ledice dos netos. Quando j\u00e1 lhe chegava a ancianidade petando na sua porta, uma neta, a quem se lhe p\u00f5e o nome de In\u00eas, ado\u00e7a a sua velhice e ainda mais demulce com a chegada do seu segundo neto, Fernando, de quem pouco poderia desfrutar o pobre velho ao morrer aos escasos messes de ter nascido a criatura.<\/p>\n<p>Num triste inverno bilba\u00edno, em 10 de mar\u00e7o de 1889, quando as \u00e1rvores ainda n\u00e3o se cobriram das verdes folhas primaverais nos jardins de \u00c1lbia, frente de sua casa, Antonio de Trueba y de la Quintana, entrega a sua alma \u00e0 imortalidade.<\/p>\n<p>O dia 10 de novembro de 1895 inaugurou-se nos jardins da Praza de \u00c4lbia o monumento que por m\u00e3o s\u00e1bia do grande escultor valenciano Mariano Benlliure, obra que mereceu a Medalha de Honra por unanimidade na Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de Belas Artes de 1895, colocada por cima do pedestal do arquiteto bizca\u00ednho Severiano de Ach\u00facarro,\u00a0 olha da altura a paisagem que t\u00e3o bem amou e cantou.<\/p>\n<p>Ainda estava fresca a tinta do seu derradeiro poema que hoje se rememora num altorelevo da igreja de S\u00e3o Vicente de Abando:<\/p>\n<p>\u00daLTIMA<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizem que o cisne quando morre canta,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e que hoje tanto de mortal a minha dor tem,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que acaso \u00e9 a do cisne minha garganta.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A vontade de Deus \u00e9 justa e santa.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Faga-se em mim, Senhor, o que quiser!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>\u00a0<\/em>:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA:<\/p>\n<ul>\n<li><em>El libro de los Cantares,<\/em> Jos\u00e9 Muiguel Guardia Bagur, El Mundo Pintoresco, ilustraci\u00f3n espa\u00f1ola, Madrid, 30 de enero de 1859, a\u00f1o 2, n\u00ba 5, p\u00e1ginas 35-38.<\/li>\n<li><em>Antonio de Trueba<\/em>, \u00c1ngel de la Iglesia y G\u00f3mez de la Vega, Colecci\u00f3n Temas Vizca\u00ednos, n\u00ba 7, Caja de Ahorros Vizca\u00edna, Julho de 1975.<\/li>\n<li><em>El libro de los cantares por Antonio de Trueba,<\/em> Editorial Amigos del Libro Vasco (Edi\u00e7\u00e3o limitada de 300 exemplares numerados do 1 at\u00e9 o 300. Refer\u00eancia A-13-3-84. Exemplar n\u00ba 115, Bilbao, 1984).<\/li>\n<li><em>De flor em flor<\/em>, D. Antonio de Trueba. Editorial Amigos del Libro Vasco, Edi\u00e7\u00e3o facsimilar do ano 1882, Bilbao, 1986.<\/li>\n<li>KATALOG DER DEUTSCHEN NATIONALBIBLIOTHEK, <a href=\"https:\/\/portal.dnb.de\/opac.htm?method=simpleSearch&amp;query=128821329\">https:\/\/portal.dnb.de\/opac.htm?method=simpleSearch&amp;query=128821329<\/a>.<\/li>\n<li>Trueba, Antonio de (1819-1889) in, <a href=\"http:\/\/www.cervantesvirtual.com\/FichaAutor.html?Ref=226\">http:\/\/www.cervantesvirtual.com\/FichaAutor.html?Ref=226<\/a><\/li>\n<li><em>Antonio de Trueba, un escritor vizca\u00edno olvidado que merece m\u00e1s atenci\u00f3n<\/em>, Angel Mar\u00eda Ortiz Alfau, El Correo Espa\u00f1ol-El Pueblo Vasco, domingo, 6 de julho de 1986.<\/li>\n<li><em>Centenario de la muerte de Antonio Trueba. Colegios e instituciones homenajean a Antonio de Trueba en su Centenario<\/em>, C. Garc\u00eda e <em>Una vida entre Euskadi y Madrid<\/em>, E.B., di\u00e1rio Egin,domingo 5 de mar\u00e7o de 1989.<\/li>\n<li><em>Antonio Trueba em el centenario de su muerte<\/em>, El\u00edas Am\u00e9zaga, Muga, n\u00ba 71. Ano IX, dezembro de 1989, p\u00e1ginas 54-63.