EL DESDICHADO de Gérard de Nerval, traducido ao galego por André Da Ponte

EL DESDICHADO de Gérard de Nerval, traducido ao galego por André Da Ponte

UM SONETO TRADUZIDO DE GÉRARD DE NERVAL E ALGUMAS NOTAS SOBRE O POEMA E O POETA FRANCÊS..

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O soneto que hoje coloco perante vós é um dos mais celebrados das letras francesas e, também, um dos mais enigmáticos a começar polo próprio título.

Deste poema tão louvado existem dous manuscritos. Um deles é o chamado Lombard e foi o que enviou o poeta a Alexandre Dumas, junto com uma carta quando estava atacado por um abcesso de loucura em 1853. Este texto é o que usou o romancista para reproduzi-lo no seu artigo sobre Nerval publicado em Le Mousquetaire em 10 de dezembro de 1853 constituindo, assim, a primeira edição do soneto. É a este artigo ao que contesta Nerval na dedicatória de Les Filles du feu (As Filhas do fogo).

Vale a pena dizer algo em volta desse artigo de Dumas. Em 1841 o jornalista e amigo de Nerval Jules Janin escrevera uma nota necrológica sobre o poeta. Durante a crise de loucura de Nerval, em 1853, Alexandre Dumas publicou o artigo que temos mencionado onde, talvez com as melhores das intenções, embora um tanto alegremente, revelava ao público a precariedade da saúde mental do poeta. Nerval sempre teve um grande empenho em ocultar e justificar as suas crises de loucura, que na sua opinião, desacreditavam-no perante o público leitor, e esse artigo dum dos seus mais velhos amigos feriu-o profundamente.

Les Filles du feu, molho de contos e poemas vão aparecer em janeiro de 1854, quando Nerval estava internado na clínica do doutor Émile Blanche em Passy. Trata-se de oito contos longos (Angélique, Sylvie,Chansons et légendes du Valois, Jemmy, Octavie, Isis, Corilla, Emilie) e braçado de doce sonetos, Les Chimères (As Quimeras). No prólogo aproveita para acrescentar um prólogo de resposta a Dumas onde justapunha um texto já publicado, apresentando o projeto dum romance, Le Roman tragique (O Romance trágico) que queria ser uma contrapartida do Roman comique (Romance cômico) de Scarron, mas nunca, de que se saiba, chegou a escrevê-lo.

Porém, deixando isto e indo para o soneto, digamos que há um segundo manuscrito que é chamado Éluard (porque pertenceu ao poeta Paul Éluard), que foi o que usou para a impressão de As Filhas do Fogo. Este manuscrito tem várias notas da mão de Nerval que depois havemos de mencionar.

O texto de Lombard vai acompanhado – igual que o Éluard – do poema Artémis em duas folhas numeradas 2 e 3 e conserva-se junto com uma carta de três páginas que leva por título: La carte du Diable (A carta do demo). Trata-se do Arcano XV do Tarot, que se pode relacionar com o signo zodiacal dos Gêmeos, que é o de Nerval. Até mesmo alguns críticos têm assinalado alusões ao Tarot no texto deste soneto.

O título está em espanhol no original. Todos os comentaristas coincidem que Nerval apanhou-o do romance Ivanhoe de Walter Scott (capítulo VIII). Também, unanimemente, todos eles repetem que essa palavra significa “desditado” (Desinherited em Scott) e, por outro lado, Paul Bénichou tem demostrado que essa palavra em espanhol nunca significou o que escreveu o romancista inglês. Cabe a dúvida se Scott deu com certeza essa tradução. No capítulo VIII de Ivanhoe pode se entender que é o conjunto do debuxo do escudo – um carvalho desarraigado e o lema El Desdichado – o que vem significar o deserdado, e não diretamente essa palavra com a acepção que tem em espanhol. E no capítulo XII, quando a multidão brada “Desditado! Desditado!”, Scott acrescenta precavidamente: “cuja palavra de ordem apanhavam do lema que levava o escudo do seu coudel.

No manuscrito Éluard o título é “A sina”.

VERSO 2: “Príncipe de Aquitânia” alude a uma das fantasias genealógicas de Nerval, que fazia derivar seu sobrenome (Labrunie) da Torre de Labrunie na Aquitânia e pretendia descer dum nobre dessa região.

