MEU SONHO FAMILIAR de Paul Verlaine, versión galega de André Da Ponte

MEU SONHO FAMILIAR de Paul Verlaine, versión galega de André Da Ponte

MEU SONHO FAMILIAR

Por vezes tenho um sonho muito estranho e pungente

De uma ignota mulher, que eu quero e que ela me quer,

E que não é, é certo, uma única mulher

Nem bem outra, de fato, que me ama e que me sente.

Pois é que ela entende o meu coração, transparente

Para ela só, ai!, não é um problema qualquer

Só pra ela, e a minha testa pálida, se quiser,

Chorando, ela mudaria em frescor envolvente.

É castanha ela, quiçá loira ou ruiva? Isso ignoro

O seu nome? Eu lembro que ele é doce e sonoro,

Como os amantes que a vida exilou para além.

Sua olhada é igual à duma estátua antiga

Com uma voz distante, calma e séria ela tem

As seguras inflexões de muda voz amiga.

MON RÊVE FAMILIER


Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D’une femme inconnue, et que j’aime, et qui m’aime,
Et qui n’est, chaque fois, ni tout à fait la même
Ni tout à fait une autre, et m’aime et me comprend.

Car elle me comprend, et mon cœur, transparent
Pour elle seule, hélas ! cesse d’être un problème
Pour elle seule, et les moiteurs de mon front blême,
Elle seule les sait rafraîchir, en pleurant.

Est-elle brune, blonde ou rousse ? — Je l’ignore.
Son nom ? Je me souviens qu’il est doux et sonore,
Comme ceux des aimés que la Vie exila.

Son regard est pareil au regard des statues,
Et, pour sa voix, lointaine, et calme, et grave, elle a
L’inflexion des voix chères qui se sont tues.

(De Poèmes saturniens, Vanier, 1902, Œuvres complètes, volume I (p. 15).).

http://www.larousse.fr/encyclopedie/data/images/1003862-Paul_Verlaine.jpg

AINOAN ARTAIOS.

Onde o Arco Àrtabro deixa entrar o mar, poder e figura da Deusa Ainoan, anfiteatro pechado polos Montes da Zapateirá.

Costa Ártabra, ou camiño dos sete faros Magnus Portus Artabaurum.

Deusa do vento, laios dunha natureza ousada ,onde as pedras escriben historia, deserto areal, onde as ondas levan o canto de sereas.

Morre a lúa nos confíns do mar,  durmindo un soño de misterios.

Ainoan, desexo preto de nós, filla dun Druida, onde a escuridade é luz ,agocha o sol á Raíña da noite.

Tempo galego na cor dun horizonte.

Ana Mar Fraga Rábade.

Sétima edición do Festival 27373 de música en Galego de Begonte

Sétima edición do Festival 27373 de música en Galego de Begonte

Achegamos nota de prensa e cartaz anunciador da Sétima edición do Festival 27373 de música en Galego de Begonte.

Calquera aclaración, pregunta ou entrevista, pódese facer a través deste correo electrónico ou chamando ao 616705174 (Carlos).

 

AC Castiñeiro Milenario
Pacios, 85 27373 Begonte
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CANÇÃO DE OUTONO de Paul Verlaine, traducida ao galego por André Da Ponte

CANÇÃO DE OUTONO de Paul Verlaine, traducida ao galego por André Da Ponte

CANÇÃO DE OUTONO

Os soluços longos

Dos violinos

……Do outono

Ferem meu coração

Com um langor

……Monótono.

Sufocado de todo

E pálido, quando

……Soa a hora.

Meu coração lembra,

Os tempos passados

……E chora.…

E eu me vou

Com o vento mau

……Que me porta.

Para aquí, acolá

Igual à

……Folha morta..