<\/li>\n<li><em>Trueba y la Quintana<\/em>, in Project Runeberg, <a href=\"http:\/\/runeberg.org\/nfcj\/0042.html\">http:\/\/runeberg.org\/nfcj\/0042.html<\/a><\/li>\n<li><em>Antonio de Trueba y De la Quintana<u>,<\/u> <\/em><em>Ant\u00f3n el de los Cantares<\/em>. Idoia Estorn\u00e9s Zubizarreta, Au\u00f1amendi Eusko Entziklopedia &#8211; Bernardo Estorn\u00e9s Lasa Fondoa, <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20140810024315\/http:\/www.euskomedia.org\/aunamendi\/132344\">http:\/\/web.archive.org\/web\/20140810024315\/http:\/\/www.euskomedia.org\/aunamendi\/132344<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201c<em>A prop\u00f3sito de dos textos desconocidos de Antonio de Trueba<\/em>\u201d, Jos\u00e9 Antonio Ere\u00f1o Altuna, Letras de Deusto, n\u00ba 97, vol. 32 (2002), pp. 27-62.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Cantares Galegos<\/em>, Rosalia de Castro, Cole\u00e7\u00e3o \u201cCl\u00e1ssicos da Galiza\u201d, Vol. I, Academia Galega da L\u00edngua Portuguesa. Edi\u00e7\u00e3o de Higino Martins Esteves, Academia Galega da L\u00edngua Portuguesa \u2013 Edi\u00e7\u00f5es da Galiza, Barcelona, 2009.<\/p>\n<p>:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::<\/p>\n<p>FOTOS<\/p>\n<p>:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fundacionbenlliure.files.wordpress.com\/2012\/09\/32_bilbao_mtc2ba-trueba.jpg\">https:\/\/fundacionbenlliure.files.wordpress.com\/2012\/09\/32_bilbao_mtc2ba-trueba.jpg<\/a><\/p>\n<p>Monumento a Antonio Trueba, obra de Mariano Benlliure, nos Jardins de \u00c1lbia de Abando, Bilbau.<\/p>\n<p>:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/mw2.google.com\/mw-panoramio\/photos\/medium\/1312199.jpg\">http:\/\/mw2.google.com\/mw-panoramio\/photos\/medium\/1312199.jpg<\/a><\/p>\n<p>Capela de Montellano, Galdames (Bizkaia)<\/p>\n<p>Autor:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.todopueblos.com\/interstitial.php?nombre=VER_FOTO&amp;pagina=http:\/\/www.panoramio.com\/user\/83982\">kromioussos<\/a><\/p>\n<p>::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/static.panoramio.com\/photos\/large\/29503484.jpg\">http:\/\/static.panoramio.com\/photos\/large\/29503484.jpg<\/a><\/p>\n<p>Ponte da Ola sobre o rio Barbadun em Montellano, Galdames (Bizkaia)<\/p>\n<p>Autor:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.todopueblos.com\/interstitial.php?nombre=VER_FOTO&amp;pagina=http:\/\/www.panoramio.com\/user\/3915358\">gazteakk<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO DE TRUEBA, O INSPIRADOR DE \u201cCANTARES GALEGOS\u201d DE ROSALIA DE CASTRO. \u00a0Jos\u00e9 Andr\u00e9 L\u00f4pez Gon\u00e7\u00e2lez (Andr\u00e9 Da Ponte) \u00a0Os leitores do livro de Rosalia de Castro Cantares Galegos sabem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":1380,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[23,7],"tags":[130,195,194,68],"class_list":["post-1375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autoresas","category-creacion","tag-andre-da-ponte","tag-antonio-de-trueba","tag-cantares-galegos","tag-rosalia-de-castro"],"jetpack_featured_media_url":"http:\/\/culturaliagz.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Antonio-de-Trueba.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1375"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1379,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1375\/revisions\/1379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1380"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/culturaliagz.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}