VERSO 4: Há uma muito provável alusão ao célebre grabado A melancolia de Albrecht Dürer (Nuremberga, 21 de março de 1471 – Nuremberga, 6 de abril de 1528) que Nerval admirava.

VERSO 6: O Prausílipo é um lugar perto a Nápoles do que Nerval fez um dos seus símbolos obsessivos. Pola sua etimologia significa “cesse da dor”, que é uma alusão à morte. Por estar perto ao Vesúvio, o poeta associa-o com o fogo subterrâneo, um outro símbolo da sua mitologia pessoal. Além disto, perto dele acha-se o suposto túmulo de Virgílio, que encarna para Nerval todo o paganismo e o seu mistério, numa síntese de cultos ocidentais e orientais que anuncia o sincretismo mítico religioso do próprio Nerval. Finalmente, a região napolitana evoca sempre para o poeta o culto a Ísis (Ísis está em As Filhas do fogo), em que via não apenas o culto da Mulher (mãe e amante), embora o exemplo excelso dessa contaminação dos cultos e da unidade, sob diversas formas, das mesmas divindades, proba da unidade de toda a experiência religiosa da humanidade.

VERSO 8: Há no manuscrito Éluard uma nota de Nerval: Jardim do Vaticano, que ajuda a compreendê-lo como a imagem da união de paganismo e cristianismo.

VERSO 9: Amor é aqui o nome próprio: o deus romano; Febo está escrito à latina no manuscrito (Phoebus), o que é talvez alusão a Gaston Phoebus, uma das identidades imaginárias de Nerval; Lusignan é uma personagem histórica sobre o que se formou na Idade Média a lenda de Melusina, mulher serpe namorada deste personagem e que desaparece com um grito quando o amado, quebrando a promessa de não espreitá-la, surprende-a na sua forma de cobra (a etimologia de Melusina semelha ser Mère des Lusignans (Mãe dos Lusignans), passando por Merlusignans e Merlusine. Quanto o que diz de Biron, há um personagem de Shakespeare e vários nomes históricos com esse nome. Segundo Jean-Luc Steinmetz (Edições da Pléiade, 1993), trata-se do duque de Biron, almirante de Henrique IV decepado ao ser acusado de traição; em qualquer caso parece fazer parelha com Lusignan (ambos humanos), como Amor com Febo (deuses ambos), e simbolizar o amante da rainha como Lusignan o amante da sereia.

VERSO 10: Nota de Nerval no manuscrito Éluard: “Rainha Candacia”, nome genérico das rainhas de Etiópia. Alude então a Balkis, rainha de Sabá, outra personagem central na mitologia nervaliana.

VERSO 12: Refere, quase com total certeza, as crises de loucura (reduzidas no verso a duas), que Nerval comparou várias vezes com descensos para os infernos, e das que até então saíra triunfante (como Orfeu, mencionado no verso seguinte).

VERSO 14: Nota de Nerval à palavra Fada, no manuscrito Éluard: “Melusina ou Manto”; “fada” está usado, então, mais no sentido de feiticeira do que no sentido mais janota e hoje mais frequente.

O autor de Les Chimères (As Quimeras), apenas doze sonetos que lhe valeram a imortalidade, atravessado por uma doença fatal deixou o 24 de janeiro de 1855 uma nota para a sua tia: “Quando eu tenha triunfado de todo, terás o teu lugar no meu Olimpo, como eu tenho o meu lugar na tua casa”. Ao dia seguinte deambula por um Paris glacial, tenta conseguir dinheiro, ceia no mercado, perde-se na noite. Ao amanhecer topam-no pendurado numa sórdida ruela (hoje desaparecida) do velho Paris.

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EL DESDICHADO

Eu sou o Tenebroso, – o Viúvo, – o Inconsolado

Príncipe de Aquitânia da Torre abolida:

Minha só Estrela morreu, – e meu laúde constelado

Porta em si o Sol negro da Melancolia.

Na Cova noturna, Tu que me tens consolado,

Devolve-me o Pausílipo e o mar da Italia,

A flor que gostava a meu peito desolado,

E a parra onde o Bacelo à Rosa se alia.

Sou eu Amor ou o Febo?… Lusignan ou Biron?

Minha frente enrubesce do beijo da Rainha;

Sonhei na Gruta onde a Sereia nada…

Duas vezes transpus o Aqueronte vencedor:

Modulando por vezes de Orfeu na lira

Os suspiros da Santa e os gritos da Fada.