CHANSON D’AUTOMNE

Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon cœur
D’une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure ;


Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

In Poèmes saturniens, 1902, Œuvres complètes, Volume I, páginas 33-34

 

http://img4.bdbphotos.com/images/700×350/x/2/x2gqy01wphmjymwj.jpg?skj2io4l

 

Paul Verlaine (à esquerda na foto) com Arthur Rimbaud (à direita)

DERRADEIRA VONTADE, por André Da Ponte

DERRADEIRA VONTADE, por André Da Ponte

NA MEMÓRIA DE JOSEFA CABADO LOPEZ (A REQUECHA E A REGUEIFEIRA DO CANDO – SÃO SALVADOR DE PARGA), prima coirmã de meu defunto pai que faleceu em 31 de março de 2018.

Com saudades e sentindo muito a sua ausência.

DERRADEIRA VONTADE

Deixai-me, bem seja breve,
um pedaço de lembrança
num floco de branca neve
quando eu morrer. Caia leve,
sossegada, quase mansa;
ouça-a eu como descansa
no colo da minha Terra.

E sinta que a selha berra
(cantava quando eu criança)
velhas cantigas da serra.

E recender novamente
no deleite da verdura
a nossa fala mais pura
nos lábios da minha gente.

E os risos da rapazada,
e da fonte que escorrega
nesta paisagem calada,
e o curto vó duma pega.

E o fumo duma lareira
sair do turvo das lousas.
Ressentir todas as cousas
tal qual fosse a vez primeira.

Apenas isto requeiro,
só esta ânsia procuro:
dormir sono derradeiro
numa Pátria com futuro.…

…………………………………..

Na manhã mais sonolenta
perceba na terra algente
cair a neve mui lenta…
lenta… lenta… lentamente…

…………………………………..
……………………………………..

http://culturaliagz.com/wp-content/uploads/2018/04/PORTADA2-512×675.jpg

ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XXXII), por André Da Ponte

ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XXXII), por André Da Ponte

ANTOLOGIA POESIA PALESTINA MODERNA (XXXII)

Makhmud Sobh al-Kurdi

مخمود صبح الكردي

Onde voam as águias ninguém em Palestina esquecerá Gassán35

Lim nos jornais que a miúdo de ti falavam

e disse para mim: mintem os jornais igual que sempre.

Como havia acreditar que se atrevera a morte, disfarçada de artefacto explosivo,

a te insinar o seu terrível rosto cara a cara, em pleno dia maldito.

E como, vicinho da minha infância, companheiro de jogos infantis,

pudo essa voraz suja velha roubar-te os teus projectos, as tuas muitas ilusões

e dispersar o teu peito tão valente, esfanicar o teu jovem corpo.

Levavas esse dia os teus projectos, como a cotio, nas algibeiras.

Ainda lembro, Gassán, quando, com cuidado primoroso, os tiravas

do bolso esquerdo das tuas calças cinzentas, esfarrapadas de todo e bastante limpas [não obstante.

Acontecia no campo, no pátio duma escola,

naquele campamento nosso de refugiados, no arrabalde de Damasco,

onde a nossa ira medrava e também a esperança junto a fame* e a sua semelhança, a [miséria.

«Justo nesta montanha onde abundam os bosques e as covas —disses-te—

está o caminho mais curto para o nosso lugar, pertinho de acô*.

Deveríamos atacar de súpeto. A guerra é com surpresa, há que aprender deles.

Mas, é só o dia o nosso.

Cuida de não matar meninhos*, não destruir os nossos fogares

Também não queimar anaco* algúm da querida pátria.

O nosso é uma guerra de guerrilhas de espaçoso alento humano.

Jamais o rancor, que é muito descorado.

O ódio e a vingança hám ficar para o outro bando.

Flor violenta é o nosso, ardente mas, também fermosa.

Um alvor que abraça um claro dia e à vida nascente, o nosso é».

Que dedos de pianista voavam nos teus sobre o pequeno mapa

enquanto chamavas a atenção para as tuas tácticas guerreiras, nunca antes inventadas,

o teu grande convencimento de profeta,

aquela voz tua musical e de diamante à vez.

Hoje justificar pretendem os desesperados a violência louca, sen sentido.

E poucos, muito escasos, seguem a acreditar nos teus puros projectos juvenís, algum dia [certos.

Repartidos agora estamos em milhares de pedaços, como contigo fizeram.

E, no entanto, Gassán, não chorou da tua morte e tambén não na vida dos órfãos.

Desminto os que crem não cumplem os poetas o prometido nem fazem o que dizem.

Hoje volvo repetir-te aqueles versos meus que de cor conhecias:

«Apertai, com força, as bexigas.

Deixai sangrar a ferida

e com o sal rociai-a ».

Todo o que não seja ira e luz dos vossos olhos, arrincai.

Tempo haberá para chorar polos* mortos vossos.

O tempo do regresso à nossa terra, quando a apertemos e a rociemos

dos distintos sabores das lágrimas ao se fazerem o reencontro, distante tantas vezes.

Não conteis esse dia nem percas, nem traedores, nem desesperados.

«Já virá o tão veloz outono

e, perante a sua força, cairá o cerco e derrubarám-se os valados

e abrirám-se ao vento casas e casas».

«Então virá-lhe a sua vingança para quem foi traído,

e à terra o seu espasmo,

o seu parto a tanta luz.

Então, na certeza, há resuscitar Jerusalém

e a vergonha da frente do povo cairá».

Gassán, asseguro-te que hei cumplir os meus versos e fazer que os teus projectos [fructifiquem.

Ocupo-me agora, tam só, de recompor no meu poema um corpo esmigalhado.

Atesoura a História o que a terra inuma.

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35 Gassán Kanafani (1936-1972). O poeta entoa uma elegia ao porta-voz da Frente Popular para a Libertação da Palestina e director do semanário al-Hadaf (O Objectivo). Foi assassinado polos* serviços secretos do Estado Sionista junto à sua sobrinha de doze anos de idade, em Beirute em 8 de Julho de 1972, quando puser em marcha o seu automóvel. Grande pensador e escritor deu ao lume quatro coleções de contos: A morte da cama número 12 [Maut sarir raqm 12] (1961); A terra das laranjeiras tristes [Ard al-burtaqal al-hazin] (1963); Mundo que não é para nós [Alam laissa lana] (1965); De homens e fuziles [An ar-riyal wal-banadiq] (1968). Três romances: Homens ao sol [Riial fich-chams] (1963); O que vos resta [Ma tabaqa lakum] (1966); De volta a Haifa [Aid ila Haifa] (1969) e Um Saad (1969). Duas obras teatrais: A porta [al-bab] (1964) e O chapéu e o profeta [al-qubbaat wan-nabi] (1967); dous ensaios que deram a conhecer uma literatura até o momento quase desconhecida: Literatura de resistência na Palestina ocupada [Adab al muqawamah fi Filastin al-muhtalah] (1966) e A literatura palestina resistente sob a ocupação [al-adab al-filastini al-muqawin tahta al-ihtihal] (1968) e outro Sobre literatura sionista [Fil-adab as-sahiuni] (1967). Um livro de pensamento político: A resistência e as suas dificuldades [al-muqawamat wa muudilatuha] (1970) e outro histórico-político: A revolução de 1936-1939 na Palestina [Zaurat 1936-1939 fi Filastin] (1972). A tradução para o árabe de Verão e fumo de Tennessee Williams (1964). Um sem fim de artigos jornalísticos, e inéditos como, um livro de viagens à China: E depois amanheceu Ásia [Zuma achraqat Asia] e cinco romances que não foram editados em livro, embora publicados em fascículos em jornais ou revistas: E quem foi que matou Laila al-Hayek? [Ach-chaii al-ajar au “man qatala Laila al-Hayek?”]; O loto vermelho morto [al-lutus al-ahmar al-mayyit]; O namorado [al-achiq]; O cego e o surdo [al-ama wal-atrach] e Os albricoques em Junho [Burquq nisan). Ver: Memoria y homenaje: Gassan Kanafani, escritor y testimonio palestino no volume Escritos sobre literatura palestina (Oficina de la Liga de los Estados Árabes, Madrid, 1984) do eminente arabista e professor, Pedro Martínez Montávez.