Gérard de Nerval ( Paris, 22 de maio de 1808 – Paris, 25 de janeiro de 1855)

[A tradução está feita desde o texto publicado em “Une forêt de symboles. Une petite anthologie littéraire”, Les Éditions du Carrousel, Paris, 1999, página 316]

EL DESDICHADO

 

Je suis le Ténébreux, – le Veuf, – l’Inconsolé,
Le Prince d’Aquitaine à la Tour abolie :
Ma seule
Etoile est morte, – et mon luth constellé
Porte le
Soleil noir de la Mélancolie.

Dans la nuit du Tombeau, Toi qui m’as consolé,
Rends-moi le Pausilippe et la mer d’Italie,
La
fleur qui plaisait tant à mon coeur désolé,
Et la treille où le Pampre à la Rose s’allie.

Suis-je Amour ou Phébus ?… Lusignan ou Biron ?
Mon front est rouge encor du baiser de la Reine ;
J’ai rêvé dans la Grotte où nage la sirène…

Et j’ai deux fois vainqueur traversé l’Achéron :
Modulant tour à tour sur la lyre d’Orphée
Lers de ls soupia Sainte et les cris de la Fée.

Gérad de Nerval

Gustave Doré, A rua da Velha Lanterna. O Suicídio de Gérard de Neval. Litografia sobre papel em branco e negro de 1855.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d1/Gustave_Dor%C3%A9%2C_La_Rue_de_la_Vieille_Lanterne_The_Suicide_of_G%C3%A9rard_de_Nerval%2C_1855.jpg

A BRAÑA DE BOEDO, por Antón de Guizán

A BRAÑA DE BOEDO, por Antón de Guizán

A homenaxe aos Tres da Lexía e a Alfonso Blanco en Santa Mariña, coincidín co naturalista de orixes vilaregas Manuel Freire, que ao pé do privilexiado mirador onde se levanta o monumento de Valdi, ensinoume desde o alto a Braña de Boedo e contoume que Guitiriz conta con unha das turbeiras máis importantes do estado, a Braña de Boedo, ao pé mesmo da capital municipal. Un humidal encadrado dentro do LIC “Parga-Ladra-Támoga” e que destaca pola riqueza da súa fauna (odonatos, anfibios e aves), a sua flora, con especies protexidas e outras próprias das brañas e algunha planta carnívora. No ano 2011 a Asociación de Amigos da Terra denunciou na administración a execución dunha drenaxe, que aumetaba as canles de desaugue e cavaba outras canles novas. O efecto máis inmediato desta acción foi a desaparición de numerosos puntos de auga estancada, moi favorables para a reprodución dos anfibios. Accións consecuencia da falta de protección para este importante espazo, mais incomprensíbel aínda cando falamos de Guitiriz como o concello da auga e da pedra.
Esa falta de declaración de espazo natural protexido, permitiu no seu momento tamén o emprazamento do polígono industrial de Guitiriz na cabeceira da braña, unha das turbeiras máis grandes da península e a mais importante de Galiza a pesares dese esquecemento ao que é sometida polas institucións científicas, consellerías, a deputación e o proprio concello.
A grande riqueza e diversidade dos compoñentes dos humidais fan que estes se atopen entre os ecosistemas máis complexos e produtivos constituíndo un valioso patrimonio cultural e natural e xogando un importante papel na conservación da biodiversidade e no desenvolvemento económico.
A Braña ten ademáis da súa riqueza natural, a sua própria história da interacción humana e mesmo lendas coma a da cidade asolagada recollida pola revista As nosas raíces de Xermolos no ano 2000 e da que se fixo eco a publicación A Galicia Encantada.
Sorprende ver como Guitiriz vive de costas ás súas próprias potencialidades naturais e etnográficas que poderían convertila nunha referencia pola inmensa riqueza que atesoura e que ten a obriga de protexer, riqueza que moitos dos seus veciños descoñecen ou só coñecen parcialmente.
No caso das Brañas de Boedo o primeiro paso debe servir a declaración como mínimo de “Humidal protexido” na rede de espazos naturais da Xunta de Galicia, e desenvolver nestas brañas as labores de investigación e divulgación necesarias para convertilas nunha das referencias naturais máis importantes do estado cos apoios e investimentos aos que a verdadeira importancia da turbeira de Guitiriz ten dereito. Camiño do segundo ano de peche do balneario, o concello precisa recuperar esa actividade emblemática e potenciar o enorme potencial natural que posúe para convertilo nun motor da súa economía e calidade de vida e as Brañas de Boedo son tesouro que se debe poñer en valor. Non hai un minuto que perder…

Antón Tenreiro Ferreiro
ANTÓN DE GUIZÁN

A PONTE MIRABEAU de Guillaume Apollinaire, versión ao galego-portugués de André Da Ponte

A PONTE MIRABEAU de Guillaume Apollinaire, versión ao galego-portugués de André Da Ponte

Do poeta francês Guillaume Apollinaire (nome de pia, Wilhelm Albert Włodzimierz Apolinary de Waż-Kostrowicki, Roma, 26 de agosto de 1880 — Paris, 9 de novembro de 1818)

nascido em Roma de mãe polaca e pai italiano, viveu primeiro em Mônaco, e depois em Nice. Com 18 anos foi para Paris onde encontrou a oportunidade de acompanhar a família na Alemanha na qualidade tutor.

Apaixonou-se por “miss”, uma jovem estudante Inglesa chamada Annie Playden. A sua ruptura com o seu amor juvenil empurra-o a escrever a “Canção do mal-amado” (La Chanson du mal-aimé).

De volta a Paris trabalhou em várias revistas, fazendo amizades com Alfred Jarry, Max Jacob e Picasso.

Em 1907, o poeta consegue viver da sua pluma graças à sua intensa atividade jornalística. Naquela época fez amizade com Marie Laurencin.

Em 1909 publicou “L’enchanteur pourissant”.(O encantadorr podre).

1912 é o ano da sua ruptura com Marie Laurencin, mas sobretudo o da publicação de “Zone” em “les soirées de Paris”.

A partir de 1913, mudou-se para um apartamento no número 202 do Boulevard St Germain. Aproximando-se mais e mais da vanguarda literária e artística defendendo ardentemente a pintura cubista.

Foi neste momento que ele publicou o seu livro “Álcools” donde tiro o poema que traduzo.

Apollinaire, que foi quem criou a palavra surealismo, morreu jovem com apenas 38 anos de idade em 9 de novembro de 1918, vítimado pola gripe espanhola (ainda que o Estado francês declarou-no como “mort pour la France” polo seu engajamento na 1ª Grande Guerra Mundial).

O poeta foi enterrado no campo-santo de Père-Lachaise em Paris, tendo a sua tumba uma escultura em forma de menir elaborada por Picasso.


A PONTE MIRABEAU

 

Sob a ponte Mirabeau corre o Sena

E os nossos amores

É essencial a lembrança pequena

A alegria chegava sempre após a pena.

 

Chega a noite a hora soa

Os dias vão-se e vivo à toa.

 

De mãos dadas ficamos face a face

Enquanto sob

A ponte dos braços passe

De eternas miradas a lassa onda que a enlace.

 

Chega a noite a hora soa

Os dias vão-se e vivo à toa.

 

Vai-se o amor como esta água corre atenta

Vai-se o amor

ai como a vida é tão lenta

e como a esperança é violenta.

 

Chega a noite a hora soa

Os dias vão-se vivo à toa.

 

Dias semanas passam à dezena

Nem tempo passado

Nem nosso amor nossa pena

Sob a ponte Mirabeau corre o Sena

 


LE PONT MIRABEAU

Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu’il m’en souvienne
La joie venait toujours après la peine.

Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure

Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l’onde si lasse

Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure

L’amour s’en va comme cette eau courante
L’amour s’en va
Comme la vie est lente
Et comme l’Espérance est violente

Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure

Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine

Vienne la nuit sonne l’heure
Les jours s’en vont je demeure

 

Guillaume Apollinaire, Alcools, 1913.

 

 

Fonte da imagem .- Wikipédia. Plaque apposée sur la paroi du pont Mirabeau donnant sur le quai Louis-Blériot, Paris 16e. Premiers vers du poème de Guillaume Apollinaire Le Pont Mirabeau paru dans Alcools en 1913:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Apollinaire_le_pont_mirabeau_incipit.jpg/640px-Apollinaire_le_pont_mirabeau_incipit.jpg

Ámote… non te quero.

Ámote… non te quero.

ÁMOTE

coa intensidade dunha raiola de sol
ás trés da tarde.
Ámote
coa luz fermosa da lúa chea
unha noite estrelada.
Ámote
na liberdade que dá o amor
cando é ceibe,
sen vencellos, sen cancelas…
nesa liberdade que tiven… negada.
Ámote
para que me extrañes… cando falte,
para ansiar vivir… na túa lembranza.
Ámote… , non te quero,
porque quererte paréceme pouco
para definir isto que sinto…
Cando prefiro terte nos meus soños
a terte preso…
Ámote
na liberdade das bolboretas de cores
que voan ceibes,
no cantar dos xílgaros… cando morre a tarde,
no bico que pousa o vento
na túa meixela,
na caricia tenra do arrecendo… a ti.
Ámote, que non te quero,
pois entendín que podes irte… se queres,
o meu amor seguirá enteiro
ainda que rache o corazón,
ainda que non deixe de chorar…
cada bágoa irá vencellada
ó desexo da túa… felicidade,
á túa vida mesma…
Mentras esteas aquí… amareite
coa intensidade dun temporal…
mais coa dozura do bico que pousan as ondas… na praia
Ámote… non te quero…

O AMOR POR TERRA de Paul Verlaine, traducido ao galego por André Da Ponte

O AMOR POR TERRA de Paul Verlaine, traducido ao galego por André Da Ponte

O AMOR POR TERRA

O vento de ontem à noite derrubou o Amor

que, no canto do parque mais misterioso,

sorria, brandindo seu arco, malicioso

cuja aparência nos fez um dia supor!

Esse vento da outra noite o derrubou! O mármore

à brisa matinal gira esparso. E contrista

olhar o pedestal, onde o nome do artista

com esforço lê-se à sombra duma árvore.

Oh! Que é triste olhar tão só o pedestal

e pensamentos bem penosos vêm e vão

e no meu sonhar a profunda comoção

evoca um futuro solitário e fatal.

Como é triste! – E tu, n’é? Estás afetado

com imagem tão triste, fitando à toa

a borboleta de ouro e púrpura que voa

riba do destroço no caminho espalhado

 

 

L’amour par terre

Le vent de l’autre nuit a jeté bas l’Amour
Qui, dans le coin le plus mystérieux du parc,
Souriait en bandant malignement son arc,
Et dont l’aspect nous fit tant songer tout un jour!

Le vent de l’autre nuit l’a jeté bas ! Le marbre
Au souffle du matin tournoie, épars. C’est triste
De voir le piédestal, où le nom de l’artiste
Se lit péniblement parmi l’ombre d’un arbre,

Oh! c’est triste de voir debout le piédestal
Tout seul! Et des pensers mélancoliques vont
Et viennent dans mon rêve où le chagrin profond
Évoque un avenir solitaire et fatal.

Oh! c’est triste! – Et toi-même, est-ce pas! es touchée
D’un si dolent tableau, bien que ton oeil frivole
S’amuse au papillon de pourpre et d’or qui vole
Au-dessus des débris dont l’allée est jonchée.

 

 

https://i1368.photobucket.com/albums/ag182/Trianarts7/Personajes%20-%20Blog%20-%202/PaulVerlaine3byEugeneCarriegravere-firma_zps2a85118e.jpg~original

A SAUDADE DA IALMA de Branca Villar Alvariño, no #Estraperlo Culturalia

A SAUDADE DA IALMA de Branca Villar Alvariño, no #Estraperlo Culturalia

A SAUDADE DA IALMA é o novo poemario que editamos no #EstraperloCulturalia. Branca Villar Alvariño é a autora, unha poeta desa estirpe diazcastriana daquelas terras guitiricense, concretamente de Labrada, que tenhen no camiño real da Granxa e do vello mosteiro unha arteria directa ao corazón do Vilariño.

Labrada é tamén poesía, poesía do corazón da terra e poesía con nomes de mulleres que como Luz Campello García remexen no inventário do proibido e afondan na saudade da ialma. Branca, nasceu poeta, poeta saída da terra á que tanto amou o seu pai, Antón María Villar Cancelo, un histórico loitador da patria que deixou na sua filla a encomenda desa ialma que só a partir é quen de transmitir.

Branca Villar forma parte desa estirpe chairega e Guitirica de novos poetas que non poderían ser outra cousa porque nas súas veas, ademáis de sangue circula a mesma ialma de Diaz Castro e a terra que agroma froitos e versos floridos.

Así no Estraperlo Culturalia, estamos honrados de dar cabida a tanta criación e moito máis si ven desa terra Labrada.

Desfrutade, pois, desta saudade da ialma nos versos de Branca Villar Alvariño, no seguinte enlace.